sábado, 29 de outubro de 2016

o sonho

o sonho corre.me nos dedos
tem dimensão de gigante
e pálpebras de menino...
é o sonho da andorinha
batendo pestanas cá dentro
ponho a corar por entre o Sol
nublado ....é liquido como o luar....
é o sonho que me move..
é ele que me alimenta..
colorindo o dia
morrem as palavras
rebolam ideias e utopias
queimadas com o restolho
o sonho é ceara é pão
é ele que faz o poeta
salta.me dos poros
respiro o sonho
respiro em grandes haustos
às vezes tenho medo da realidade que me sufoca..
Margarida Cimbolini

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

RAIVA

raiva
não tenho medo da tristeza
nem da alma
nem das lágrimas
dessas que me caem dos olhos
deixando olheiras de pedra
Fica a cara vincada
a face descomposta
não tenho medo de chorar
Porque há-de a poesia ser alegre
ou jocosa ou irónica
e terminar com um laço de alfazema
Porque há-de a poesia fazer rir
ser anedota de carne
ser marioneta de actriz
concubina do palavrão
ou não ?
De pedra pois sempre será pedra
Dura como a visão do mundo
Muro tombado na esquina
falha e solene consciência nua
Há noite o vento na rua distrai a face
Serei distraída de tudo de todos
Olhos calejados de calúnias
Leque de penas de falso pavão
Mas sim é triste e necessário o infortúnio !
ironicamente.....!
Só a dor nas almas cabe a fundo.....

terça-feira, 25 de outubro de 2016

lábios de barro

lábios de barro
de barro
moldados
com sol
secam gretados
caem hotenses
crestadas
da vida..
secas no calor
cio da terra
orgasmos do Sol
cio da terra..
e um grito que berra
doido de amor
Margarida Cimbolini

TÁ CHOVENDO

tá chovendo
Está chovendo !
E você minina...
você está fervendo ! 
aí tão quieta e compostinha !
Vem no meu joelho minina ...
conversa comigo..
Olha a lua no postigo !
ouve o que está dizendo...
Ouve com teu ouvido.
Vem menina vem correndo..
Eu e tu mais o que estou ouvindo...
Vamo fazer um ..
......filho.
Tá tu tou eu ....tá todo
esse areal..deixa comigo !...

A CANÇÃO DA TERRA

a canção da terra
Ás vezes a terra canta
uma canção de magia
que inquieta e inebria
É negro o grito da terra.!
Quando o grito da terra soa
Levanta-se a areia do deserto
e varre tudo....
A linha do horizonte
esconde um grito mais forte
o glorioso grito do mar
Também o mar grita e canta
na voz clara da água
Antes tudo era água e borbulhava
uma melodia sem nenhuma igual..
Quando a agua se move o cosmos reage
esconde a terra....piedosamente...
É a água que chama as estrelas
.. cada noite quando nasce outro planeta
ela vem dar-lhe de beber ...
vem criar os rios os ribeiros e o mar...
A água é vida....
tem memória e voz.....
levou milhares de anos a ser passado
e será a ultima força a acabar
É água a mãe que faz a terra tremer e abrir....
Quando voam as aves assustadas no céu
e na terra tossem os animais inquietos..
É a água rindo da criação ,,,riso surdo..
que caminha e se levanta......
E água e terra juntas cantam uma só canção....

DEMETER

Deméter
....Deméter ronda!..
Deusa e louca
ronda o Outono...
...a inquieta carrega o frio
escurece a manhã clara
está prenhe e zangada
traz lágrimas de chuva
Procura.......
procura na terra e no mar
rasga as papoulas pisa as giestas
procura lásion no ar....
encolhe o tempo ,,,tece luar
e ruge nos caminhos
.....por não o encontrar..
Zeus ri e chora é noite e dia
é deus do Olimpo....veio pra matar
Demétra quer Lásion.....
Traz o Inverno ...as folhas mortas
as nuvens feitas de mar
já faz frio é Demétra sem amor...a chorar...

RASGO

rasgo
rasgo o som desta lonjura
rasgo
como coisa que já não se quer 
que não é nossa
que nos pesa
que nos torna burros de sal
Atravessando ribeiros
aumento a carga
Ivento enormes oceanos
na abundância da preguiça
rasgo...........
.... este carrego de lixo
de ignorância .....
e de medo !
que levo com uma mão de fora
tentando não molhar a ignomínia
tentando não ofender a mente
objecto da minha dedicação
objecto que uso de manhã á noite
objecto que odeio
mas onde guardo tudo
ficheiro secreto e sagrado da mentira
rolo-me na lama
eu senhora das marés
eu concubina dos deuses
sou a vergonha das planícies
mergulhada em poros sujos de porcaria
comendo ao lado dos imundos
soberana de mim
elejo-me oferenda de satanás
elejo-me mictório de cidade
e pergunto porquê.....!
Pois não é a mente que venero ?
não é dela que falo ?
não será a ela que me dou...
não é há sua sombra que teço ainda voos ?
Então o que espero.....
.........Que venha o arco -íris
e se enevoem os meus olhos
e trema a minha mão erguida sobre as águas
e me corra o sal no corpo e na alma
e se revolte a mente em turbilhão
enchendo-me de ansiedade
mas possa o meu coração amar de novo
e dentro de mim se abra uma clareira
onde a manhã seja clara
e na noite esteja sempre aquela estrela
que torna doce esta breve caminhada....

