quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

BOCAS DE SAL

Bocas de sal
Não..não posso
escrever essas palavras que me ditas..
Posso inventar os teus sinais 
Encher contigo os meus sonhos !
Dar.te esta réplica de mim
esta que inventei há muito tempo...
Mas não me batas há porta !
bem te ouço..
em chuva a salpicar.me as vidraças
no vento versejador e mesureiro ..
Inventei.te naquele café ..há tanto tempo..
Moura e escrava me sentia tudo em mim cabia..
Tudo em mim era inteiro.
Foste vida e morte e partilha...
e sol nos dias escuros..
e luar banhando noites sem medo..
Nessas noites em que dava tudo num só e breve segredo !
E escrevi..escrevi cada dia anos a fio...
Agora não quero o teu poema...renego a tua veia ..e a minha pena..
Palavras de sal..tão belos esses versos do mal !
Esconderei de ti a minha porta...
Na minha vida és folha morta !
Quero.te como quem quer aquilo que cria...
Como o mar quer a maresia !
Ouve..... na minha porta há um batente...
Amarrei a alma com grossa corrente..
E ao meu corpo pesado retirei as asas..
Vem vestido de pensamento..
Verás como é leve o batente e como a minha alma voa
E como rebento por ti a corrente..
Vendo.te esquecerei talvez os selos das criptas..
Mas não escreverei as palavras que me ditas...
Margarida Cimbolini