quinta-feira, 28 de março de 2019

CORDEIRO DO UNIVERSO

Cordeiro do Universo
Em magnificas e aterradoras espirais vos sinto!
São muitas forças de abismicos diâmetros
Eu velo toda a noite
Alimento as mentes
Combustível louco....
carrego de carvão
a enorme caldeira !
por vezes deixo - me arder
A minha pele queimada
Cheira !
Sou o carvão onde ardo !
Alimento do diabo !
Cordeiro do Universo...
sou o pecado que tiro do mundo !
Rendo - me....
No ventre das palavras emprenho as letras de lume....

ANTES

Antes
antes capela de ateus
antes casa sem membros
nua de espíritos 
àgua limpa de espadas
cortava a montanha
com o sabor e o cheiro do silêncio
Antes coutada de pinheiros altos
em caminhos de espuma
plantava papoulas
no mar
rasgava as marés
subia nas cristas das ondas
antes servia a terra
Era a planície..o pastor e o gado ..
Era o sonho
... o sorriso nunca rasgado...
Agora sou ventania
espelho quebrado
alquimia....
Serei ainda pó ! e cinzas....
e depois memória ....
Quem dera que volte e que sinta
nas mãos o veludo do vento quando afaga as árvores...

COMO

Como o Sol
derrete a geada
e a lua brilha no céu
Como os rios correm pro'mar
e a luz não suporta o breu
Também a minha alma corre
ainda que não corra eu..
Margarida Cimbolini

No vão de escada aberto
Ele esperava a sua vez
Mais abaixo na rua deserta
Na esquina ela esperava um freguez
Ele esperava a sua vez de sonhar
de a tomar nos braços
De a beijar
A sua vez de ter o seu corpo magoado...de o lavar...
de o lavar do medo
de lhe contar o seu segredo
O segredo de amar...
Não queria saber
se ela vinha só
nas suas veias no seu corpo negro
sentia dor e mágoa
Sentia a noite a devorar- lhe o coração
Sentia o seio duro a palpitar na sua mão
Sentia o seu olhar moreno a cantar uma oração
Queria lá saber !
Dava -lhe vida ..não a deixava morrer
Ele sabia que na vida não se mexe !
E que a morte só é morte depois de morrer !
O resto ..o depois não sei....
Só eles vão saber !
Nunca a vida é vida vã.....
A vida nunca é ontem é hoje e é
amanhã...

sábado, 23 de março de 2019

BEIJO DE CHUVA

Beijo de chuva
Meu beijo de chuva
que o vento aqueceu
pousas na manhã clara...
onde o Sol nasceu !
Moras no alto da lua
estás ao lado meu !
Meu beijo de chuva
tão leve e tão denso
voas no meu corpo
onde a carne se perdeu
Meu beijo de chuva
que corres dourado
em caminhos de luz
vestido de breu !
Beijo de chuva cascata de dor...
Rufar de tambor...
timbrado na cruz..
Atalho onde o beijo se perdeu....?
A pele castigada estranha e cansada....
sente afinal....
...e ainda..
um beijo
o teu...

