quinta-feira, 24 de maio de 2018

AS NÃO PALAVRAS

As não palavras
Surgem incompletas
Há pudor em as
dizer
Fogem da boca
Enrrolam-se na língua
São poucas as palavras
quando se tem a alma pra dizer
Há espaços...criam'
se hiatos
A alma soluça e não fala
Perdem-se as palavras
"ficam os sons em
monossílabos
quase mudos
nada se diz....
não chegam as palavras..
......quando se ama.

BOTÕES DE CARNE

BOTÕES DE CARNE
Botões de carne
aqueles que depois de abertos
não voltam a fechar....
No principio era o verbo
e as casas dos botões estreitas e misteriosas
floridas em veias de espuma...
......tornam-se largas e bambas!
Era a paixão nunca obscena
do amor experimentado
Única a primeira vez que se abriram
os botões da carne...
Botões de prazer,grutas apenas despertas
e logo navegando no orgasmo
Cascatas de músicas escorridas nas bocas
......caídas dos sexos.
Golfos de paixão sem ciume
na excitante infidelidade das bocas plurais
seduzidas sem limites n,outras bocas...
Botões de carne admiráveis..rosados....
...... duros como aço
rolando nos amoráveis dedos da volúpia
Botões de carne desabrochados uma vez..
........................................violados para sempre..
Margarida Cimbolini

CHOVE

chove
chuvas de Maio.
silêncios sonantes
escuridão de que provenho
sentidos despertos
singular proveta invisível
de alquímicos sons
os sons de nós
os nossos laços ...agora nós
agora amarras cordas de sangue
algas que enredam em nostalgia
enredam os ossos enredam as vidas
são agora plurais ambíguos
mãos calosas e duras
sequelas de outras mãos
e o corpo a palpitar..gritando desejo
apenas recorda frágeis memórias
acreditando na noite...
Margarida Cimbolini

LIMIAR

Limiar
Com o avançar da vida
as imagens vão ficando desfocadas.....
Só as memórias ficam.
Umas nítidas e reais.
Outras falsas nimbadas de fantasia !
O tempo louco e perfeito tudo muda ..tudo baralha e encaminha com a sua longa e febril mão retomando sempre a vida !
Lembro -me bem daquela mulher era uma guerreira ! como guerreiras eram todas as mulheres n,outro tempo !
Antes as mulheres eram guerreiras imensas ....tinham o dever de parir !
dando à luz constantemente e desde muito novas nas piores condições !
Eram mães feiticeiras amantes e até bruxas quando mais clarividentes !
Dentro de cada mulher está o lugar para a semente da vida ! uma semente que sairá entre sangue ..suor e lágrimas ...
Só a dor nas almas cabe a fundo ! e se és mulher e mãe este é o teu segredo !
Lembro-me de ti...lembro - me de mim..!
e venho contar -te este segredo....
Só porque és mulher ...amo - te !
Margarida Cimbolini

FUNDO

Fundo
Dentro de mim batem asas todas as borboletas do infinito....
e as palavras brotam...surgem luminosas..humildes ..gentis..
Pedem que as escreva querem vida e calor...
Porque lhes resisto ?
Porque se negam os meus dedos a escrevê-las...
e os sentidos a senti~las ?
Porque não as abraça a alma e não as torna suas ?
Ver a dor das gentes tornou-as mentirosas !
Ver a fome que grassa entre elas e que a dor o sofrimento
e a agonia fazem entre elas o seu ninho gritam que as não creia.
A alma intacta gesticula e geme !
Mas as palavras não sabem defini-la.....
Então para que as quero ? para que me servem ?
Prestam pouco !
enganam os poetas e enchem as virgens de estranhas vergonhas....
Rasgo as de mim .....ouço os olhos das crianças que nunca brincaram...
e a angústia dos que não ouvem alma e tremo !
para quê escrevê-las se dizem mentiras ....
Rogo a mim própria com estas palavras que me atraiçoam o dom da escrita !
As palavras sufocam e não cabem em mim...

quarta-feira, 9 de maio de 2018

O dia mais longo

Dia longo
dia de linho
e de alecrim
Dia de mim..
marionete de cetim !
Olhos vendados
na longa tarde..
Tarde tão tarde ...
no luar da noite ...
com cheiro a jasmin !
Amor tamanho !
Milagre estranho..
....ser humano.....
vezes sem conta..!
Sempre até ao fim....
Uma flor esquiva !
Um cato ..uma rosa..
...uma ortiga !
Nasci de nome ..Margarida !

Margarida Cimbolini