quinta-feira, 27 de outubro de 2016

RAIVA

raiva
não tenho medo da tristeza
nem da alma
nem das lágrimas
dessas que me caem dos olhos
deixando olheiras de pedra
Fica a cara vincada
a face descomposta
não tenho medo de chorar
Porque há-de a poesia ser alegre
ou jocosa ou irónica
e terminar com um laço de alfazema
Porque há-de a poesia fazer rir
ser anedota de carne
ser marioneta de actriz
concubina do palavrão
ou não ?
De pedra pois sempre será pedra
Dura como a visão do mundo
Muro tombado na esquina
falha e solene consciência nua
Há noite o vento na rua distrai a face
Serei distraída de tudo de todos
Olhos calejados de calúnias
Leque de penas de falso pavão
Mas sim é triste e necessário o infortúnio !
ironicamente.....!
Só a dor nas almas cabe a fundo.....