quinta-feira, 20 de abril de 2017

MANHÃ DO ANOITECER

Manhã do anoitecer
exaltas a minha pele
...de porcelana
os meus olhos de maresia
minha boca de sereia
meus cabelos de rapariga
amanheces á beira da noite
poeta das manhãs claras
das palavras de cristal
.......transformas.........
..... a minha noite em dia...
o meu dia em arraial........
dás-me o teu amor inventado
trazes as palavras da foz
e das margens do rio
..................trazes os nós
e um eu plural............
........e a corça bebe .........
água com sal........
entre ela e nós todos somos animal...

ILHA DE MIM

ILHA DE MIM
Ilha de mim
sabias-me a água
nuvem solta de mar
ilha de nevoeiro
ilha de mim
aprendi a procurar-te
quando em mar alto te chamava
ainda me não conhecia
presa entre a alma e o fumo
cega de olhares e de carinhos
apenas olhava
corria entre os ninhos dos peixes
vestida de algas
sentia ás vezes as coxas molhadas de sal
era a ti que procurava farol
um olhar sobranceiro ás tempestades
olhos de luz
pesei o fumo e a alma por ti
quase sem peso o meu anseio
.....porque era nevoeiro
Mito de ondinas
caminho de barcos sem ancora
armados cavaleiros contigo navegaram
em ti encontrei a sombra leve do meu corpo
leve como o ar ....breve como espuma.....
sou nevoeiro e no mar no meio da neblina
sem género procuro ao largo a tua luz
e sigo no rastro da tua espada fina
e se te escondo é porque existo
peso agora mais que o ar....
deixei de ser mito das ondinas
e subo mais e mais alto voando num sobressalto
mas sei-te lá no meio do mar bem a prumo
em me perdendo sei onde moras...pronto sem tempo sem horas
será em ti farol que acharei sempre rota e rumo.....
apesar de ser menos que o ar....sou apenas fumo...
Margarida Cimbolini.

(arte RUI LOIO)

NESTE TEMPO


 


neste tempo

neste tempo de mim
fragmento alvoraçado
de um tempo seco e duro
por demais fragmentado
procuro no meu povo um clarim
vejo o meu povo cansado
eu menos que um jasmim
de alma eirada e louca
nunca atentei assim
nos olhos deste povo
nas manchas negras
deste Portugal tão maltratado
do mundo cidadã aberta
casada com o mar
ilha sem barreiras
vejo um mar de navegantes
sem naus,sem castelos sem ameias
é de novo Abril
é alerta de novo
largai velas e candeeias
velejai com verdade e rumo
sem foices sem mágoas
sem saudades doentias
Quero ver este povo erguido
e para tanto levanto a voz
rasgo o que mim há de mais sentido
e grito
PORTUGAL ESTÁ FERO E VIVO

margarida cimbolini

LOBA

Loba
eu sou filha de uma loba
e estou prenhe de um regato
vivo detrás do tempo
a minha rosa é o cacto
Vem comigo pastorinho
agarra a minha mão
vês como é bom guardar gado
e ter na vida um irmão
e haver erva nos pastos
e ver.mos os dois a lua
eu desaguo meu regato
com a minha mão na tua...
e naquela árvore antigagravados foram sentidos
anda comigo pastor
à minha beira sentir...
...é com nascer de novo

Leva um cravo na lapela
e um sonho uma visão
hás.de ser tu caravela
e hei.de eu ser gavião
Vem comigo meu pastor
há- de haver erva no prado
e nosso sentir é irmão
mas cuidado meu pastor
agarra bem minha mão.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Eu
A esta mão ardilosa
que de mim sai
posso atribuir
todos os meus erros
Ensaio ainda
de mim para mim
a resolução da mentira
pode a mente ser infinitamente poderosa
No cansaço onde se afunila a alma
Casulo do tempo
As pessoas caminham
em grandes gestos
sugam o ar em haustos...
provocam holocaustos
Fundem .se ódios e amores
as lágrimas são quase reais
é fácil perturbar a lucidez
difícil sublima.la
sem perturbar o corpo....sem..
impedir o cansaço
A senilidade espreita
roça o flanco do homem
aguça a língua do gato
ruge como o Leão
é astuta como a mulher
.Humano é Humano.
A beleza ...o amor e a poesia
suavemente expulsa.nos de nós
e experimenta.mos essa humanidade.
Experimenta.mos essa clareza.
E o coração rejubila...
arte Jose Luis Mendes
Caminho
Quinta da Regaleira
Sintra