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

DIAS

dias
há dias em que o nosso
único trabalho
consiste em expulsar
de casa os fantasmas
ficar quieto o dia inteiro
e deixar que pulem há nossa volta
enquanto tecemos tempo
há dias com sombras enormes
que sujam as paredes brancas
e ecoam na alma deixando um vazio
Com a ajuda do tempo se vingam
estes sinais de desamparo e solidão
A força expulsa devagar as sombras
impostoras palavras mascaradas
...de chuva pintadas de carvão.....
fedendo miséria e frustração...
...........há coisas que não mudam....
a beleza será sempre bela.....
deixo que me visite.....
fecho lentamente a porta
e abro devagar uma janela....
espreito o som das cores no horizonte
pertencendo-me e esperanto a noite
as estrelas bebem as minhas lágrimas
.....pois choro fingindo uma dor de mentira...
uma dor que não existe...........
Pretexto para chamar mais de perto a lua...
e garantir o luar ao meu lado
pretexto para me enrolar mais no amor
pertencendo-te....desenterrando toda
a minha ternura.....
fazendo de ti beleza....
---- a maior das minhas cúmplices..
e escrever estuante de brancura..
....os sons cheios de plenitude........
.....da minha imensa claridade....

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

E

E
E quando sentires o poema..
A graça a descer
Milagre humano
De uma suprema alegria
Não tenhas medo
Esquece te de ti
Segue nesse alvoroço
És um canal do desasossego
Não o renegues
É isso a poesia !
Saboreia..
Sabe ao sangue da tua veia !
Não te vanglories ...vangloria !
Por pobre e por pequeno..
Come e bebe e ama e vive
morrendo..
Sê sombra e Sol
lua e luar
mal e bem..amor e agonia..
Sê menos que nada...
Não sejas ninguém
...sê poesia !

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O AMOR

o amor
o que eu quero do amor
é o tímido gorjeio de uma ave
um perpassar leve de brisa
uma mão tão leve que trema
no meu tremor
e uma pele muito fina
que eu sinta como sinto a minha
uma voz suave murmurando
um riso de criança doce e leve
um homem talvez sim
se houver algum assim !
terá o cheiro do alecrim
e uns olhos de amêndoa amarga
que vejam dentro de mim
do amor louco e arruaceiro
da sôfrega quimera do orgasmo
tudo virá se o amor vier primeiro
e é ao amor que me dou por inteiro
aí hão-de trovejar alvoradas
longe se ouvirão os gritos dos clarins
das fontes sairá néctar verdadeiro
e toda a natureza alvoraçada vai cantar
a lua minha amante e a minha noite enamorada
e o Tejo rugirá feito mar em trovoadas
toda a beleza do mundo
há-de celebrar tamanho amor
um amor secreto e quieto
que só se erga para mim.....

VOZ

Voz
Na tua voz velada
te adivinho
abres de novo a tua rota
essa infantil senda de menino
que sigo na fímbria do amor
a frágil grandeza de um beijo
a saciar a sede e o desejo
na carícia da tua boca
no teu abraço serei de novo louca...
Já ouço a minha voz amanhecendo rouca...
e sinto a saudade densa
do corpo leve e satisfeito ..
e o caminho longo e estreito
da ausência e o frio do calor
que deixarei no teu peito
destino..fado..sina !
não.. ! a davida de mulher menina..colhendo no jardim
o mais breve de um amor perfeito..
Margarida Cimbolini

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

CAVEI

Cavei
Cavei a minha poesia
Com as mãos
Enterrei os dedos na terra
Feri as raízes
Desfiz os torrões
Vítimas dos meus gestos
As unhas minhas aliadas
Alienadas por mim
Cavaram como enchadas
Nas candeias dos meus olhos
Floresceram olheiras
Porque era noite
Perdi muitos dias
Fugiu de mim o tempo
Ergueram -se muros
Há volta dos montes
Só para me prenderem
Tudo para encontrar os jarros do campo..
Agoram deixai -me cheira -los !
Margarida Cimbolini

