quarta-feira, 21 de março de 2018

SUSPIRIOS

Suspirios
São os casulos de seda
onde me extazio
quando o teu gesto estremece 
na sombra felina
do desejo onde me enrosco
tenho na pele as arestas da tua língua
e nos seios o breve arrepio da tua voz
surreal como o teu verso
é tudo o que ainda não foi escrito
por nós
plurais de pontas soltas
medos do sem fim
palavras quentes
que não ateamos...
singulares pudores
porcelanas lapidados na guiupur
deste bordado
onde fantasiados
de poetas
somos apenas humanos
Margarida Cimbolini...

VIDA

VIDA
sou filha de gente morta
reescrevo esta ânsia viva de ser gente
circunflexas as palavras
dão voltas singulares
no tempo reencontram ..híbridas
....e vibrantes.....
sempre um veiculo onde poisar
Pesada herança que me deixa tonta
e quebrantada..
sempre a puxar pelo tempo....
O dia a noite o Sol a Lua...
mistério inexorável onde me afundo..
A vida a morte e eu...
Este vagabundo eu que me persegue
Este singular modo de ser gente
onde sofro passado e presente
Empurrando o futuro com unha e com dente..
Alegria vã de algumas horas nunca completa..
nunca contente....
Mais ..mais e mais mais amor ! um céu maior!
uma estrela mais perto....um som mais puro...
Um poema que ressume verdade !
uma verdade que encha o mundo....
E me desperte...... mas onde essa realidade
..real e funda e mordente . ?......esta não..
Outra diferente....dimensão da morte e da vida..
Dentro há uma ....antiga mas perdi-me..
Poetas de sempre...ajudem ......
tatuem na minha testa a palavra.....VIDA !
Margarida Cimbolini

POEMA DE CAMÕES DEDICADO A CATARINA

Poemas de Camões, dedicados a Dona Catarina de Ataíde

Soneto 05


Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer
É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É cuidar que se ganha em se perder
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence, o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões

O HOMEM QUE LUIS VAZ DE CAMÕES AMOU

Na altura em que Camões terá privado mais de perto com D. António, teria este 14 ou 15 anos e o poeta uns 26 ou 27. É inquestionável que os ligava uma forte amizade.

O soneto seguinte, dedicado a D. António, após ter conhecimento da sua morte em Ceuta (29 de Abril de 1553), é um exemplo de uma eventual paixão pelo jovem, numa altura em que as letras não permitiam aos poetas que fossem mais explícitos:


Em flor vos arrancou, de então crescida
(Ah! senhor dom António!), a dura sorte,
Donde fazendo andava o braço forte
A fama dos Antigos esquecida.

Uma só razão tenho conhecida,
Com que tamanha mágoa se conforte:
Que, pois no mundo havia honrada morte,
Que não podíeis ter mais larga a vida.

Se meus humildes versos podem tanto
Que co desejo meu se iguale a arte,
Especial matéria me sereis.

E, celebrado em triste e longo canto,
Se morrestes nas mãos do fero Marte,
Na memória das gentes vivereis

OUTRA VERSÃO DA LEONOR

CANTIGA ALHEIA.

Na fonte está Leonor
Lavando a talha, e chorando,
Ás amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?

Voltas.

Pôsto o pensamento nelle,
Porque a tudo o Amor a obriga,
Cantava, mas a cantiga
Erão suspiros por elle.
Nisto estava Leonor
O seu desejo enganando,
Ás amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?

O rosto sôbre hũa mão,
Os olhos no chão pregados,

Que de chorar ja cansados,
Algum descanso lhe dão;
Desta sorte Leonor
Suspende de quando em quando
Sua dor; e em si tornando,
Mais pezada sente a dor.

Não deita dos olhos ágoa,
Que não quer que a dor s′abrande
Amor, porque em mágoa grande
Sécca as lagrimas a mágoa.
Despois que de seu amor
Soube novas perguntando,
D′improviso a vi chorando.
Olhae que extremos de dor!

DESCALÇA VAI PARA FONTE LUIS VAZ DE CAMOES

Descalça vai para a fonte - Luís Vaz de Camões

Descalça vai para a fonte
Leonor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura

quarta-feira, 14 de março de 2018

ALMA MINHA GENTIL QUE TE PARTIS-TE

Alma Minha Gentil, que te Partiste

Alma minha gentil, que te partiste 
Tão cedo desta vida descontente, 
Repousa lá no Céu eternamente, 
E viva eu cá na terra sempre triste. 

Se lá no assento Etéreo, onde subiste, 
Memória desta vida se consente, 
Não te esqueças daquele amor ardente, 
Que já nos olhos meus tão puro viste. 

E se vires que pode merecer-te 
Algũa cousa a dor que me ficou 
Da mágoa, sem remédio, de perder-te, 

Roga a Deus, que teus anos encurtou, 
Que tão cedo de cá me leve a ver-te, 
Quão cedo de meus olhos te levou. 

