quarta-feira, 9 de setembro de 2020

A SAMARITANA

 O POÇO DE JACOB....

Tímida envolta nos panos
é a Samaritana
saiu a horas mortas
no Sol do meio dia
indigna por ser mulher !!!!
ponte do desatino
á sua condição aguilhoada
alma branca não alma penada..
Quando ninguém a via
saiu a buscar água
água doce não salgada....
Pecadora de nascença
mas nem por isso isenta...
ia ver da água viva
e daquele que lha trazia
Havia um judeu na Samaria
era ele o verbo Incarnado
tinha o encontro marcado
e naquele tempo sua vida
seu pecado e condição
ali se desmoronava...
Não adorar um poço
não religião sem vida
em espírito e em verdade
o cântaro podes deixar
pois levas a água viva
e saiu correndo ligeira
nas terras da Samaria aquela Samaritana
,,a quem chamavam Maria.
Margarida Cimbolin
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sábado, 5 de setembro de 2020

CEARAS DE LUZ

 ,CEARAS DE LUZ

fundas olheiras encontro
quando olho em olhos meus
são tantos os desencontros
que já não sei quem sou eu
são mil caras mil cantigas
dores humanas que sinto
que colho em molhos de
,,,,,,,,,, espigas
volteio em torve linhos
envolta em mil panos e rendas ,,,redopio
em sedas raras que me despem
,,,,,,,, e revestem levando
com elas a pele dos segredos que
,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,me contam
revoltam-se os eus em batalha
,,,,,,,,e roda esta face muda
pelos protestos calada
,,,fosse eu uma arma seria,,
seria então uma espada
cortaria os cabelos rente
,,,,,,,,,,,,,,,seria menos que nada
Vem comigo minha lira
,,,cante-mos alma encantada
roda esta roda viva ,,roda a roda fadada
,, dos mil olhos desta roda
,,acaba a ceara ceifada
não sou eu a mondadeira
serei a que foi mondada...

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SER VIAJANTE

 Ser...viajante..

O que sinto..

...O que sou corre em mim como os veios correm na madeira..
Assim como os rios correm para o mar..
Como o sangue me corre nas veias..

Sinto..sinto a pele por baixo dos vestidos..

No peito sinto o coração..
Corre em mim o que sinto..
como a rezina que pinga e escorrega devagar no tronco das árvores..
Sinto as lágrimas que me correm dos olhos..quentes...

E a cabeça que pensa analisa e experimenta..
.. e os lábios que cantam ..que beijam.. que rezam a falar e que mentem..
...omissos ...a esconder o sorriso !
E as miridias de veias..de pequenos circuitos.... ..vazos ..que me sustém e alimentam.. ..

Sinto os ossos que se articulam !
...os pés que me levam..
As mãos que me lavam e amam..

Sinto a respiração que me dá vida..
E amor..

E sinto esta alma que faz de mim pessoa e me ensina a sentir .
!
Tudo o que sinto é a vida a pulsar..a gritar..
Sinto - me bem..
por assim sentir ..

Gosto do que sinto e que me leva fundo cá dentro..e torna uma parte de mim imortal..

Sou humana e gosto de saber isso...

Como os rios correm para o mar..
...como as aves voam no céu..
como os peixes respiram agua dentro....
...como aquela estrela cadente..que não cai..

Também eu corro para casa...para o sítio de onde vim!

Gosto de correr para o amar..
Sou humana e todos os humanos são assim..

Grata por tanto sentir...longe de lá chegar...mas a ir

A caminhar !

Margarida Cimbolini

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 CORPOS DE EROS

escrevo com teus dedos
sinto o fluido de teu amor na pele
beijo com tua boca
me queimo em tua ardência
vibrante e louca
no teu corpo sou fada meretriz
sedutora seduzida
sou chama labareda papel
pingo de tocha acesa
sinete lacre anel
circulo que te cerca
maré que te lava
ondas onde voa-mos
cristas onde subi-mos
vidas onde entra-mos
labirintos de tempos longos
sítios onde aventa-mos
enfim
como flor se abrindo
a ti me entrego e desfaleço
com risos de louco encanto

,,a ti me viro do avesso e canto...

margarida cimbolini

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O VENTO

 O vento

quero saltar
para elas
para as palavras
tudo começa aí
na letra que ferve na veia!
Gramática, pragmaticamente..
suada,,,pesada.. medida
nos bordos das letras
a palavra existe..na língua , na nação...
Pátria guarda a palavra..
usada,,guisada...