terça-feira, 11 de outubro de 2016

FOI HOJE

Foi hoje
hoje vesti-me de fantasia
vesti-me de rio e de salgueiros
enfeitei-me com penas de avestruz
calcei uns sapatos dourados
e ao pescoço atei a mais linda cruz
levei bolsa de brocado
e no dedo um anel delicado
hoje vesti-me de fantasia
fui ao baú e rodeei os ombros
de seda muito macia
e lá fui já quase à noitinha
ia alegre a saltitar num passo de menina
Lisboa de luz doirada....
já me esperava em quase neblina
sentei-me num banco a sentir o ar
dobrei uma esquina vi uma igreja
cheguei ao altar
lá estava a cruz e um jesus loiro
com pés e mãos a sangrar
e anjos lindos e uma senhora meiga
tão meiga com olhos grandes de amar
vestira-me de fantasia trouxe o rio e os salgueiros
e a seda tão macia nos meus ombros a roçar
e atei cruz no pescoço
quem sabe.....só para os visitar

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ONDE

onde
onde o anjo
onde Maria..
onde está e se anuncia
Maria a breve
a que deu nome a Maria.
Maria a mãe amorosa e renegada
onde Maria..
Maria aquela que aquece e alumia
Maria onde
a sem pecado
onde o pecado
onde o rei nado
onde o pai que ordena e guia
onde o céu
onde a terra e a rosa e o apogeu
onde o fim e o principio
onde Maria.....

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

alma nua

Alma nua
Atrás do vento Suão
Atrás do sopro da lua
Guardando o vento no peito
Saíram mulheres d'Alma nua
Cobriram o corpo de panos
Com véus sobre os cabelos
Deitaram os olhos ao longe
Lábios rubros de silêncio
Levavam coragem nas mãos
Roçarares de asas os pés..
As vestes cheias de urze
Odores de terra e de cinza
Abriam-se na passagem
Voavam pássaros de fogo
Lá onde a terra tremeu
Plenas de claridade
Ficou o ar cheio de breu
Era a passagem estreita
Uma agulha passaria..
Aí onde passou Maria
Onde as mulheres se quedaram..
Na testa abriu - se uma luz
Ninguém tinha nada de seu
E uma a uma passaram
Posso dizer em verdade
Pois com elas estava eu !

RETENHO

retenho
os olhos claros
a boca rubra
os gestos largos
um quase sem abrigo
no fato no modo na pele
a pele porosa e larga
a mão de música
o sorriso mordente
a larga testa de sobrolhos quentes
o calor do corpo
o cheiro e o gosto na língua aguda
que mordo ainda ávida..
ávida de ti meu amor
que estás ainda aqui por toda a parte
quase te toco e te ouço
amordaçado nas retinas
pelo torpor dos freios
tu liberdade e uma canção
liberdade e uma guitarra
tu ...meu amor ...onde não retive a vida
hei-de reter o que de ti mais amava !

SEGUE-ME

segue-me
por entre as brumas
lá onde o Sol se esconde
nas dunas
nas dunas do nosso amor
segue as minhas pegadas
estão lá para ti
assim terás a areia mais macia
e um caminho trilhado na luz do luar
a cheirar ainda a maresia
apanha os beijos do ar
deixei-os como guia
segue devagar ou corre meu amor
é noite e esperei-te todo o dia...
segue-me

O ACTO ANÃO

o acto anão
a vida enlatada
a paixão barata
o beijo no vão 
..da escada...
o amor viralata
....acordo ...
,,mordo um pedaço....
vivo ,,morro e descarto
....o acto.....
mentiroso e vilão
o acto anão
de repelão
puxando que sim
puxando que não
nada mais nada
soma anafada
não

SOPRO

sopro
tão leve o sopro da brisa
e o brilho das estrelas
tão leves as asas de libélula 
e as pétalas da rosa tombam ...
leves esvoaçando com o vento
o vento a desfolhou
leve ,,,leve como o passo do pardal
sopro do silêncio desfolhado em melodia
da leveza real da natureza
sopram as nuvens do céu
o sopro dos anjos nas almas puras
palavras sem letras que sussurram no Universo
e que ecoam no âmago dos seres
elevando os corações puros
anjos tocam os cabelos das crianças
fazendo-os esvoaçar
adoçando as bocas das mulheres
amparando a queda da rola
sopro que passa nas minhas mãos
exalando um cheiro a jasmim
e que bate no meu peito ..
..no mais leve dos movimentos
..no mais doce e maior dos milagres
.......a respiração....