Luís Vaz de Camões, in "Soneto

as cinco mulheres que LUIS VAZ DE CAMÕES AMOU

No romance que estou a escrever, a minha viagem com Luís Vaz cruza o tempo e o espaço. Cruza o mar e o céu através da voz das cinco mulheres que Luís Vaz terá amado: Violante, Catarina, Francisca, Bárbara, Dinamene. Será o século XXI próximo do século XVI, pelo menos no amor? Quem vou conhecer, com quem vou falar? Quantos barcos e aviões vou perder? Em que portos vou perder-me?

RELATIVO AO SONETO SETE

Este soneto de Luís de Camões é um dos que tem sido mais analisado.
Como defensor da liberdade de expressão, de opinião e da criação, há mais de 40 anos, vamos apresentar o nosso ponto de vista sobre este tema ligado ao texto bíblico.
Em primeiro lugar devemos ter presente que a obra camoneana expressa a filosofia rosacruciana, como o amor e a luz da libertação.
Lendo os Capítulos 29 e 30 do Génesis, com mente aberta, vemos diversos dados que serviram para o poeta do amor cantar esta passagem mais ou menos amorosa e essencialmente alegórica.
Jacob, neto de Abraão, ao ir para casa de Labão, desposa as duas filhas e acaba por ter mais duas, as criadas de cada uma delas. Ou seja, Jacob teve 4 esposas.
Em Carta aos Gálatas, Capítulo 4, versículos 21 a 31, S. Paulo ao referir-se a Abraão e não só, esclarece que estas passagens são alegóricas.
Na realidade, a Bíblia está cheia de símbolos, de mitos, de parábolas, de alegorias, não é um livro aberto.
Abraão, em hebraico quer dizer o Pai dos Povos. Por sua vez, Labão, do hebraico, lâbhân, significa, alvo, branco. Quanto a Lia expressa a palavra vaca; enquanto Raquel, hebraico, rãhel, significa ovelha.
Jacob, de acordo com a Escola a que Camões pertenceu, é uma alegoria astronómica. Ele representa o Sol, as 4 esposas, as 4 fases da Lua e os seus 13 filhos, melhor 12, pois, Simeão e Lévi são um par de irmãos, refere-se ao signo Gémeos, são representações das 12 Constelações do Zodíaco.
Surge ainda o número sete que está ligado aos 7 dias da criação, como aos 7 dias da semana, às 7 notas musicais, aos 7 Logos diante do Trono, e assim por diante.
Com estas notas concluímos que Camões, partindo destas passagens, cria uma obra plena de amor e de filosofia esotérica.
O enredo é pois cósmico, onde reina o amor, a luz, o movimento. Outra nota a realçar é a palavra: servir. Ora Cristo afirmou que o maior de Vós é o servidor de todos.
Se o ligarmos ao Cristo Cósmico surge o Sol, fonte de energia e de luz. As esposas referem-se à maternidade, à criação, por isso, surge a alegoria da Vaca, símbolo do alimento original da vida, com ligações mais ou menos mitológicas à Lua.
A cor branca é expressão de Deus que se reflecte nas 3 cores primárias: azul, do Pai; amarelo, do Filho; e Vermelho, Espírito Santo, Javé.
Como mola real o AMOR, em actividade constante por 7 mais 7 e mais 7, amor que é serviço altruís

MANSAS ÁGUAS

mansas aguas
águas mansas e andorinhas
batem nas minhas janelas
as aguas choram comigo
as aves voo com elas
chamam a Primavera
estas aves de azeviche
gostava de ser uma delas
migrantes de voos leves
são tão simples como belas
o vento enfunila-me a vela
o tempo joga comigo
a vida estou farta dela
mas sonho ainda contigo...
é que amor nunca esquece
a quem se habitua a amar
só tem amor quem merece
segreda o branco luar
mas a lua minha mãe
diz-me que na lua cheia
o amor espera-me além
atrás daquela oliveira
diz-me que venha sozinha
para não o assustar
e se estiver uma moura
por baixo da oliveira
será para me encantar
e terei a vida inteira
.pr,amar........amar ...amar e amar...
até que o amor me doa..
..até que a lua inteira
comece a descer do céu....
....e de manso de mansinho
. acabe por minguar.
tornando este amor tão grande..
num amor mais pequenino
que possa por um instante
ser de andorinha....ninho....