DESENCANTO

Desencanto
Passei hoje no nosso sonho

Passei como quem voa
Como quem não quer. 

Ouvi os cucos muito longe

Havia vento estava frio

Sabes já é Primavera! 

Senti desencanto..
Um terno desencanto! 

No mar não havia estrelas..

E nas minhas mãos abertas faltavam as tuas

Desertas estavam as ruas
E as amendoeiras brancas mas nuas
Pediram Sol..
..
As minhas historias morriam com falta de beijos
Acariciei algumas! e calçei o sapatinho de cristal..

Voei um pouco na nossa nuvem.... carregava lágrimas de chuva! 

Adensei -me na terra..solta e leve.... gemia por semente..

Desencanto meu amor.!

Trouxe desencanto e deixei Amor! 

Espero -te florida..

No flanco do sonho...na espuma da tarde..na aresta da noite vou florir....
só para ti
vou pela escrita
pensando -te
como se foras meu
evito as sombras
pressinto os atalhos
mas não os quero
Nunca irei até ti
porque te guardo
no sabor dos teus beijos
no timbre da tua voz
mando embora as palavras
Não me reconheces.te...

GOSTO DE TI

gosto de ti
num gostar mansinho
feito labareda

corro para ti
parada e quieta

num fogo posto

tu muro e eu hera

quero o teu abraço
o teu beijo
o teu laço
a tua voz meu amor
o teu doce trato

és meu e eu sou tua
como o luar é da lua

pensas em mim
que eu sei
sei porque sei
porque vidas vivi
caminhos ...tantos que andei

E são raras candeias acesas....
os beijos que me deste
os beijos que te dei

São ouro ...cearas sementes...
pingentes ...cristais si-lentes...
são amarras quentes...
que roçaram em nós
simples gentes..

como deuses ..como Reis..

antigos afagos loucos e prementes.

bocas corpos que exigem mais...

Beijos de alma são presentes...

Lumes que a vida traz...
São cascatas são correntes
que vem do fundo do mar
São terra arada e ardente
que pede àgua e semente....
Chagas sempre a sangrar

Gosto de ti
e esses beijos...deixa que voem..
entre nós criam raízes...
são fecundos ...vidas ..flores ..perfumes.. risos...
que tombaram num repente
....
E nós simples gentes não soubemos prender 
nem guardar...eles voam .....mas hão de voltar.....

pele

Agarro-me-me à pele com força
e aconchego.me nela.
Dentro estou só eu
de gengivas nuas
mastiguei os dentes
que agora estalam
Invejo os dentes de leite
e os favos de mel
Sou ..lamparina de azeite
à sombra de uma oliveira
Vim aqui para a sombra dela
queria sair de pele
numa fuga paralela
Não
não podes
gritam os dentes
A alma já esperneia
não me quer nesta peleia
Rosas me crescem nas mãos
não doces mas espinhosas.
Quem nasceu na minha pele
tem de morrer primeiro
só depois sairá dela
E assim me fico à espera..
lamparina sem azeite
muito débil e singela

o sol sim

0 sol ....sim..

acordar agarrada a ti
encher.te a boca de beijos

os meus olhos nos teus olhos
os teus olhos de desejos

as tuas mãos nos meus seios

o sol sim
os seus raios em entremeios
o seu calor entre os corpos
em sussurro ......devaneios
o Sol sim
o sol amante primeiro
mas não em palavras cruas...