quinta-feira, 14 de março de 2019

A LENDA DO CÉU E DA LUA

A lenda do sol e a lua
Quando o sol e a lua se encontraram pela primeira vez apaixonaram-se perdidamente e a partir daí começaram a viver um grande amor. O mundo ainda não existia e no dia em que Deus decidiu criá-lo, deu-lhes um toque final... O brilho!
Deus decidiu que o sol iluminaria o dia e que a lua iluminaria a noite e por esse motivo estariam obrigados a viver separados. Ambos foram invadidos por uma grande tristeza e quando se deram conta que nunca mais se encontrariam...
A Lua foi ficando cada vez mais triste. Apesar do brilho dado por Deus, ela se sentia sozinha.
O sol por sua vez, havia ganhado um título de nobreza "Astro Rei" Mas isso também não lhe fez feliz.
Deus vendo isto chamou-os e explicou-lhes:
- Tu, lua, iluminará as noites frias e quentes, vai encantar os apaixonados e serás frequentemente protagonista de belas poesias.
- quanto a ti sol, manter esse título porque será o mais importante dos astros, iluminar a terra durante o dia, dar calor ao ser humano e só isso fará as pessoas mais felizes.
A lua mais triste ficou com esse destino cruel e chorou amargamente e o sol ao vê-la tão triste, decidiu que não poderia ser fraco, já que devia dar-lhe forças e ajudá-la a aceitar o que Deus havia decidido.
Mesmo assim, ele estava tão preocupado que decidiu pedir algo a Deus:
- Senhor, ajude a lua por favor, é mais frágil que eu, não suportará a solidão...
E DEUS... Em sua grande compaixão... Criou as estrelas para fazer companhia à Bella Luna.
A Lua sempre que está muito triste recorre as estrelas que fazem de tudo para consolá-la, mas quase nunca conseguem.
Hoje, os dois vivem assim... Separados, o sol finge que é feliz, e a lua não pode esconder a sua tristeza.
O sol ardente de paixão por ela e ela vive nas trevas de sua pena.
Dizem que a ordem de Deus era que a lua deveria ser sempre cheia e luminosa, mas não conseguiu... Porque é mulher e uma mulher tem fases... Quando é feliz, consegue ser cheia, mas quando é infeliz é minguante, nem sequer é possível apreciar seu brilho.
Lua e sol seguem seu caminho. Ele solitário mas forte e ela, acompanhada das estrelas, mas fraca.
Os homens tentam constantemente conquistá-la, como se isso fosse possível. Alguns foram mesmo até ela, mas eles voltaram sempre sozinhos. Ninguém jamais conseguiu trazê-la até a terra, ninguém realmente conseguiu conquistar por mais que tentaram.
Acontece que Deus decidiu que nenhum amor neste mundo fosse realmente impossível, nem mesmo o da lua e o sol... Foi nesse momento, quando ele criou o eclipse.
Hoje sol e lua vivem esperando esse instante, aqueles momentos que lhes foram concedidos e que custam tanto que aconteçam.
Quando olhares para o céu, a partir de agora e veja que o sol cobre a lua é porque o sol se deita sobre ela e começam a se amar. É a esse ato de amor ao que se deu o nome de eclipse.
É importante lembrar que o brilho de seu êxtase é tão grande que é aconselhado não olhar para o céu nesse momento, os teus olhos podem se cegar ao ver tanto amor...
Margarida Cimbolini

NOSTALGIA

Nostalgia
A nostalgia corre - me nas veias
mais densa que o sangue
sobe ..adentra-se em mim
roda na mente
percorre- me
vive de memórias
Densa como nevoeiro
agarra o Inverno !
Entardece a Primavera...
São frágeis as palavras....
inúteis os gestos !
Senhora de mim
enrosca -se...
tece casulos de solidão...
Tenho em mim ninhos que desconheço...
e nós que não sei desfazer...
Adormeço ..... entardeço....
e nesta minha longa tarde
onde não anoitece
nem a manhã se torna clara
só posso ser isto que sou
um novelo.... uma dobadoura de lã rôta
a quem alguns chamam poeta....

segunda-feira, 4 de março de 2019

PORQUÊ

Porquê
porque choras
flor linda
quando sentes o orvalho a orvalhar
enche-se a flor de lágrimas
e de orvalho o meu olhar
orvalhada de carinho
faz o meu corpo ninho
onde te vens abrigar
Orvalho trazes contigo
pois que te deitas comigo
e me fazes orvalhar
a flor fica contente
e sussurra de prazer
toda se oferece ao orvalho
fica o orvalho a sofrer
quem me dera ser orvalho
meu amor de qualquer dia
para como ele saber
como te encher de magia
Margarida Cimbolini

VAI

Vai
Vai mar ...
..caminha
Corre dentro de mim
Consagra o meu corpo
Partilha a minha alma
Vai mar....
Nesse vai ..vem ritmado
Respiro -te
como se rezasse !
Quebro na tua onda...
Cisne negro sem lago...sem par !
Singular !
Sou em ti plural !
Vai ..parte- me ao meio ...
Molha a minha sombra colorida !
Sai dos meus olhos...
e inunda -me !
Sou o anel de fogo que viste no céu !

