sábado, 21 de julho de 2018

DUAS SOMBRAS E UM BOSQUE

,Duas sombras e um bosque,,
e um cheirinho a azevinho
e é com ele que te enlaço
com letras e com palavras
com esta ternura sózinha
ás vezes correndo nas ruas
remoendo ladaínhas
tanto tempo escrevendo luar
e no pudor de estar nua
de te ti me escondo me afasto
num repenso de corar
a ternura nas palavras rola
rõta na boca de amantes castrados
rôta nas letras que escrevem solidão
rola nos bosques sem letras
perdidos nas sombras
beijam-se as letras descuidadas
verdes nas ondas do mar
breves como a vida das aves
soando como guinchos agudos e frios
sem ternura
duas sombras e um bosque
as letras e as palavras
e o poeta vem....com um arco
vem caçar borboletas

UM SÓ

Um só
Se calhar somos os dois...
a mesma pessoa
Deslizamos um sobre o outro
...tal como as portas deslizam nos gonzos
mas em silêncio
Não falamos
Tu pareces adormecido e
talvez assolado por pesadelos ..gemes
Só há um caminho..
Vou afundarme em ti

uma figura alada e em chamas entra..sorrateira
Serei eu ? serás tu ?
Na tua escondida solidão foges de mim
Celebras constantemente a morte ..
...não vês que ela te persegue.
Hei de libertar.te de ti
Historia ..passado ou pensamento algum.
...pode evitar a vida...
Pois tudo é vida..
Abre os olhos e vê
Eu escrevo por nós...
como tu escreverias...
se conseguisses acreditar na alma..

domingo, 15 de julho de 2018

BOCA DE BEIJOS

Com a boca cheia de beijos
salto a janela e vou dá-los aos nenufares que boiam nos lagos Esta pele que não é minha
faço dela papeis soltos
que entrego à brisa para bandeiras nos arraais ..
Aguardo ...
toda a vida aguardei
Em criança louca e inocente
aguardava correndo nos pinhais...
Em jovem receosa aguardava!
Já aguardei triste e cansada...
E depois querendo sempre mais !
Tanto busquei que quase lá ficava...
Aguardei com muita sede !
E agora como a vida á dentada....
Depois de conhecer de experimentar de ver
Perdi-me na estrada..
Errei por aí !
Vivi ! Vivi e vivi...
Toda a vida que agarrava !
Agora aguardo parada fluindo! sem lutas..atenta á estrada...
Mas aguardo sempre e sempre hei - de aguardar !
Pois não nasci !? gritando...
Então que a morte me apanhe sorrindo !
ou que a vida me torne creatura alada !
Margarida Cimbolini

sexta-feira, 13 de julho de 2018

VIVÊNCIAS

POEMAS PUBLICADOS NO LIVRO A 7-JULHO-2018

ALINHAVOS DO TEMPO-

QUERES VER
CORPOS DE EROS
ORIGAMI
ESPIRAL DE RIMAS
PRESSÁGIOS
GAIVOTA PERDIDA
SUSPIROS ATURDIDOS
PESCADOR
BEIJOS
DESEJOS
ESCADA DA VIDA
TANGO SINGULAR

DELIRIOS DA MADRUGADA

FADAS
VOANDO NO RASTRO DO CHÃO
ANDORINHA
VAI
AS PALAVRAS DAS CANÇÕES
VAGABUNDOS DO AR

O SENHOR DOS CÉUS DO NORTE
DENTRO DA GENTE
EU SEI
MIL MÃOS
VELADA

POESIAS DA TERRA

A DANÇA DOS SENTIDOS
ESFINGES
TAMBORES
É
TERRA DE MIM
GENTES
SONHO
NEGRO
SENHORA DOS LOBOS
ALMA DE XAMÃ
ESPIRITO SAGRADO
VOZES DO VENTO

VIVÊNCIAS

DESENCANTO
ONTEM FUI UM PÁSSARO
MANDA EMBORA AS ROSAS
SUSPIRIOS
VIDA
MANSAS AGUAS
MALDITA POESIA
RAIAR
DESEJO
ANCORA
SEGREDOS
O AMOR
IR
O XAILE
NAS MINHAS MÃOS
SOU
PERDIDAS
A SAUDADE BATEU
A MALA~
DESPERTAR
SABIA
SONHOS
MARULHOS
NÃO FAÇAS NASCER A MADRUGADA
CINZAS E BRASAS
REEIVENTO A ALMA
ONDE
NÓS MEU AMOR
BREVE
SAÍ
RECEIO
SILÊNCIOS
BEIJO-TE
FOI HOJE
A POESIA
NO MEIO DOS IMPOSSIVEIS
ONDE COMEÇO
NAQUELE TEMPO
ESVENTRADA
GANAS
CHORO
COMO TE AMO
FUJO
BEIJOS
EU DE MIM
GOSTO DE TI
PUTA
BOTÕES DE CARNE
DEUS BRANCO
ADEUS BRISA
LISBOA
SEARAS DE ESPINHOS
SENHORA DO TEJO