Na memória dos teus gestos
silêncios breves e lestos...
entre palavras de amor

e o Sol sim
o Sol no cheiro de mim
o Sol em iluminuras
o Sol nas paredes nuas
O sol em altar de lençóis
O Sol a cobrir o tempo
O Sol brisa de calor
a afagar o momento
bruxuleante de amor

Sim ...este Sol eu quero ..sim
Margarida Cimbolini

segunda-feira, 10 de abril de 2017

FUI

Fui
... como se não
fosse......
Tinha fome de ti..!
Como um soluço sufocado !
Uma escultura sem cinzel...
Virgem sem pecado...
Corri,.comi....ali... bem trincados os teus poemas...
Vivos de amor e de magia..
Meu poeta das janelas abertas..
das portadas sem portas....
Das veias sangrando desertas!
Meu poeta amor !
Poeta saudade !
Meu verso.. minha tela...minha cor.
Minha poesia sem idade..
Minha insanidade ...tão lucida
tão clara......
que meu seio te servia de sustento...
Que meu corpo era para ti infinidade
da minha vulva bebias o fermento....
...enquanto teu sêmen me corria corpo dentro ...
amantes da nossa eternidade...
Fugia de nós o tempo !!!
Um segundo era saudade...
A vida era lá fora...
Dentro estava a nossa aurora....
a ternura libida .... telúrica de terna castidade ..a arder....
dias.....noite fora.....
Pois muito vasta era a dimensão da hora...
E sem hora era a poesia sendo nós a nossa unica verdade..

quinta-feira, 6 de abril de 2017

APASSIONATA

Apassionata
Sinfonia
Harmonia
De todas a mais bela
A paixão
De Cristo um homem só
Uma doce plenitude
Abraço de um coração
Vem lucidez
Vem Reflexão
Vem magia
Vem paixão
Delicada sinfonia
Vive e cresce no meu coração..
Margarida Cimbolini

quarta-feira, 5 de abril de 2017

AS TREGUAS

o desassossego seria menor
não
tréguas antes da batalha
cicatrizes antes da carne rasgada
angústias em papel
papel de aço
ferem como espadas
violam os sentidos
não se pode cortar a vida
ela correrá sempre
com os dias com os seus tempos
apagar chamas com o mar
retalha o pensamento..
Margarida Cimbolini

FARRAPOS

farraPOS
es
tereotip
ados farrapos
são
por vezes
os mEus
versos
mas virem-nos
do
aveSSO
ATENtem
bem
no
reVERSO
HÃO-DE VER
ALma aflita
proCUrando seu lugar
PerDIDO no UniVERSO

O SOM

o som
por todo o lado ouço este som surdo
é o ar reunindo-se compacto
é o ar de todo o espaço
que ressoa em mim
como sendo eu também um pedaço
e aligeirando este tom de fracasso
com que me visto e mascaro
para poder andar pela casa assim
sou ás vezes apenas um escarno
outras flor de alecrim
remoo este escarno que há em mim
ando de cama pr,a cama como quem se ama
e durmo até o sono ter fim
e o som está lá surdo e silente
como o som de quem soa eternamente
e se goza de mim
sei que está lá sempre ...mas não o suporto....
não quero ouvi-lo assim
não vale o meu querer...por baixo do som
de qualquer som ...está este som
quer qualquer coisa de mim
amanhã......amanhã sim......
irei ouvir o som do tempo...da rua ,,da bruma...
mas hoje,,,agora.....como calar...
.................este sussurro cada vez mais alto...
mal de mim que me desfalco...
não ..... eu agarro este som e danço ...
com ele ......mordo e arranco -o....de mim
...........................e dançaremos....os dois
.......................num palco....

CERCAS

Cercas
Acerco -me da vida
....e tremo
Tanta gente perdida. !
Tanta arrogância e apego!
Tanto carneiro desgarrado!
Tanto beco estreito!
Tanto homem esfarrapado!
E eu com a pele tão fina
Tão longe ainda.......
E tudo cercado...!
E eu apenas libelinha...volteando na luz !
Encandeada...tonta ..agitada....
Nascida já do,, pecado,,..
Receio e tremo...
Sou como aquela avezinha....mal voa e já quer voo picado..
Então abro asas e voo na escuridão porque conheço a luz..
E tenho um anjo amado
Que quando caio me levanta com amor
com cuidado
Mesmo assim não sei se agradeço .. ou se escarneço
......é muito tudo o que me é dado!
Mas padeço....

