terça-feira, 24 de janeiro de 2017

TESOUROS

Tesouros
Tanta água !
E fala !
Como mexe...
Oh mãe porque mexe o mar ?
Porque sim...
O mar tem ondas de renda ?
Quem as bordou..foste tu mãe ?
Não filho o mar é assim ?
Porquê ?
Porque sim...
»»»»»
E o sol é dourado é pai do mar '?
e a lua é a mãe....... por isso é prateado.....
Não é minha mãe...diz que sim....
................eu quero..que seja assim !!
«««««««
------Não sei meu filho....não sei......
Mas sei da terra vermelha e quente......
essa onde piso...o burro puxa o arado...
e o pai deita a semente.........
e colhemos a espiga e o pão sagrado......
«««««««
Mas o tesouro esse que está atrás do sol poente....
...é esse minha mãe a alma da gente .....?
««««««««««««
Não sei meu filho.....olha ...espera ...vive e sente....sente .....sente......
Margarida Cimbolini

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

TEMPORAIS

Temporais
serei resgatada num deles
Num desses temporais de areia
regados de secura
num desses volteios ...
...de poeira amarela..
Irei antes de ser poeta..
....irei na busca dos versos..
Aqueles que nunca fiz..
...irei antes de conhecer o
..âmago amargo e doce da poesia...
.irei sonhando o fundo de tudo !
Aí onde não há palavras....
... hei-de ganhar um dia....
.......... o direito de ser gente..
. *******
Morrendo vomitando egos e mundos que já me sobram..
*******
É a Paz o que procuro....escondida nas rimas
espreitando,.,... nas vidraças embaciadas
esgueirando-se no sorriso das tardes...
assomando no perfume das fores.......
*******
....é a essa a luz que quero ver....
....é essa a música que quero ouvir
....é no embalar desse ar que respiro
desse hálito pazeiroso e verdadeiro que serei poeta !

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

VIVER

viver
vivendo duplamente
presente e passado
o passado presente
o futuro adiado
******
ingratos os caminhos da saudade
oceanos desabam de permeio
á luz da garra da saudade
é quase sempre o presente
mais feio....
****
abrir as asas .....voar.....
sem ideal....nem pensamento
seguindo o rasto da gaivota
no poiso largo que eu anseio
*********
. transpor mares e marés de lembranças.
********
sem renegar passado e futuro...
expulsar essa sombra mais pungente...
*******
.prestar culto há vida no presente...
é viver duplamente...

Margarida Cimbolini

INTENTO

intento

louco intento o meu
baldada razão fugida
que me trouxe assim há vida
tão cheia de pensamento
         ******
neste mundo multiforme
rodeada de muros de névoa
nunca quieta ..
nunca em mim o tempo dorme
sempre perscrutando o infinito
querendo saber da alma humana
num constante e fundo grito
             ***
loucura sem par ...baldado intento
quem poderá saber
se o Sol persiste
em luz de amor....em claridade
ou se só a treva existe
nestes abismos de maldade
            ***
em cada ser em cada alma vive
um mundo de mistério
....fundo e vasto como o mar
como hei-de eu onde ....
.....tudo o que é mortal subsiste
          ***
decifrar tal mistério....... e aqui estar
sempre absorta e triste .......
               *****
caminhando sem achar p,ra mim lugar !

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

DENSA MÃO

Densa mão


Meti a mão no nevoeiro
Suou minha mão de chuvas
Roxa de frio...foi minha mão labareda...
a queimar o escuro breu
Acendi mais um altar...
Capela de barro cinzento...
perdi me muda......
... de espanto...naquele altar de cimento ..
Roguei aos santos de barro..
....e ao senhor lá na cruz...
Queria saber de mim...e da minha cantarinha....
Preciso de água da fonte...
não chego sou pequenina !
Margarida Cimbolini

ASSIM

Assim
Assim passam os dias
Dias de Inverno
Já estão um pouco mais longos...
As horas os minutos os segundos....momentos. !
Todos os dias morrem pessoas....e nascem outras !
A cada momento se festeja e se pranteia ...é a vida....
As vozes dão os seus nós...
os silêncios desfazem laços...
As pausas são muitas na memória..,
As mágoas árvores frondosas..
.....e nessas sombras me deito !
...
convido anjos para o meu leito !
Mas já não os distingo..
..fingo..
Ontem as nuvens estavam escuras......
Hoje ..agora ..há pouco...
.. abriu -se o dia.
Tanto faz ...
....ouço ainda as vozes !
Que língua ou dialecto ou apenas intenção...desconheço !
Também a minha voz mudou..já não é minha...
Pela janela suponho o Sol...farejo as gentes !
Deixei por aí a máscara..e recolho ou finjo..
Atrás da janela a vidraça..
esconde -me..
Ficarei aqui há espera de um pouco de ópio...
Margarida Cimbolini

