quarta-feira, 21 de junho de 2017

DESCONHECIDO

Desconhecido
desconhecida sou eu de mim
pois de mim pouco conheço
e dos outros não conheço nada
desconhecido como o cheiro da rosa
antes de a cheirar
conhecia apenas o sangue feito pelo seu espinho
o meu sangue ,seiva que me corre nas veias
seiva que transbordou quando o tempo quis
e no casulo do meu corpo viveu
e sempre transbordou nas metamorfoses do ser
o sangue foi o primeiro dos mistérios que conheci em mim
tudo era desconhecido apesar de anunciado
sinais constantes na terra nas flores e nos astros
sinais na migração das aves riscando os céus
sinais da comunhão entre mim e o Universo
no gesticular constante da alma conheci as suas humildes exigências
poderosas questões escritas na ansiedade da minha voz
que me chegavam e cujos gritos me saíam dos poros
e que só eu continuo a ouvir no abafo da pele
desconhecido foi aquele que me criou
até aquela primeira vez em que através de mim conheci a criação
desconhecida a minha rota e o meu rumo apesar de anunciada
De presságios morrerão os versos e o tempo caçoará sempre de ............................................................................mim...
Serei sempre eu ...cobaia de mim e de mim eterna desconhecida.....
Margarida Cimbolini