ATENÇÃO

Atenção
Cuidado com o menino que chora..
E com o velho que mente !
Cuidado na curva
É esta a hora de ser gente !
Cuidado na foz !
Cuidado no Sol Poente !
Muita gente chora.
A miséria está rente !
E passa o tempo
mas...
já não lentamente...
Passa hoje a correr mas pesado.. duro .. silente.
Grita o povo e gritam todos !
Liberdade grita toda a gente
Mas onde ? Quando ? com quem ?como..?
A miséria cresce...
A fome alastra..
E quem grita ..cala..consente !
Vai ao football...esconde..come...bebe.contente..
...escolhe...egoista e impenitente !
Cuidado..atenção !
Morre todos os dias milhares de gente !
Sem àgua sem pão ..
à mingua....
Pela calada docemente.....
E celebra.se o dia a canção o homem ...sómente. ?
Quem fez historia não a faz eternamente.
.Cuidado..atenção é
urgente..estar vivo ....agora é urgente..

prosa poética SEM SOL

Sem Sol....
Começa a escurecer....começa o dia...tenho sede..e estou um pouco triste... mas estou conformada. Que fazer ! é tarde...
Agora só amanhã é dia de novo e a noite inteirinha tende á minha frente a sua massa folhada. Faria pasteis de batata doce,,,mas não sei..e andar de bicicleta .....!!!??? com o vento nos cabelos e as estrelas debaixo do braço.....aposto que havia de encontrar um cantinho com Sol se a bicicleta tivesse asas ...voaria atrás do rasto do Sol do amanhecer.....mas não tenho bicicleta...nem asas..
Estou sem asas....perdias outro dia ....um dia em que ainda era manhã....perdi as asas por uns dias mas sinto-as dentro de mim a rasgar-me a carne a querer sair de novo a sonhar com o vento e com a vida .É uma questão de tempo....é sempre uma questão de tempo. Estas minhas asas têm penas cor de tempo e encolhem ao menor vendaval ....vivo no País Das Maravilhas.....e as maravilhas tendem a desaparecer é como a massa folhada da noite.....encolhe muito....para a esticar tenho de ter o Sol dentro ..vou chamar os cucos...
Amanhã hei-de ver o Sol...ao contrario do que digo penso que o Sol me faz falta.....não que goste muito da sua luz crua e forte a pressionar-me os olhos a aquecer-me o corpo por fora....fico até arrepiada quando penso no Sol em demasia..... a cobrar-me vida..
....a restolhar na minha pele.. ....o meu corpo tem calor próprio e luz..sou feita de carne e o sangue corre-me forte nas veias,,,,
A cabeça precisa de Sol..essa sim ! e de mar e de calor .....os dedos precisam de areia....os pés precisam de pisar a terra nus a respirar energia....precisam de sentir....
Tinha de descambar no amor.... preciso de respirar o amor do dia....preciso das caricias da tarde....do frescor da manhã dos cheiro das flores...das palavras das gentes ...da luz da tardinha...aquela luz da minha cidade só por ela ...amanhã vou ver o Sol.
E as asas...essas sinto as ainda mais....despontam de novo...tem penas novas.....são tão teimosas estas minhas asas !
Não preciso da bicicleta ....vou voar outra vez....