AS CRIANÇAS

as crianças
são poetas
poetas que não sabem ler
crueis e ansiosas
prescutam com olhar duro
as éguas sequiosas
selvagens e felinas
brincam aos meninos ....
às meninas...
as crianças sentem
e as águas rebentadas
reinventam as memórias inventadas
são dedos apontados
nas suas pequenas faces
há sulcos de lagrimas
uma única sabedoria..
são girassóis amarelos
ou moinhos de vento
vento versejador
despuderado amor
são as crianças das ruas
sem saber no meio da dor
comem rebuçados de fruta
e de cor...
não deitam papagaios
temem em silêncio os raios
são os reis do terror
mas gritam de liberdade
são o livre pensador
sem mentira sem verdade
são o não o nunca o nada
são a realidade

Margarida Cimbolini

MAR DE PENAS

mar de penas

.larguei minhas penas no mar.
Que negras penas eu tinha
nas águas verdes do mar
ficou uma lágrima minha..
Larguei minhas penas no mar
eram penas cor de chuva
nelas desfolhei a terra
eram penas de viúva..
nelas deixei manto negro
e canções de bagos de uva.
Cobri penas de luar
e entre a branca espuma
ficou o sonho de amar
sonho tecido a voar
nas asas de uma pluma..
Larguei minhas penas no mar
e o mar tornou-as brancas
quando voltei pr,as buscar
tinha doces penas mansas...
Meu mar dourado e azul ...
.....que verdejou minhas penas
vestiu-me de algas salgadas...
..fiquei deitada ao seu lado
....com ele bailei suas danças...
e com penas de brocado........
.... enfeitei ondas crianças......
O mar salgou minhas penas
..... roubou-lhes medos e dores
saí do mar tão lavada..... tão sem receios
................limpa de tantos terrores
.. que o Sol me sulcou trilhos
......e me cobriu de flores.....
Larguei minhas penas no mar
.............e troquei-as por amores...

Õ SONO DA VERDADE

leitura de imagem

,,o sono da verdade,,

Estando a verdade dormida
Deitou-se a seu lado a saudade
Daí nasceu a mentira
Com máscara de santidade
Não sendo união bendita..
..a saudade é mentirosa....
Torna o cravo flor rara...
e tira os espinhos da rosa..
Na verdade é poesia..a palavra
....sendo prosa...
Margarida Cimbolini
Lorenzo Bartolini "Il sonno della verità"

ROSA CABRITA

rosa cabrita


a ela bailavam-lhe no corpo
os desejos
nus nos seios
rosados nas coxas luzidias
negros na grossa púbis
dentro quentes e febris
bailado denso nos quadris
desejos de mar e de amor
o sexo aberto em calor
rosa de seu nome
cabrita na pele....
...... macia escura e bonita
**
na selva não há pudores
**
a cidade era velha demais
sarjetas de lodo
o instinto a reinar
carnal ....
olhos lúbricos nas montras
homens viam raparigas
nem mau nem bom ...real
****
rosa cabrita nascera por aí
viera oceano aberto
sem destino sem rumo
viera direita ao cais
onde as vidas se escoam mais
******
rosa cabrita dormiu na pedra
a pele bonita e nua
olhos rasgados no negro
as mãos frias no lagedo
tão bela que era...
no seu largo medo......
*****
o desejo era o seu segredo
a vida brotava no ventre dourado
e breve era segredo desvendado
e bailou ..bailou sem descanso
na cama na areia no chão
****
rosa de coração branco
na sua pele doce ....
..........o grito e o pranto
******
rosa cabrita vai caminhando
um filho nos braços...
....pela mão outro branco....
*****
ainda é bonita ... mas seu grande encanto...
,,,são essas crianças que leva consigo..
******
geradas no cais....o cais seu abrigo
..............................um negro outro branco...
a vida a cantar.....o grito da vida abriu um postigo !
Margarida Cimbolini

