São resteas de sombras
Vagueando noite dentro
nessas avenidas escarlartes
Morrem os ciprestes
Que fazer...
Moribundas sombras se enovelam
agitando ramos prenhes de flor
Amor lancinante azedume
inspirado mesmo assim nos miseráveis
miseráveis ódios e
invejas
miseráveis pequenas mentes
lábios vermelhos de dor
repintados de baton
corpos cansados de sofrer ..mentindo
Inconsciência total
miséria
profunda e atroz miséria que dói ..
que escorre e se entranha..
nas tranças de Julieta
no caixão de Inês
nas mãos de Dulcineia
No chão lamacento de merda
tomba a miséria só ela é totalmente miserável
A miséria bebe café!
Come postas de sangue grelhadas
E passa todo o tempo engolfada
atulhada de miseráveis historias
Entretanto as sombras recolhem.se de vergonha
E os ciprestes morrem
Margarida Cimbolini
