quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

AMANHÃ

amanhã
hei-de acordar com a boca a comer vida
no amanhecer ou ao crepúsculo
tão solitária como no dia em que nasci
hei-de lá estar brilhando no fundo
do meu sono pardacento
terei ainda olhos ,pernas,braços e vontade
hei-de ser eu berrando liberdade
no silêncio da minha voz de formiga
no meu corpo lúcido como um diamante
e como ele pedra ignorante...
....deste templo onde me alberguei
sozinha de mim para mim rirei....
o espelho não pode reflectir-me
a agua vai distorcer-me
vou bebe-la sôfrega como nunca a bebi
mas não posso ver-me nela
não consigo ver no que me tornei
pois sou ainda e sempre serei outra
aquela que apesar do olhar vago
e da voz que nasce de mim sempre rouca
surge renascida quando neste bailado da vida
exije saber de onde vem o som para onde é a ida
e morde com força a maçã,,,,apesar da boca em ferida....