PLENITUDE


RIOS

RIOS 

então os rios cansados de correr nos leitos
resolveram saltar as margens
correndo como amantes desunidos
perdidos que estavam na nua cidade
amantes e rios correram paralelos
universos e vidas tinham a separá-los
apenas a eternidade os unia
e a foz
descem a colina rolam sobre seixos
suas almas desordenadas
gesticulam.
sobem na espada nua da corrente
retalham veias de água
em rosa dos ventos louca
fluem
corpos desafiando a corrente
descarnados e lúbricos
apenas a eternidade os unia
e a foz
Margarida Cimbolini

MAIA

Maia


Fecunda deusa dos homens
Pede na terra aos homens de boa vontade
Pede às tagides do Nilo
Às brancas ninfas de 
Eufrades !
Pedes às correntes que desaguam nos mares
A Moisés pai do jovem Deus nascido sem pecado...
Pede no altar de Jesoe...
.. cordeiro de Deus
Celebra a fecundidade...
Aquela que traz ao mundo guerreiros
Fecundos varões de verdes oiros
Capazes de diluir nações de povoar Universos
Há mulher de Zeus a Hermes ...Eros no encalço dos prazeres
Despeja sobre o nundo o teu amor fecundo
Aquela que dá à luz seja bendita..
E seus filhos crias da humanidade..
Crescem na borda do abismo !
Cegos para não tombarem..
Surdos para que não ouçam o som das guerras dos homens !
Mudos deuses do silêncio !
Sejam eles os filhos da redenção..
Um em todos todos em um !
Que celebrem o não ainda
nascido...
Filhos da mãe sem irmãos !
Celebrem o seu vagido !

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

NARCISO

Narciso.
corro na alameda dos meus ciprestes
salto cercas e barreiras
planto na minha boca as aguas dos rios
no meu corpo o cheiro a sal
encho os olhos de mar
e com beijos nas mãos cheias
permito-me ser ave
são plumas estas minhas asas
as penas largo ao sabor do vento
e rio de mim...porque me quero
e sonho comigo porque me amo
esqueci os sonhos dos outros
e roço minha pele nos meus doces delírios
será que Narciso me persegue....
ou quando miro a minha imagem no lago
enxergo um ser habilmente solitário...
Margarida Cimbolini.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

SEM AUTORES NÃO HÁ CULTURA

SEM AUTORES NÃO HÁ CULTURA
Bom dia
amiguinhos !
Hoje é o dia do leitor e eu não gosto de dias de coisas mas aproveito para lhes falar de algo que me preoucupa ! 
 O hábito de ler... estamos no meio a das palavras por isso há partida lemos...pois eu já li mais ! Nasci no meio dos livros e sempre os devorei dia e noite ! Pouco a pouco fui escolhendo e amando autores e formas de escrever...............
.... a poesia foi uma descoberta
Incrível cedo comecei a escrever lendo tudo quanto me aparecia à frente.....e claro escrevendo ,.,depois comecei a postar nas redes sociais etc etc etc....e daqui dou um grande passo para abreviar e chego às Tertúlias de Poesia....que sítio bom e importante para a poesia ! Aí em todas diz-se e fala -se de POESIA e de POETAS mas para isso têm de lá ir...SEM AUTORES NÃO HÁ CULTURA os leitores os amantes da poesia os magnificos declamadores tudo essencial ! Mas os AUTORES pura e simplesmente sem juizos de valor.....esses tem de lá estar.,
Eu preciso de ouvir poesia de me embriagar nela de a comer e todos nós também....então vamos às Tertúlias não as deixemos morrer....A TODAS...tudo o resto são tretas. Vamos levar os nossos poetas de eleição dá-los a
conhecer....ler o que escrever- mos ouvir críticas....Vamos ajudar nos a crescer....eu preciso de crescer ...de aprender mais .. e mais..sempre !
Hoje é o dia do leitor ..é mais um dia e logo mais uma noite e a criatividade fervilha.....Somos um País de Poetas ...vamos valorizar esta nossa singularidade e aceitar a dos outros pela POESIA...
Margarida Cimbolini 

AUSÊNCIA

Ausência
ausência de ti
*****
na tua mão macia
era também ausência
mas ausência doce
******
o sossego da pele
de pequenas veias azuis
de frio correndo no corpo
da dolencia do corpo
é hoje ausência
*********
tua ausência de alma
era ausência minha
voando entre parênteses
bastava esta que tenho
a colmatar ninhos de melros
nos pinheiros da paixão
*********
sinto a presença ainda sem corpo
de ausências imberbes
*******
sereno enfim na dulcissima
planície deste langor
espero te
Margarida Cimbolini

