segunda-feira, 4 de março de 2019

AQUI ESTOU

Aqui estou
aqui estou até que a morte
me recolha
marina de barcos sem rumo
não sei onde existo eu
nem sei onde eu existo
colho os lençóis do meu tear
que em linho teci
e atrás não posso voltar
não choro ideais desfeitos
nem o meu sorriso é fácil
sou alguém que não entendo
que ninguém entende mais do que eu
conflitos imensos de mares e marés
correm no meu sangue em turbilhão
ensandeço em tudo o que dou à luz
e por amor estremeço
mas nos teares onde teço
teço fios invisíveis que a sombra reduz
e na sombra permaneço enquanto procuro a luz
Margarida Cimbolini
/memórias e sombras /