o castelo
Sim
foi com paus e com pedras
com água do mar
cerzida nos montes
com rios correndo dentro de sóis
com pingentes de ouro
erguidos em altares
com lágrimas vivas e feras
rugindo dos meus olhos
com os meus risos de criança
e sonhos caídos da lua
foi de noite e há luz do luar
que construí este castelo
cavei os alicerces com as mãos
com as unhas alisei as pedras
com os dentes cortei as cordas
e os com os pés feridos
nas escarpas que subi...
fui abrindo ogivas em janelas
os vitrais são as minhas retinas
e os azuis fui buscá-los ao céu
queimando as minhas asas
na torre mais alta plantei uma flor
e cada pequena frincha
durante anos foi tapada com amor
Não
não será fácil derrubá-lo...!
vinde com rodeios e mesuras
vinde com indiferenças saborosas
vinde com silêncios desafiadores
conheço os vossos pensamentos
cheiro os vossos andrajos
sinto as vossas cobiças e invejas
vinde e tentai deitá-lo abaixo
não cairá senão por minhas mãos
..........porque é verdadeiro e é meu....
Margarida Cimbolini
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
segunda-feira, 12 de dezembro de 2016
vazio
vazio
nesta cadeira vazia
eu me sento a baloiçar
enquanto balanço penso
quem me dera não pensar
quem me dera ser como ela
sobejo de uma oliveira
sem azeite pra jorrar
sem ser nem fazer
sem partir....sem chegar
apenas uma cadeira vazia a balouçar
eu me sento a baloiçar
enquanto balanço penso
quem me dera não pensar
quem me dera ser como ela
sobejo de uma oliveira
sem azeite pra jorrar
sem ser nem fazer
sem partir....sem chegar
apenas uma cadeira vazia a balouçar
AOS MEUS POETAS
aos meus poetas
versos em tiras de veludo
metade do meu pão
e o meu ténue sorriso
metade do meu pão
e o meu ténue sorriso
aos poetas que eu amo
as rendas do meu tear
os vôos das minhas asas
na indiferença dos céus
eu darei estrelas do mar
para tecerem comigo
estas rimas de luar
estes ramos que saem de mim
estes gritos do meu ser
estas ânsias de viver
as rendas do meu tear
os vôos das minhas asas
na indiferença dos céus
eu darei estrelas do mar
para tecerem comigo
estas rimas de luar
estes ramos que saem de mim
estes gritos do meu ser
estas ânsias de viver
os meus poetas eternos
as minhas loucas poetizas
rumos da minha historia
as minhas loucas poetizas
rumos da minha historia
poetas desçam devagar
venham de mansinho
venham pelo postigo
porta dos sem abrigo
no vai -vem do respirar
depois suspirem comigo
ficam no meu colo antigo
naquele que sabe embalar
venham de mansinho
venham pelo postigo
porta dos sem abrigo
no vai -vem do respirar
depois suspirem comigo
ficam no meu colo antigo
naquele que sabe embalar
ai os poetas que eu amo
amo ainda mais que o mar
amo ainda mais que o mar
na fímbria do meu vestido
sinto-os a sussurrar
não o hei-de tirar nunca
ninguém mos há-de roubar
sinto-os a sussurrar
não o hei-de tirar nunca
ninguém mos há-de roubar
NÃO SEI NADA
Eu sei lá de tudo o que não sei..
Do que sei menos de uma gota de chuva
É tudo o que a tâmara guarda
São estas lagrimas vertentes
Lagos escorrendo orgulho e ego
Flagelos com que me flagelo
Olhos dentes de dragão se refletem no espelho
Sofrimentos de antenho..
Sangue do meu sangue
Cabeças de veias liquidefeitas
Oferendas imaturas.
Dar o fruto do meu ventre ainda não nascido
Tudo faz ricochete
Mil anos depois será assim...
Assim seja
É este o rumor dos meus ossos
Do que sei menos de uma gota de chuva
É tudo o que a tâmara guarda
São estas lagrimas vertentes
Lagos escorrendo orgulho e ego
Flagelos com que me flagelo
Olhos dentes de dragão se refletem no espelho
Sofrimentos de antenho..
Sangue do meu sangue
Cabeças de veias liquidefeitas
Oferendas imaturas.
Dar o fruto do meu ventre ainda não nascido
Tudo faz ricochete
Mil anos depois será assim...
Assim seja
É este o rumor dos meus ossos
PASTOR
pastor
se não pastoreias
viaja sozinho
dez mil passos
para que os queres
podes ir onde quiseres
nessa estrada tosca e bela
serás o teu pastor
levarás a alma nua
mas sempre e só a tua
não pares nas ogivas das janelas
nem te percas nos pingentes
nem te aqueças nas velas
estarás num umbral sagrado
deixa pra trás os vestidos
os vitrais e as paixões
pastoreia o teu rebanho
que és só tu
e saberás as palavras
se te faltarem ovelhas
elas te seguirão
na serena melodia do mar
sem alardes nem festões
se não pastoreias
viaja sozinho
escuta o búzio no caminho
viaja sozinho
dez mil passos
para que os queres
podes ir onde quiseres
nessa estrada tosca e bela
serás o teu pastor
levarás a alma nua
mas sempre e só a tua
não pares nas ogivas das janelas
nem te percas nos pingentes
nem te aqueças nas velas
estarás num umbral sagrado
deixa pra trás os vestidos
os vitrais e as paixões
pastoreia o teu rebanho
que és só tu
e saberás as palavras
se te faltarem ovelhas
elas te seguirão
na serena melodia do mar
sem alardes nem festões
se não pastoreias
viaja sozinho
escuta o búzio no caminho
Passos soltos
passos soltos
em memorias
nasceu um dia uma serva
que a todos ela servia
não era brava nem bela
nessa casa sem janela
onde a luz só ela via
passos soltos ela dava
de lá pra cá de cá pra lá
serviu mãe serviu irmão
serviu pai e serviu tia
e todo o dia chorava
moura que mourejava
cada minuto do dia
serva muda e amuada
que a vida a não servia
e vazia estava ela
pois estava a casa vazia
nessa casa sem janela
onde só a serva via
acendeu uma fogueira
e acendeu a candeia
a casa já estava fria
e estava a serva sozinha
o gato por companhia
e nem a ela servia
morreu a serva cansada
pois que não ..fazia nada
.........