ouço

Ouço as bocas do mundo a chamar por mim...........................................ana maria
são os vulcões da terra a arder
lava incandescente corre no meu corpo
e deixa sulcos compridos onde escorrego
Nada depende de mim
sou só ilusão
As bocas da terra falam
como a pedir - me silêncio
e dão.me a beber do seu suor das suas lágrimas em torrentes de amor
Encandeia a sua luz
.....oníricas memórias ..
nelas mergulho
sem medo
sei que voltarei
ainda mais branca
ainda mais frágil
ainda mais aberta
porque um poeta me tocou
Era ele o vulcão
E a lava sangue
,..... das suas veias !
Não secam as veias do poeta
quando as palavras correm assim desabridas..
E assim nasceu a poesia
cria de versos surdos
rebento de almas sem voz
que chamando o vento..
galgando eras .
..
lhe ordenaram que escrevesse...
E o vento uivando de dor e de alegria..
pariu um poema

LOGO

Será a poesia a adoçar o mundo ......................... LOGO
Quando o ciclone de vento começar
....
Será o tempo de Siracusa
....
Será a terra caos e ignorância total...
E de um só livro sairão todas as letras....
Cada letra um som cada conto uma pauta...
Lúbricos..líricos mesureiros  serão os homens .
E as mulheres pilares .
...
O único amor será esse que corre no cordão umbilical
Mas as crianças hão de ser poucas
Reis da criação sem historia
Toda a doçura irá morrendo devagar...
.....
As virgens vão ser luto pois trazem o unico sexo do mundo ! ....
....
Adejando entre eunucos loucos e
desabridos como poetas castrados
Vão sofrer e sangrar no leito da poesia
....
Mirantes muito altos serão proibidos
Queimadas as fotografias.
......
E é para isto que estás a guardar.te de viver agora.
......
Estúpida creatura a quem chamam humano...!

terça-feira, 4 de abril de 2017

PROCISSÃO

Procissão
Lá vai a procissão..
a correr Lisboa inteira
Portugal leva o andor...!
O povo leva a bandeira!
Brilham os olhos do meu país..
Chovem lagrimas e são brilhantes...
Quem guarda os
..... diamantes...?
O povo ri.. o povo chora..
Não sabe o povo o que o arrasa...
nem onde mora..
Onde irá a procissão. ?
Qual será o seu destino......
....se quem a leva pela mão....
leva a mentira e o bordão
...e cego não vê caminho!
Mas não se arreia o andor...
nem a bandeira se enrola
cantam e choram amor
os olhos de quem namora...
A paz demora a chegar
e a procissão vai no adro !
Avente -se o seu andar..levante -se este altar...o santeiro não sabe amar.
,se procissão não parar.
,,, ,meu santo está arrasado......
..
Margarida Cimbolini

vezes

Às vezes acordo
barco encalhado
navio sem rumo
e tropeço na maré
cabeça perdida
perdida no sono
Acordo sem vida
olho nas horas
é sempre cedo
e já é noite..
Pra onde irei
já é tarde
mas que pena
fico
o Sol foi-se
escrevo um poema
espero a lua
acordo de novo
já é noite..
.......não sei...

ENTRE CORPOS

entre corpos
nem
com o teu corpo
fiquei
não pensei nisso
era o teu corpo o meu corpo
mas tenho ainda nos lábios
aquele sabor a mosto
dos campos de Alcácer Quibir
aquele gosto de que gosto
e que sabia ao teu corpo
quando o teu corpo não estava morto
e não tínhamos nenhum corpo
apenas o gosto a mosto
tínhamos laranjas
laranjeiras a perder de vista
foi em Espanha
o nosso corpo era tão nosso !
onde estão os nossos corpos ?
fiquei com o meu
mas quero despi-lo
tira-lo de mim
nem a dor me faz medo
quero outro corpo
e hei-de tê-lo.......
para que os nossos corpos
sejam de novo o teu corpo...
e os dois tenhamos de novo corpos...

não



não
não quero
. pensar nisso
arejei por dentro
liberta
chorei e ri
tantos eus.
tantos tus
tantos céus
tantas mães
a chamar
pelos réus
levantei o dedo
e foi assim
que por mim
fui não...

jasmin

Quem come o mel da minha boca
e fala o meu pensamento
antes de mim
És tu jasmim ?
Beijas os meus olhos
Olhas por mim
Que vês jasmim ?
A tua àgua é minha sede
O teu pão a minha fome
Sejas só flor...
.....por mim.....