quarta-feira, 18 de maio de 2016

BEIJOS

beijos
beijos roubados
na boca da chuva
na aresta do planalto
beijos sorvidos da dor
prenuncio da ausência
na solidão anunciada
beijos nus...salgados
como manchas de agua
salpicam a rude rocha
descem vertente de um corpo
descem pelo ventre liso
loucos sedentos mastigam as bocas
povoados de anjos...voam
no cabaré do destino
beijos roubados... caricias imensas
despedidas de um amor
boémias caricias voláteis
línguas de fogo erram
no vale da púbis serenam
imaginados nas bocas
unem-se sedentos de saliva
choram da eterna despedida....
Théophile Alexandre Steinlen - Le baiser (1895-1896)