domingo, 2 de outubro de 2016

ENDECHAS A LISBOA

Endechas a Lisboa
pé ante pé
escutando o som dos meus passos
passo
colho uma rosa desfolhada
pétalas laceradas de espinhos
transformam em estrelas
as pedras onde passo
pés nus nas pedras de Lisboa...
refaço a calçada
passo a passo sou a Madragoa...
nas sardinheiras me desfaço
Corro.. corro por Lisboa..
flores de lis me tombam no regaço
tombo em Alfama
e roubo-lhe o compasso
minha Lisboa....
conheces ...
...ainda os meus passos....
ergues-me muros
estendes-me jardins..
Olha um estrela do mar !
no Tejo a boiar...
dás-me o teu rio
onde eu sonho marés..
constelações
que me dás......
.. tapetes para os meus pés..
Na mouraria no grito da rua !
onde coalhas luar
roubas-me os vestidos
para que os teça de novo
dás-me o teu tear
Lisboa é no bairro alto
que baixo passo a passo
escondida com medo
mas é ainda o teu ar
Respiro a minha cidade
o lugar onde nasci
antiga doce e amarga
minha barca de fé
e passo a passo
deixo no chão a pegada do meu pé
e vou guardando o caminho
não vá perder-me no cais
ou subir com uma moura...
nas ruas do cais de sodré.....

MENINA DO BALOIÇO

Olho -me ao espelho vejo uma mulher inquieta e cansada !
Uma mulher igual a tantas outras talvez mais inquieta ,talvez com um cansaço mais fundo..vem de dentro o meu cansaço...
Está calor ..lá fora brilha um Sol de Outono..já passou o Verão ..e o mar ! que saudades tenho do meu mar ! Os mares não são todos iguais..o meu é azul e verde caprichoso .mas doce lembro-me do seu abraço..de como saía dele viva e cheia de energia e lhe deixava o meu cansaço...tenho tantas saudades do meu mar !
Essa saudade também me cansa..Tudo me cansa...tudo me leva ao passado..sacudo com força os caracóis ..afasto o espelho...limpo uma lágrima teimosa ..vejo uma menina num baloiço..sou eu a balançar os sonhos...aquele baloiço ensinou - me a voar ! Já o vi ferrugento e velho..este Verão tinha remoçado estava pintado de azul e uma outra menina se balançava nele ! Fiquei zangada ...era o meu baloiço..depois pensei melhor e aceitei..que fazer ? é assim a vida....tudo passa ..tudo se transforma e aquele baloiço será sempre meu..assim como aquela mulher inquieta no espelho também sou eu..
O que serei mais ainda ? Onde irá a menina do baloiço ? onde irá a mulher amante do mar ? Onde irá a mulher inquieta do espelho ? Olho os olhos verdes e loucos do gato e como dele espreguiço - me longamente num resto de Sol que bate na vidraça. Começou o Outono...

ALLELUIA

Alleluia
de cedo que vim a escrever-te
e tu de mim caçoaste
querias então que te desse...
.....aí por tudo o que é parte ?
de senhora que eu te tenho
.....de escrava te havia de pôr.....
não sei quantas almas tenho ..
mas esta que bem a sinto....
´há muito que me alumia.....
..na noite que vai a meio ......
........ainda que fosse dia.....
pastoreias teu rebanho.....
.....e eu em ti devaneio............
Geme baixo a melodia.....
...........caçoas de mim poesia....
pois que te quero inteira......
partida ...não te comia.........
Poesia é para comer...
.........pra sangrar e pra gemer.....
fogos fátuos ...artesãos....
balas de ricochete....podem servir-se de mim
de ti poesia ....não...
cobre-me de vergonha.....
no luar nasce a cegonha.....
e é de baixo que te olho...
aí no beiral no seu ninho....
dá-me um beijo poesia....
enche-me de carinho.......
sirvo-te pois então.....
pois que mais não sei fazer.....
mas se te ponho a servir..
ouvir-te ....é ser mais que tu......
e ....não..... diz a minha voz
doa lá a quem doer....
partida já não te quero...
....inteira ...tu és minha sede....
...
......meu suor e meu comer.......
e eu preciso de ti....como iria então viver...

AI MARGARIDA

Ai, Margarida,
Ai, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que farias tu com ela?
— Tirava os brincos do prego,
Casava c'um homem cego
E ia morar para a Estrela.
Mas, Margarida,
Se eu te desse a minha vida,
Que diria tua mãe?
— (Ela conhece-me a fundo.)
Que há muito parvo no mundo,
E que eras parvo também.
E, Margarida,
Se eu te desse a minha vida
No sentido de morrer?
— Eu iria ao teu enterro,
Mas achava que era um erro
Querer amar sem viver.
Mas, Margarida,
Se este dar-te a minha vida
Não fosse senão poesia?
— Então, filho, nada feito.
Fica tudo sem efeito.
Nesta casa não se fia.
Comunicado pelo Engenheiro Naval
Sr. Álvaro de Campos em estado
de inconsciência
alcoólica.
1-10-1927
(Fernando Pessoa "em flagrante delitro" ou seria Álvaro de Campos, na taberna Abel Pereira da Fonseca, em 1928?