terça-feira, 27 de outubro de 2015

ADEUS

adeus
saudade lavada
grita por mim
adeus
palavras gastas
meu amor
em vindo,fica.
não ás vozes vazias
serei pequena
para caber em ti
corto uma asa
para voar contigo
vida de borboleta
asas roçando o sol
terra de lava
que sejas cego
olhos presos na alma
e um amor louco
que percorra ventos
e persiga a lua
sem musica há capela
em vindo,,não venhas
só uno,seremos plural
adeus

MOENDINHA

Hoje as folhas vestiram -se de vento para me beijar!
As janelas há muito fechadas recusavam a abrir,cobertas de heras colavam-se ao Verde,,e rangiam... com as portadas de madeira cerradas.
Rasguei as plantas e deixei entrar o Sol..agora não querem fechar..são assim os seres vivos cheios de caprichos !vou. deixá-las abertas mais uns dias,,depois vão ter de fechar -se.. por agora as plantas os ramos verdes das árvores..todo o Outono entra pela casa fazendo dela Jardim..todos os matizes de Verde me saúdam e tenho esquecido um pouco lua mas sinto -a contente e há minha espera...
Na mata mergulho em verdes e dourados e o som uno e surdo das árvores lembra -me o suave marulho do mar...
A vida pulsa há minha volta e encho -me de amor...sinto -me abençoada e aceite pela natureza e experimento uma serena Paz.

DECADENTES

Decadentes
Essas páginas onde me desdobro
essas terras ,,,sepulturas de raízes
estes ossos que desejaria férteis mutáveis
estas ondas onde soçobro
tudo o que de mim quero e dos outros exijo
este corpo que cheira e mexe....
tão humano que já nem cresce....
onde me cobro tão caro.......
... lenta cria que começa a morrer
..Esses amores lúcidos de mentira.......
flores da urtiga,,,,,
.Decadentes as palavras corroídas pela saliva.
Buracos húmidos de silvas saturados de ratos
onde se movem as minhocas da monotonia...
decadente fanfarronice...
Enxergo ´essa lente rugosa e estéril...
varejando erros na minha poesia...
Moscas varejeiras impenitentes ....
.germes de olhos salientes,,,ignores de tudo ....
Luto nas suas rápidas ,aguçadas mentes..espiando
sempre..baralhando a alma em fezes quentes..
Decadentes
.............decadentes da misoginia .......
......decadentes.....comam......poesia..........


debaixo de água
nem todos somos peixes
mas todos de lá saímos
cobertos de sangue
sujos de muco
desses verdes profundos
veio o sal da terra
foi no inicio do tempo
o relógio bateu uma vez
.uma gota de orvalho.
e o relógio bateu duas vezes
do orvalho nasceu a árvore
e o relógio bateu as três
da árvore veio o homem
.e o relógio fez uma pausa.
ás cinco o homem ganhou a vida
mas ainda não sabia
aqui o homem bateu há porta
e o relógio deixou de bater...
nem todos somos peixes....
mas foi da água que todos saímos...
Margarida Cimbolini

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

AQUECENDO AS PALAVRAS

Aquecendo as palavras
a noite amanhece sem versos
com a música do seu hálito ofegante..
...............chama por mim a lua
saudosa mansa e nua.............
tuas mãos passeiam no meu corpo
não revelam segredos.............
desvendam o pudor do mundo
descobrem arrepios esquecidos
instante a instante já não sou nada
apenas mulher apenas amante
somente corpo,boca,pele, pêlos ,língua..
,,,sexo....a vida .....a noite chamam-me
querem-me.....desejo-as....entrego-me..
sou eu sugando magia,,
por um instante... dispo-me de mim....
na noite na lua fico lânguida,,,,branca de luar e nua
e sou feliz.....................

domingo, 18 de outubro de 2015

ESPERO-TE

Espero -te
Ainda te espero!
Mas tu não sabes..é
...na nudez do silêncio
Que te chamo..
Revejo essa boca desenhada a carvão..rosada na tua face
escura..
a saber a beijos,, sedenta de mim.
Lábios mordidos...desejos que eu espero..
e sinto na pele..
esse teu arrepio.
Tão próximo te sinto!
Que me sobra o tempo...enquanto te recordo!
Sentes?!
Margarida Cimbolini

HERAS

Heras
Eram campos e mais campos
abertos de verdes linhos
Vinha o vento e rasgava
toda aquela claridade
Palavras em catadupa
de um gentio caídas
Jovem que inventava
a dimensão da velhice
Terra,,,terra ou fome
e moitas e silvas e vinho
Revoadas de cheiros
alfazema e rosmaninho
Labaredas em fusão
explosão de acácias e limos
Um menino deslumbrado
entre o rosto da giesta
Procurava um coração
mais puro que o puro linho
Pus-me a chorar de emoção
....... ante os olhos do menino..