quinta-feira, 12 de julho de 2018

TU CAMÕES

TU Camões
em ti meu amor medito
de ti me pergunto mais
onde estará esse escrito
que fala da tua historia
não os escritos do mundo
mas os da tua memória
busco -te e não te encontro
trovas mil e mil imagens
entre Pedro e sobre Inês.
e tantas onde cantaste
em trovas de amor e prosa
mas é a ti ,,ser,,que eu quero
a ti mesmo sem glória
homem de vida e amor
libertino sem freio nem medida
meu poeta trovador
que tenho dentro de mim
de exacerbada dor
exaltados os sentidos
ao mais que pode o amor
ser mãos ser boca e ouvidos
toda a tua poesia
essa ânsia mal contida
foi a ela que senti
e tu lhe deste o nome
o nome primeiro que vi
procuro-te nas barcas nos céus
nas simples flores do monte
nas belas mulheres sem véus
que nuas levas á fonte
e banhas no teu carinho
vem encostar no meu ombro
essa fronte tão formosa
quero cantar-te todo o dia
e no teu dia poeta deixa-me ser tua rosa..
Margarida Cimbolini
10-6-2018-dia de Camões

AMOR AMIZADE

Amor ,,,,Amizade
Vejas bem
é assim grande e pequeno
este oceano sereno
que te separa de mim
o amor e a amizade
são assim.....
//
Os teus beijos de cetim
meu amor.... a subir lentos por mim
são mil palhetas de luar brilhantes...
//
Queres ser meu amigo assim ?
meu amor meu amigo também
um amor uma amizade maior..... que o mais longe
mais longe que além.....
além da terra dos campos dos mares...
//
Refúgios do verso que beija sereno a tarde
abrindo uma cicatriz que ainda arde
Eu te ergo acima de amor ....de amigo...de paixão !
Desta inquietude que me tira a serenidade
seja talvez finito o amor mas é imortal esta amizade ....
//
De ti meu amigo........ de um amor imenso
vou guardar pra sempre uma grande saudade...
Margarida Cimbolini
4 julho de 2015
feito para a tertúlia da amizade
Mar d'artes
dedicado Fillipe Cimbolini.
(que já não esta entre nós

SONO

sono
beijar-te-ei os olhos quando dormires
ao meu lado
beijar-te-ei o sexo quando acordares 
ao meu lado
só no sono seremos cúmplices
morderei os teus lábios
até que me tinjas os mamilos
de sangue
e nos gonzos gemerão as portas
quando o meu gemido ecoar
seremos finalmente um

AMOR

Amor
sim meu amor
teus longos lagos verdes desapareceram
mas eu não !
Eu fiquei com tudo em dobro ! 
As algas falam do ti...
..o mar que tu eras..é mar...
e nele me afundo...visse eu de mim...
como em manhãs claras dele vejo o fundo !
.Lagos verdes eram teus olhos !
Agora o mar acaricia-me mais...
feito amante cioso e fecundo !
Ele sabe de mim....
E quer'me na maré..no vazar das vagas...
Sozinha escrava das ondas !
Sem ti meu amor eu sou só mais alguém no mundo...
Quem me dera..
Quem nos dera meu amor...só mais um segundo !
Margarida Cimbolini

MAR

Mar....
Prenhe de sal
útero da minha vida
gaivota solta no vento
Minha alma de maresia
Na hora em que o Sol se põe
mar de chuva..... névoa perdida...
Mar pescador.... tua cor de azul...
sonho bordado de rapariga....
Mar meu doce amante
meu furacão
real ilusão
venho pedir-te guarida .....
Guarda o verde verso do meu canto !
...guarda num recanto este encanto...
..........esta magia...
Meu louco mar meu pensamento...
minha nostalgia....
.....guarda estas águas do meu pranto...
esta força... esta frágil poesia.....

ESCREVER



Escrever
os longos olhos deste pensamento
a lonjura de uma alma só ..
escrever o duro brilho do sol
essa carícia que queima
que consome como fogo
que aquece o corpo gelado..
o corpo de gaivota sem lei
e sem alma
acossada pelo luar..
Vieste do mar
onde como ser
foste alga em flor ...
Escrever 
até há exaustão!
desfazendo marés!
Romper o luar !
lambento o sal na areia ..
Escrever ave em corpo de mulher !
Sangue vazado no mar....
Escrever...no voo do tempo !
sempre inacabado....
No cimo desta maré escrever..
até que o traço magoado do vento....
grite e faça sentido.