EU

Eu

Sim mas quem sou eu
Nascida
Morrerei vivida
no alto de alguma serra
Desfeita num planalto
Lambida
pelo lobo e à gargalhada !
No canto da boca a espuma..
e o sal....do mar..
Queixumes dos ossos...
no pânico da morte..
Essa bruxa azeda viola me todas as noites...
Coração de corça engulo
.......................todo o ar que posso..
No meu mergulho..
Nas grutas onde habito..
...fica o hálito do amor ...
fica vida e obra feita...
Sou eu
Esta que interroga o tempo..
Margarida Cimbolini

IN VIDA

In vida

A inquietude a sair dos olhos
Salta como mola ou alavanca
a colorir o Sol

Pingos de lua....résteas da noite...pesam nas pálpebras ! 

Ardentes..em desejo...
...na mágoa da lagoa .....os peixes !
Sempre aos pares...
Porquê contempla.los em dobro !!!?? 

Na retina já é Páscoa as lágrimas pesadas como pedras ! Fazem tocar o sino da capela ....
As virgens unem se em preces !

Margarida Cimbolini


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

BRANCOS VERSOS

Brancos versos
Floco de neve
A tombar devagarinho
Será o meu amor
Que vem dar-me um beijinho......
Espreitei pela janela...
Que branco estava o caminho !
Um branco luminoso
Um estranho manto de arminho !
O mar subira ao céu e descia....
....feito neve...
....em leves pedaços de linho...
Senti a vida assim tão branca ...
e tão breve.... ....tão breve....
....tão frágil a mostrar-me o seu ninho...
e eu... pequenina ...! aceitando o carinho.....
Dentro de mim soltei-me nela.....
perdi o sitio e o tempo.....
Esqueci que estava á janela....saltei...
...nua e bela.......
Tombava neve....e subi ao céu com ela...
Margarida Cimbolini
 (in vida )

NO NATAL

No Natal
Tudo se transporta
no Natal.
as memórias correm
atropelam-se
cada uma maior e mais triste
para a memória
o Natal é uma data sempre triste !
a memória não dorme..
os presentes ...o pinheiro...o presépio
tudo está lá cada Natal.
e sempre carregadinho de passado
a dor da memória dá.nos vida
......ou.....torna-nos morte......
É assim como uma dor que nos alegra !
e o presente também chama..
os vagabundos...os sem abrigo...a velhice..
enfim tudo o que está sempre lá...
esteve...está e estará...
no Natal aparece e esquece...
É assim como uma realidade paralela...
.....coisa terrível.....abominável e deprimente....
mas as ausências são reais e fazem sofrer..
cada um guarda o seu sofrimento particular....
...uma caixinha com chave que abre no Natal...
e com a qual se compraz..
As lágrimas não deixam ver as estrelas......
mas da vida correm diamantes....
E as crianças esperam os néons....as iluminações !!!!
Um pinheiro verdadeiro por uma moeda de prata...
...com pinhas e tudo ...venham ! vamos buscá-lo
......para o Natal de hoje....vamos lá.....

SEDAS E SOIS

Sedas e sóis
Sedas e sóis
caíram dos céus ..
Da espuma do mar...
saíram brocados...
Dissiparam-se nevoeiros....
De palhas nasceram linhos
Abriram-se portas no mundo
Cantaram povos inteiros...
Ergueu-se a Paz florida
Nasceram rosas nos canteiros....
Pra receber um menino....
Era o menino primeiro...
Deram-lhe as fadas um nome...
Não um nome de criança...
O meu menino é de oiro.....
E o seu nome é Esperança
Margarida Cimbolini

VENTO NORTE

Vento norte
E o vento norte chegou
E trouxe o seu cheiro
Inspirei longamente 
Gosto de cheiros
Indefinível..cacau e chili
O cheiro dos Incas..
...dos loucos dos viajantes
Cheiro sem memórias..
Gosto de cheiros.
Gosto do meu cheiro
Não do cheiro a perfume
Cheiro a mulher
Gosto de bons cheiros
Do cheiro a rosmaninho....
....alecrim e do cheiro a maresia
Gosto do cheiro do tempo
Do cheiro do sonho.....
...e da alegria...
Gosto do cheiro dos homens..
...nimbados de nostalgia..
....e gosto do cheiro do desejo..
...quando o coração ri....
....gosto do cheiro da magia !
Gosto do cheiro da paixão nem
que se seja por um dia...
E do cheiro dos animais...mais o odor da erva bravia...
Quando a chuva molha a terra...quando o Sol doirado a esquenta ....
......e o luar alumia...
Gosto do cheiro que há no ar Quando a madeira arde....
....e quando a semente se cria !
Mas o melhor dos cheiros é quando o poeta renasce.....
.....e alguém diz poesia !
Margarida Cimbolini

