quarta-feira, 12 de julho de 2017

LAR

Lar

Todo aquele sitio onde posso amar
e amo ....amo esplêndida....e longa
nestes campos cheios de humanidade
a casa acolhe-me receosa
num regougo de agonia
num arfar de coração cansado...

Que se junta ao meu ...ecoando no eirado
cansadas as duas..... mas vivas e feras
com a energia de tempos antigos
e as paredes cobertas de heras..

Onde maior ajuda do que o tempo !
onde maior ajuda do que o amor....
este que me remoinha em esfera
Que me exige voz....que me exige força e paz
Que me diz ...és capaz !

Estes campos que me enchem de ternura
Que me pedem arado....e mãos e corpo e fado...
Estes campos que me viram crescer
Estes olhos ...estas espigas ... este gado....
Enorme solidão de quem está só..
...pois que nunca esteve acompanhado..

A casa ...que dimensão ...que lonjura.....
que longo e glorioso passado...

E pago comigo este meu legado..
São do meu sangue estas vinhas...
secas agora ....foram uvas peregrinas...
e cada pedra do chão saíu de mim
chama-se água suor e pão....

É da torre mais alta do meu pranto
que estou em cada pequeno recanto
Assim olhando a casa antiga e gloriosa
é com a minha pele que a cubro
e com toda a minha ansia
a levanto mais uma vez... pequena e frágil
senhora dela e de mim....senhora ansiosa...

Margarida Cimbolini