MARÉ


maré serena pés de açucena ...
Serei tempo num tempo que não sei...
coisa exilada do paraíso...
sombra do meu próprio sorriso ..
Mas cão açaimado não !
Sou albatroz perdido...
com restos de emoção....
Apanho os pedaços caídos !
Das rugas faço postigos...
Cão açaimado não...
!
Margarida Cimbolini

DESCALÇA

Descalça
chinelos de maresia lá vai Maria
leva na mão peixes verdes
leva amor e pranto
leva asas de iemanjá
na reza do orixá
filha de santo
saltita na fímbria do manto
num sulco da areia..num canto
Maria a praia o luar ...o ecanto !
tudo o que o Universo faz..
e no encalço vai a saudade..
de um poema
que marca na pele um beijo
que corre na coxa em desejo !
Vem Maria !
descalça é tua vida..
Vem cumprir teu dia..
serás pra sempre maresia !
Margarida Cimbolini

ANJOS

anjos
nesse quase lugar onde vivi
veio um anjo a julgar os deuses
pois aí habitavam deuses
o mal e o bem não se misturam
mas coabitam
o anjo mais belo era muito belo
claro e luminoso como só um anjo é
o outro belo também escuro mas brilhante
de pequenos olhos negros acutilantes
e sem asas esguio quase escorregadio
os dois em silêncio falavam
suas bocas ofegavam
cheirava a madres-silvas e a canela
o ar limpo e rarefeito era sorvido por todos
em grandes haustos ....fora antes água
e tudo se movia como debaixo de água
de água fora o mundo antes de o ser
de agua fui nascer
tombada no chão uma cruz
... exibia um som manso e calado
persistia...
fiquei inquieta quem me julgaria a mim
......naquele lugar de deuses..........
nesse lugar onde quase vivi ..ponte estreita
..que não atravessei....
escutei um sussurro qualquer um som baixo ,melodia...
melodia onde me queria e fui nota... solfejo....dó sustenido
e contrafeito......fui...num ir rápido e sereno.......
quando.... vou mais longe que eu ...cheira sempre a madressilva,
e a canela e eu fico á espera do sussurro....
Margarida Cimbolini

ASSIM

Assim....
assim como um barco....
um barco pequeno a remos
onde não seja preciso remar !
as coisas são assim ...
vão e voltam ...vão e revoltam.....
revolvem as areias no deserto
revolvem as pedras na enseada...
A corrente está lá sempre ...no mar..na vida...
visível ou invisível pode prender-nos com algemas..
ou soltar-nos...levar-nos sem esforço....
assim como um barco.....
um pequeno barco a remos..
onde não seja preciso remar......
Solto-me neste corpo de espuma......
na caricia da corrente...... no mar....
Tudo em mim vive e lateja.....
as veias borbulham de sangue....
.....tudo corre e se reencontra....no amor..!
tudo se aquieta na enorme doçura do ser......
É assim sempre foi assim e sempre há-de ser....
.....voltar na corrente...revoltar na corrente....
assim como um barco ,,,um pequeno barco a remos..
onde não seja preciso remar......

ESTE MUNDO

Este mundo
este mundo onde estou...onde nasci
não é meu nem eu sou dele
não sei porque estou aqui
de nada me lembro e nada sei
Mas há outros mundos longe e outros perto..
há mundos com sóis e com lagos...
.....onde a água brota do chão.....
e liríos azuis e lilases.....
Caudas de cometas pendem do ar....
e areias de enormes praias.....
..... alimentam peixes que riem e soluçam
,,,,,porque teêm frio.....
Ás vezes não durmo para não sonhar.....
percorro esses mundos onde nada é parecido com nada...
Onde não há barreiras que os Oceanos não cruzem ..
e todos vogam entre os Oceanos e os céus....
Poiso nas nuvens....nas selvas e nas florestas...
... onde os pinheiros bravos perdem as agulhas.....
Trago musgos e líquenes dos mares mas perco tudo...
Esses também não são os meus mundos apenas sítios onde passo e sonho e me sinto bem..
Pressinto o meu mundo muito perto e sei que nele vou pernoitar um dia......
Temo esse meu mundo onde sem identidade serei uma bolha de amor....o terrível amor que vai separar-me de mim!
Como nada posso fazer temo e amo procurando nas palavras
a única coisa que realmente me importa ....o sentido da vida !