sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

CEÚ ABERTO

Céu aberto
Há um buraco no céu
e dele tombam diamantes
São meus dias
são meus anos
são beijos de dois amantes
são contas do meu rosário
são mágoas do meu amor
são asas de andorinhas
são os vôos de um condor
Há um buraco no céu e dele tombam rosas brancas
são neves e rios e
mares
são contos de marés cheias
são ventos vindos do Sul
e são cantos de sereias
são seios de mulheres lindas
e o vinho de um lagar
são meus brincos de princesa
que caem com o luar
Há um buraco no céu
que encomendei à lua
tenho pressa de lá ir
pousar....
... a vida que me perdura.....
....vestir de azul...
esta minha alma tão nua...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

MANDRÀGUAS

Mandragoras
As mandragoras
morrem de sono
quando o Sol desperta
elas sonham com os brilhos na pele das virgens
com as suas púbis
negras de carvão
com os seus olhos lúbricos
de encanto
Bulicosas mãos que se adentram na carne
se engolfam nos sexos
fazendo os corpos soltar gemidos
As mandragoras tingem os linhos
de suspiros vermelhos
Abrem caminho aos desejos
As mandragoras morrem de sono
quando o Sol desperta
Margarida Cimbolini

SOU

Sou
só mais um coração a bater no meio do mundo
mais uma alma que quer saber
da vida o fundo
Sou tudo o que em mim acrescento
mais o passado
de que não renego nada
Mais este amor imenso
Este calor que a chama não queima
Esta bênção de amar quem me ama
e tenho na palma da mão ainda o teu nome
a ti lírio do vale
que me chamavas fada
a ti perfume do monte
a ti Sol poente
a ti alvorada
a ti que me iluminas
A ti vida que me animas
Obrigada !

A COR DO VERSO

A cor do verso
não procures ver a cor
sentir é a cor
não te canses
não me leias
como quem lê
não me cheires
aspira-me
não me afagues em festas de rir
toma-me
suspira-me
faz de mim ar
planta velha ... simbiose volátil
semente de alecrim
queima-me
e terás as cinzas quentes do verso
na veia do poeta injecta-me
mistura-me no vinho
no vinho cor de violeta
onde navegas sozinho
esta é a poesia de quem
escuta as estrelas
barco de eternidade
esburacado
teclas de piano em desordem
ossos de anjo asas de rola
olhos de águia cega
esta é a poesia de quem espera
alquimia de seiva e de sangue
esta é a poesia que não se extingue
e nunca será morte

Anoiteçe

Anoitece
Anoitece todos os dias
Chove e a chuva sobre o teu rosto
desfoca a tua imagem
Vivo ainda em ti
Vivo para o teu verso
A tua imagem é agora um rio
Um rio de margens nuas
escarpadas de memórias
O meu rosto e o teu confundem-se
Diluem-se escorrem nas à guas da chuva
nas margens do rio
Amo o teu silêncio
Odeio o teu desejo de morte
Anoitece e pouso
nas asas da alma...

FOME

Fome
Sim..... tenho fome dos teus braços
e das tuas mãos ligeiras
e dos teus beijos e das tuas carícias 
Tenho em mim teus olhos verdes
que tantas cores tomaram..
Pois que eram imensos
na minha imensidão
E já foram pretos e castanhos
e em verdes retornaram curvos de paixão
Tenho fome de ti
da tua boca
da tua gargalhada louca
do teu ciúme !
do teu cio...
do teu queixume !
de ser eu sempre pouca...
de te caber na mão!
É tédio isto que sinto..
É tédio da vida e é
espanto..
Pois que em tanta vida...
nunca ninguém me deu tanto ...
Margarida Cimbolini