OS MEUS AMORES


A ILHA DOS CALHAUS

A ilha dos calhaus
É ai que me vejo
em fundos blocos de granito...
...verdes com àgua
duros como aço...
..macissas pedras pensantes..
...gloriosas vitorias da natureza !
..quase desumanas..
Ao longe no fundo do desfiladeiro..
...forma -se esse rolo de nuvens..
...que se aproxima e desce até mim como cobra..
Engole tudo...e cospe..
Vejo - me de maneira diferente...
..sinto-me suja...
A terra é vermelha e barrenta...
...envolvo-me nela..
Em baixo fica o oceano onde me lavo..tingindo o de mim..
Não consigo !..quero manter.me jovem..
A mulher que vive na ilha dos calhaus é velha..
As nuvens espalham se envolvem tudo..
Manto de nevoeiro onde me escondo...
Afinal o que é o bem e o mal ?
Sei que vou acordar sozinha...
Aposto muito !
A roleta roda sou um desses numeros..
Sou ousada mas não vou mais longe...não posso parar o tempo...
Margarida Cimbolini

SABIA

Sabia
Sabia que não podia viver sem as encantadas marés
de onirismos ,quimeras de um sentir....
Marés vindas desse sitio onde só cabe a palavra ,,ir,,
Como dourar estas manhãs
Sem as doces madrugadas onde banhada em poesia
,,,deixo correr o amor
Como deixar fluir o tempo tão leve prateado
Esse tempo onde me embriago
Plural na minha singularidade
Vou servir -me versos
Alimentar as veias de azul
Vou subir de novo o cume dos horizontes
Sinto -me de novo poeta
Margarida Cimbolini

INSTRUMENTO DE CORDAS

Instrumento de cordas
Nesta visão de silêncio.
o tempo nasce nos meus dedos....
e toca
toca nos olhos molhados
de escárnio..dizem de amargura
Ressoa em mim todo o som !
 Amor
Retira- me desta serenata
estes véus brancos ...
....adensam o silêncio..
Regem cordas soltas..
pontas... restos de claves um nada ou um tudo
Pontos aqui e além..
Brilhos dourados de lábios que roçam os meus...sem me beijarem..
da-me essas cordas com que me tanges
e me repeles
Fujo do tempo..luto da palavra
onde morrem as datas..
Amo-te .....hora de minutos
vazios..
Vazo como a maré cheia.
Guarda o mar os meus sinais !
As cordas choram por mim...
Isso basta -me..
Margarida Cimbolini

ANO DE 2017

COMEÇOU O ANO DE 2017

BOCAS DE SAL

Bocas de sal
Não..não posso
escrever essas palavras que me ditas..
Posso inventar os teus sinais 
Encher contigo os meus sonhos !
Dar.te esta réplica de mim
esta que inventei há muito tempo...
Mas não me batas há porta !
bem te ouço..
em chuva a salpicar.me as vidraças
no vento versejador e mesureiro ..
Inventei.te naquele café ..há tanto tempo..
Moura e escrava me sentia tudo em mim cabia..
Tudo em mim era inteiro.
Foste vida e morte e partilha...
e sol nos dias escuros..
e luar banhando noites sem medo..
Nessas noites em que dava tudo num só e breve segredo !
E escrevi..escrevi cada dia anos a fio...
Agora não quero o teu poema...renego a tua veia ..e a minha pena..
Palavras de sal..tão belos esses versos do mal !
Esconderei de ti a minha porta...
Na minha vida és folha morta !
Quero.te como quem quer aquilo que cria...
Como o mar quer a maresia !
Ouve..... na minha porta há um batente...
Amarrei a alma com grossa corrente..
E ao meu corpo pesado retirei as asas..
Vem vestido de pensamento..
Verás como é leve o batente e como a minha alma voa
E como rebento por ti a corrente..
Vendo.te esquecerei talvez os selos das criptas..
Mas não escreverei as palavras que me ditas...
Margarida Cimbolini