terça-feira, 25 de outubro de 2016

RASGO

rasgo
rasgo o som desta lonjura
rasgo
como coisa que já não se quer 
que não é nossa
que nos pesa
que nos torna burros de sal
Atravessando ribeiros
aumento a carga
Ivento enormes oceanos
na abundância da preguiça
rasgo...........
.... este carrego de lixo
de ignorância .....
e de medo !
que levo com uma mão de fora
tentando não molhar a ignomínia
tentando não ofender a mente
objecto da minha dedicação
objecto que uso de manhã á noite
objecto que odeio
mas onde guardo tudo
ficheiro secreto e sagrado da mentira
rolo-me na lama
eu senhora das marés
eu concubina dos deuses
sou a vergonha das planícies
mergulhada em poros sujos de porcaria
comendo ao lado dos imundos
soberana de mim
elejo-me oferenda de satanás
elejo-me mictório de cidade
e pergunto porquê.....!
Pois não é a mente que venero ?
não é dela que falo ?
não será a ela que me dou...
não é há sua sombra que teço ainda voos ?
Então o que espero.....
.........Que venha o arco -íris
e se enevoem os meus olhos
e trema a minha mão erguida sobre as águas
e me corra o sal no corpo e na alma
e se revolte a mente em turbilhão
enchendo-me de ansiedade
mas possa o meu coração amar de novo
e dentro de mim se abra uma clareira
onde a manhã seja clara
e na noite esteja sempre aquela estrela
que torna doce esta breve caminhada....