HÁ TEMPO

Há tempo
Há quanto tempo a vida
não me exige paixão...
Parece que tenho tudo dentro
e a poesia dá.-me a sua voz sem esforço
Num verso.....essa espécie de infinito
vem a lágrima e a luz ,que é sombra e grito
Vem numa promessa ,de uma outra vida
que luz e confessa ,,ser a outra fingida
Qualquer pessoa nela confia
enquanto a vida voa vazia...
Eis o que peço a esta ilusão
amá-la posso ...perde-la não.....

A CASA

A casa
passeio na casa
passos que passam
e fazem música
ouço-a..
......talvez uma opera de Verdi....
ou uma sonata....
passo e olho-a....como vive !
como pulsa,,,veias de hera ,,veias de sangue !
acaricio as peças antigas ..patine suave de brilho mate.....
os livros ...cada lombada uma vida ...uma historia....
as tábuas do sobrado sem cera gemem....cantam...
as molduras cheias transbordam de amor..
as camas de colchas brancas pesadas.....
......leves como pombas... as cortinas....são ninfas...
os moveis torneados como corpos
sugerem ... tágides ,, sereias dos mares...
corpos ungidos pelo tempo...
tanto tempo tão lento.....lento...
tudo tem a beleza do tempo ..
as pedras do caminho ,,as telhas grávidas de ninhos
passo como num sonho..sento-me....
e quedo-me apaixonada....
escorro de amor..muito ...muito lento..
.
quase solto um lamento....de dor...de amore ....
fico-me perdida num encantamento..
estou apaixonada! sim é amore......
tomba uma lágrima....lenta.... quase um riso.
.............é meu este postigo...
é este o meu lar..e o meu abrigo...
.
eu amo esta casa....estou apaixonada...
Margarida Cimbolini

RECEIO

Receio
receio as molhas mortas
que piso
são castanhas
algumas as vermelhas
lembram- e veias abertas ao dia
e quem sabe se sendo folha
eu morria
assim no chão estalando
nos pés d,alguém
no prenuncio do Outono.
e como seria ?
como seria ?

SILENCIOS

Silêncios
junto todos os teus silêncios
em silabas que transformo em gestos
és um homem de gestos
não de silabas
raras são as palavras
difíceis cheias de longas brumas
tantas névoas nos meus azuis
no teu rosto opaco
crescem poros de grades
que te prendem
em celas onde não quero entrar
gosto de ti
sem te amar
. companheiro de tantas demências.
acorda-me se me trouxeres sono
quero muito voar

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

AS LETRAS

As letras
as letras acordaram húmidas .......
...acesas... cintilando
em colares de pérolas nacaradas e brilhantes
saltaram do alfabeto para o jardim
redondas de Sol ...despiram-se
uma a uma cobriram-se de pétalas
perfumaram-se.....luziram ainda mais
deixaram escorrer o brilho
em marfim derretido
deslizando na terra formaram poços de luz
Chamaram por mim altivas.....
Rainhas das palavras..dobravam-se no vento!
depois as letras cansaram-se...
queriam um poeta.......
uma máquina de escrever poemas ...fecunda..
trabalhando noite fora.....sem luz...
usando os seus pequenos corpos...
...ao sabor da sua vontade...
Eu apenas máquina obediente....
ao ritmo do pensamento......
gritei-lhes cantei -lhes os meus sonhos
inventei pausas e sinais.....
desdobrei o pálido alfabeto..em bailes enevoados
com o fumo dos poemas que ferviam
e em chamas queimavam acentos e virgúlas...
Letras lirios ..letras lácteas...estremecem..
cantam com hálito de flores.....
submergem no lago feitas limos..
Há um Sol nas letras puras de vidas fugazes
são estrelas liquidas
no firmamento claro e limpo

DIVAGOS

Divagos
O dia e o sol são longos
e cansam muito...a quem nasce da lua...
Quando não há sol são cinzentos,,os dias,,e cansam.também
.....fazem sono....
Desejo o azul imaginado nos meus devaneios...
Gosto do silêncio......mas o som das palavras....
....falta-me....
Impossível a solidão..nesta casa povoada por fantasmas !
Não me metem medo nem os fantasmas das recordações...
.....nem a solidão,,que apenas imagino..
São coisas boas como o perfume dos lençóis de linho...
,,.lavados pelo sol...
com o perfume da imensa ternura ....que me abraça...
Tudo aqui me ama e me torna ainda mais frágil....
Digo mal deste corpo que se recusa a correr pelos pinhais
e a nadar na fraga.....
Pago o preço de ter crescido e ser já não ser menina e moça
de pé ligeiro e cabeça louca ......
Penso que tudo na vida tem um preço..
Então agradeço poder aceitar ....
...este meu preço com tanta clareza.....
E escrevo.....