.........se cá houvesse santeiro
eu um santo lhe pedia....
...só pra honrar essa serva
e a quem ninguém servia
que a todos ela servia
não era brava nem bela
nessa casa sem janela
onde a luz só ela via
passos soltos ela dava
de lá pra cá de cá pra lá
serviu mãe serviu irmão
serviu pai e serviu tia
e todo o dia chorava
moura que mourejava
cada minuto do dia
serva muda e amuada
que a vida a não servia
e vazia estava ela
pois estava a casa vazia
nessa casa sem janela
onde só a serva via
acendeu uma fogueira
e acendeu a candeia
a casa já estava fria
e estava a serva sozinha
o gato por companhia
e nem a ela servia
morreu a serva cansada
pois que não ..fazia nada
.........
.........se cá houvesse santeiro
eu um santo lhe pedia....
...só pra honrar essa serva
e a quem ninguém servia
essa serva que foi serva
e não se serviu da vida
essa serva
...onde a vida não fervia....
8 -12-2016
8 -12-2016
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
SE CALHAR SOU BURRA
se calhar sou burra
se calhar é a morte que fica
e a vida que passa
se calhar viver é complicado
e morrer é muito simples
se calhar a alma é eterna
e a dúvida também
se calhar eu sei mas não sei
por isso sofro
se calhar eu brinco com as palavras
porque elas brincam comigo
e tenho a ilusão de que Deus omnipotente
está a ver o que eu faço e leva-me ao colo
se calhar sou que carrego ao colo um Deus pesado
Burra atravesso o rio com a minha carga de sal
e na outra margem fico sentada porque me doem as costas
Quando o sal se dissolve agradeço o milagre
se calhar vivo num deserto cheio de oásis
e estou sempre á procura de um camelo que me leve ao colo
e a vida que passa
se calhar viver é complicado
e morrer é muito simples
se calhar a alma é eterna
e a dúvida também
se calhar eu sei mas não sei
por isso sofro
se calhar eu brinco com as palavras
porque elas brincam comigo
e tenho a ilusão de que Deus omnipotente
está a ver o que eu faço e leva-me ao colo
se calhar sou que carrego ao colo um Deus pesado
Burra atravesso o rio com a minha carga de sal
e na outra margem fico sentada porque me doem as costas
Quando o sal se dissolve agradeço o milagre
se calhar vivo num deserto cheio de oásis
e estou sempre á procura de um camelo que me leve ao colo
SOU EU
Sou eu
Não sei
Assisto a tudo isto
Vou aqui e mais além
Por mim não ia !
Ficava ...como fica o gato macio..bucansdo o quente
e o carinho....
atrás do seu olhar verde..
sem querer saber de idas..
andando se houver caminho !
Ficaria escutando os meus ruídos .
Voando nas minhas alturas !
Alma branca em... ....desassossego !
mas vou pois tenho até medo !
....de ficar neste segredo..
E saio a ver a lua ..
....mas há gente no meio....
e almas fundas fechadas..
Fechaduras encerradas ...que rodam na minha chave..
Estava então eu tão quieta neste meu desassossego e venho em linha recta...
A saber doutro degredo..
E tudo me passa na frente !
E tudo mexe comigo....
Chego a pensar que é castigo !
Tanta gente...em romaria !
São ventos que vêm de longe e chuvas e tempestades...
E antigas ondas e vaidades...
Então fechada e indecisa..
recuo..quero voltar para o meu buraco azul verde sereno e louco
...onde me aturo só a mim
e isso já não é pouco.
Assisto a tudo isto
Vou aqui e mais além
Por mim não ia !
Ficava ...como fica o gato macio..bucansdo o quente
e o carinho....
atrás do seu olhar verde..
sem querer saber de idas..
andando se houver caminho !
Ficaria escutando os meus ruídos .
Voando nas minhas alturas !
Alma branca em... ....desassossego !
mas vou pois tenho até medo !
....de ficar neste segredo..
E saio a ver a lua ..
....mas há gente no meio....
e almas fundas fechadas..
Fechaduras encerradas ...que rodam na minha chave..
Estava então eu tão quieta neste meu desassossego e venho em linha recta...
A saber doutro degredo..
E tudo me passa na frente !
E tudo mexe comigo....
Chego a pensar que é castigo !
Tanta gente...em romaria !
São ventos que vêm de longe e chuvas e tempestades...
E antigas ondas e vaidades...
Então fechada e indecisa..
recuo..quero voltar para o meu buraco azul verde sereno e louco
...onde me aturo só a mim
e isso já não é pouco.
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