HOJE OU ONTEM

Hoje ou ontem !
Já nem sei...
hoje tardou a chuva !
não ouvi o seu soar nas telhas
bem escutei o passear das nuvens
toda a noite as senti pesadas e nevoentas
mas não choveram
Chovi eu por elas apesar do Sol
também eu sou agua e chovia...
agora tenho corpo e fujo da chuva...
mas pequenos chuveirinhos cantam dentro de mim
cantam canções de céu....
transparências cor de chuva recém nascida
e dão de beber aos lábios secos das violetas
hoje não choveu !
.mas tinha gotas guardadas nos meus olhos.
e com elas dei de beber às pestanas que reclamavam beijos
Mergulho
Sem ver mergulho
...nos olhos raiados de sangue
na asa de amor onde flutuo
Mergulho no amor feito de acaso
....feito de momentos !
Mergulho num silêncio ainda não maduro...
...num silêncio inconfortável....
que encho de palavras vãs..
que contorno em difíceis meandros...
onde floreio risos....
onde invento desejo..
um desejo que acabo por sentir....
....mas sem poesia ando e recuo.....
calando a carne e prendendo o sonho ....
Sinto a mão áspera na minha mão macia....
....quase com prazer.....
Sinto a timidez de menino no homem liso,,,,
,,,,que pinto com ternura...
E beijo a boca risonha misturo-me na língua sábia...
.....serei sempre mulher e amante....
e saberei voar sozinha.....
Quero transformar tuas mãos em asas....farei de ti caricia..
e da tua caricia pluma,,,,,,
....e nos olhos raiados de sangue....
....................hei-de mergulhar em fantasia....
basta que saibas receber um pouco da minha loucura
basta que por um segundo sejas poeta....
bastas que deixes cobrir de mel a tua pele..
bastas que te reconheças alma...
enquanto recolho os beijos do teu corpo !

AQUI ESTOU

Aqui estou
aqui estou até que a morte
me recolha
marina de barcos sem rumo
não sei onde existo eu
nem sei onde eu existo
colho os lençóis do meu tear
que em linho teci
e atrás não posso voltar
não choro ideais desfeitos
nem o meu sorriso é fácil
sou alguém que não entendo
que ninguém entende mais do que eu
conflitos imensos de mares e marés
correm no meu sangue em turbilhão
ensandeço em tudo o que dou à luz
e por amor estremeço
mas nos teares onde teço
teço fios invisíveis que a sombra reduz
e na sombra permaneço enquanto procuro a luz
Margarida Cimbolini
/memórias e sombras /

CONTA-ME

Conta-me
vem contar-me
do fundo dos poros
das gretas da pele
dos gritos de amor
dos beijos de espuma
das línguas prenhes de sal
das ancas que rolam
vem dizer-me dos lábios ..das bocas
dos sexos que engolem dedos
dos dedos que se colam na pele
vem contar-me da pele toda inteira
que se arrepia e volteia
quero esse amor profano e louco
sedes de carne rompem os ventos
areias de sémen enchem as narinas
o sexo vivo..... geme....chama...
vem gritar-me vida e desejo
pois que acordas em mim solfejos
rouba-me amante de mim
e impede-me de sonhar....
......só por um segundo...
Margarida Cimbolini

O AMOR

O amor
Oh mas eu amo !
eu amo tanto !
Tanto que eu amo esta alma encastoada em prata
onde correm rios e mares
vindos não se sabe de onde
e sem destino...talvez eterno..
E como eu amo a beleza ..e as cores !
como eu amo a doce singeleza dos pequenos amores..
Como eu amo o mar sem fim..
e a terra e a lua
e as flores ..
E os caminhos que correm dentro de mim..
e a luz e a música!
e o cheiro e os sabores que sendo do mundo são só meus !
Que estão abertos em mim !
Amo ! como eu amo a vida que anima os seres ! e a voz das aves!
E das fontes como amo a àgua pura...
e nas manhãs como amo o Sol
e amo a bruma !
e amo aquela leve pluma....
que o meu sopro faz adejar assim !
Como me embriago de infinito....
na brisa e ao sabor do vento !
consiga o meu amor afastar o precipício !
Consiga erguer em mim o louvor do meu grito !
E amando consiga eu dizer a cada dia ...sim !