Cabelos de ondinas,tagides,,,cinjidas em verdes algas..
presas no dicionário...
Não...
São minhas as palavras!
As que recebo no sangue...
As que me saltam na boca
Que me saem da alma em dedos aluados..
Brincos de princesa..
Pérolas de incerteza..
Vidas vivas sem grades..
...erro...pecado?
Qual a língua do vosso Deus. ? hebraico..
Evangelho de conceitos!
Peixes somando pães?!
Minha palavra é segredo
de antes da criação.
Escreverei sem medo
com tintas da cor da paixão..
escutando a espuma dos dias..
E a minha respiração!

Margarida Cimbolini

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AMEIXOEIRA

 Ameixoeira

As ameixas amarelas !
***que saudades tenho delas..
Pequenos seios pequenas rosas..doces enleios...
Pendiam em esteios...
Na árvores formosas ...
As ameixas amarelas...foram
comigo meninas..
***em Setembros fins do Verão..
Em cestos de amor e pão...
***riam na minha janela..
***quase pediam perdão ! ****entravam sem bater...
Tenho - as no coração verdes..depois douradas...
*** e eu com elas !

***Amadurecer ..

Margarida Cimbolini

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HAICAI

 Infinito o Horizonte

espera sereno
o homem apressado.

Margarida Cimbolini

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E

E

E desta seiva que eu deito....
* deita seiva que me dás a beber...
Quantas pessoas vivem disto ?
Deste grande misto de saber e de poder...
* que a cada dia me dás..

E eu absorvo como ardósia como xisto... *
e devolvo quase inteiro..

* a teu serviço !

Quem dera que fosse ao mundo inteiro !
Que ao menos para mim que espero e persisto !

Servisse !

Mas não serve ! Não é meu o teu amor...
Preciso de ti...da tua palavra...do teu ardor...
Sou fraca e não he
xisto ! Preciso de calor....
Cansada de ser chão..mar ..e terra
...raiz.. .giz ...papel ..goma e xisto !

Ou vens na palavra ...ou vens no ardor...
Eu não desisto !
Mas revolto me contra o mundo..contra a ignorância e a dor !
E não acredito que não me queiras no amor ..

Margarida Cimbolini

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AS TERRAS DO FIM DO MUNDO

As terras do fim do mundo

As terras do fim do mundo são aquelas onde o meu pensamento
bate e divaga..
São vale longo e fundo...
Onde tudo se cria onde se morre e se navega...
Onde tudo começa e nada acaba..
Terras de fim mundo que sempre conheci..
Nelas soçobrei e cresci...
Abrem - se aí onde não à tempo...
Onde pára o pensamento..
É um horizonte novo onde tudo está em paz..
Sem fronteiras sem barreiras !
Aí não sou nada e sou tudo !
O eu não existe Desaparece a razão..
Nada do que tem nome subsiste..
Nessa enorme compaixão reina um suave ritmo o da respiração...
Nas terras do fim do mundo tudo se une ...tudo descansa...
Sem expectativas e sem esperança..
As cores são brilhantes e a parte de mim que aí passeia..tem apenas uma aura não encandeia...
Terras do fim do mundo sítio que está dentro muito fundo..
Sítio onde não vai quem queira..
Não se descrevem as terras do fim do mundo...
Os meus olhos não as vêem...
O meu nariz não as cheira..
Não as apalpo com as mãos...
Mas sinto-as a bater no coração !

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VORAZ

 Voraz

Voraz é a fome de quem ama
voraz é a fome de beijos
é a sede de ardor na boca
Voraz é o gesto dos braços estendidos vazios das mãos abertas
dos dedos rotos de carinhos
Vorazes as veias dos corpos nus e sós.
enquanto decepados estão os desejos dos amantes..
Desertos sem oásis os dias passados ocos sem eco ... enquanto nas árvores nos ninhos os pássaros piam de amor !
Voraz é a fome e a sede das pernas cruzadas..mas quentes...
Galantes os pensamentos....correm na pele..
e molham a madeira do soalho que chia devagarinho como consolada..

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HAICAI

 O tronco partido ......

.........dormiu ao luar
de manhã floriu .

