quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Cavei

Cavei
Cavei a minha poesia
Com as mãos
Enterrei os dedos na terra
Feri as raízes
Desfiz os torrões
Vítimas dos meus gestos
As unhas minhas aliadas
Alienadas por mim
Cavaram como enchadas
Nas candeias dos meus olhos
Floresceram olheiras
Porque era noite
Perdi muitos dias
Fugiu de mim o tempo
Ergueram -se muros
Há volta dos montes
Só para me prenderem
Tudo para encontrar os jarros do campo..
Agora deixai -me cheira -los !
Margarida Cimbolini