Margarida Cimbolini

A imagem pode conter: natureza

TANGO

 Tango.

delicada a mão
que te acaricia
e quando passa é um passe...
,,,,de magia..
dança....
delicados os lábios
que te beijam
e o corpo que a ti se entrega
e a espera
desse ser delicado
que te anseia ou te ama
ou apenas pranteia
enquanto te espera
,,,colhe essa delicada flor
que te tocou,,,e amou..
,,imagem delicada essa que te olha,,,
,,,raíz do teu poema...
sítio onde teu coração mora...
,,só por isso ......delicada essa imagem...
,,,,,,que por ti e em ti se demora......
,,,,,olha,,,,dança .....repara,,,,,,será que chora........................

Margarida Cimbolini.

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TORTAS E SECAS

 Estão tortas e secas..

....as cepas..
...das minhas vinhas !
Já foram verdes viçosas..
Crepitavam ao sol os cachos maduros...soberbos e caprichosos
pendiam como seios turgidos a pedir beijos !
Já as cepas foram mirrando com o tempo..
Sem cuidados sem mimos perderam os desejos...
No inverno cobertas de geada..
No Verão sem àgua sem carinho !
Estão secas queimadas !
O último fogo ...deixou as negras ...
Desesperadas ..
Mas a raiz estava na terra..foram muito amadas bem plantadas ...
....E ontem quando passei nas latadas...
....cachos de uvas quase .. passas.. amachucadas pendiam das cepas maltratadas ...

A imagem pode conter: sapatos

domingo, 19 de julho de 2020

AGORA

Agora

É de novo ir....
Sinto o fundo chamar da terra...
O mato precisa ser cortado...
A casa chama por mim...outra casa..
O mesmo amor um amor velho como o tempo..
Igual e diferente !
Um amor ..mais um ..
...amor de mim ..
....que me faz crescer e ser gente !
Ouço a terra castanha e quente !
Planto árvores nesta ribeira...
..que fui...que sou !
E vou..! Se o Mar deixar...
Irei...já lá estou comecei a andar...
devagar..

...de premeio ..?

O mundo inteiro !..
Ao longe o pão de milho...broa..
As uvas o centeio a capela e sobretudo o cheiro !
O cheiro a mim !
A mesa da cozinha...os pardais..aquele céu que adivinho..

A terra chama ..a casa já arde de desejo...

Se o Mar deixar  ..agora é ir !
Estou a chegar!

Margarida Cimbolini

Sons

Sons

O grito da gaivota
...corta o pôr do Sol..
A noite espreita no calor do céu..
....anuncia-se formosa e quente....
Aspiro com prazer os sons..os cheiros lavados do mar...
...na luz tamisada de mais um final de tarde...
Entrardeço ..deixo que a brisa me afague...
Já não estou aqui..
Já o verde das árvores o frêmito da terra e a beleza da casa me estendem o caminho...
Na mala levo vestidos de linho..sal...e a praia num cantinho !
O coração vai cheio de mar...
A cabeça num torvehlinho...
Ir de novo com o vento e chegar..
A vida não pára..o amor chama amor !
E quero ir...ir sempre e amar..
O grito da gaivota diz -me adeus...
E eu digo - lhe adeus..de novo a sonhar..
O sonho a grande variável..
É  nele que me estendo e  me deixo embalar...
Gosto de sonhar ...

Margarida Cimbolini

domingo, 5 de julho de 2020

ROTA

Rota
A rota do mar é sagrada..
...por ela caminho aninhada
...no vai vem de muito amar..
...e vou tecendo bordados entremeios rendilhados..
..feitos da espuma do mar..
Colho algas e marés que me rolam entre os pés...
....colho pedaços de mar..
Dou-lhe o meu amor profundo...
....entrego ao mar alma e mundo...
Entrego a vida e num segundo..
... ele vem comigo a sonhar...
É sagrada a sua rota ...
Na sua cor..
.
vagabundo....em tecendo o seu bordado....
...bordo também o sagrado...
...e teço em ponto cruz...
Meu mar ..vida ...
Meu mar..sorte ..
no rendilhado das ondas...
....quantos viram já a morte....!
Canto contigo a saudade....
Teu sussurro liturgia...
Canto contigo...alegria !
Margarida Cimbolini
Tu, Manuela Clérigo Clérigo, Rosa Ralo e 44 outras pessoas
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