MALDITA POESIA

Maldita poesia
porque te deixas comprar..
tu és minha
és os anos de paixão
os meus anos
esta cruz que eu carrego
este grito de revolta
Esta vida que me sangra
que me corta
a minha espada
o meu raio
a minha porta
Vejo-te assustada
mentindo na falsa furia das palavras usurpadas
contida em lamentos de sentidos
em razão do que não presta
Tu tens de valer !
és o meu navio
o meu mar o meu riso o meu pontão!
Tu tens de ser..
Tens de ser verdade!
quero ouvir o teu grito!
Não te escondas atrás desse sorriso vicioso
da.me o fundo de ti
tu não gemes ! tu cantas !
Grita comigo e com a saudade
Grita comigo Liberdade
Margarida Cimbolini
(dedicado a 31 anos de historia Zeca Afonso)

MEDO

Medo
Nos dedos
dos homens
cresce o medo
Expressão errática e comun
muito usada em Dachau.
O medo acossa o amor
é o hábito a rotina
aloja-se nos olhos !
reside nas jaulas
nas grades invisíveis
que sustentam os vitrais das igrejas...
nas viseiras nos escudos nas
grutas onde os ratos se despem.
Onde os ratos rebolam nus e procriam
O medo é a memoria ..
é a raiva ...a ignorância...
Está nos interstícios dos dentes...
Na fome...nas virgulas nos infinitos pontos finais !
Cresce no fogo ..imune ás chamas..
Cresce nas vozes que não se ouvem !
Aloja-se nas escuras cavernas da mente....
Está nesses que cheiram a vida ...de longe....
nos que temem os abismos...
e sugam a morte
Nas vertigens margens de todas as dores...
......é o senhor de todos os males..
Serve o poder que oprime os povos...
derrota todos os mundos..
Os homens têm medo...
por isso a humanidade nunca dorme !

RAIAR

raiar
pousa em mim o verso
sussurrando orações
colando o grito
onde o Sol não penetra
pousa no meu corpo arrefecido
vestido de mim
e de mim perfumado
no sal morno
da liquida madrugada
plena de lua cheia
pousa na lívida ansiedade
dos meus olhos feridos de negro
da minha pele tatuada de fresco
desnuda-me de todos os véus
e no avesso de mim
renasço pouco a pouco
enquanto o gelo feito água
principia a dar lume á minha sede

DESEJO

desejo
doce e quente era a melodia
da cascata no seu marulhar
quente estava o dia
e nem uma brisa se ouvia
nem um vento a refrescar
ao som da cascata a paixão subia
nos corpos nus a rolar
mãos corriam ...ternas exigentes
mãos de mulher ....doces
mãos de femêa fermentes
as bocas misturam-se nos sexos
soltam-se beijos no ar
as peles roçam como sedas
e sente-se o roçagar
Eros ergue-se celebrado
nas gotas brilhantes
nas línguas cintilantes
onde pernoita o luar
cem anos de crepúsculos
´sobre o dom humano de amar
sobre o ufano ardor dos sexos
cem vezes penetrados
em folhos ..em fendas ...em lendas
tesos...... ressemeando odor
o odor do amor
em desejos sem fim
em louco e continuado frenesim
nunca o desejo satisfeito
alumiado por chamas tão ardentes
se banhou por fim
na cascata da doce melodia
onde pouco a pouco acabou por nascer o dia..
Margarida Cimbolini
MULHERES NO BANHO, DE TAMARA DE LEMPICKA
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terça-feira, 13 de março de 2018

ANCORA

Âncora
Metade raiva
metade medo
Metade amor
metade segredo
Sendo Mar e Maria
A âncora pesada e lerda
pontiaguda e bela
..Lancei a toda a vida...
Âncora que carreguei no dorso...
tomando o tempo por carnaval
e o meu caminho por corso
O vento fustigou- me o rosto
e o rumo na rota do céu era velho..
mesmo quando parecia moço !
Âncora desgraçada com que prendia a viagem...
e corria na margem...
criança e mulher louca...
cuja voz frágil e rouca..
se gastava na vida sempre pouca !
Pouca pequena e frágil vida...
...pra' alma tão nua...
tão despida tão crua !
Tanto coração!
ego tão à solta ..
...sem ela a âncora..
quem lavraria a terra negra !
como levedar a nata branca !?
E agora ...que me falta a força...
que me escasseia a esperança..
Como carregar a velha âncora ..!?
Margarida Cimbolini
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SEGREDOS

Segredos
são medos
enrredos ...torpedos
fragatas gigantes
são cascatas...montes
e flores de lis
Segredos anões e gigantes
Segredos de amor
são sonhos são dor
são beijos de amantes...
Segredos mentiras..
acoitam farsantes...
com bailes de rimas...
suaves galantes
Os rostos são mudos..
os dedos são frios !
as palavras mansas
os olhos risonhos
reversos amargos ..
de frustados sonhos !
Segredos são ondas
à luz do luar
na noite são risos.
de dia pecados
de noite são brilhos
e de dia andrajos
Segredos são anjos!
pernoitam na alma...
são segredos brancos..
com cheiro a jasmim !
nem eu sei os segredos que habitam em mim....
Margarida Cimbolini

SE

Se
se não tivesses morrido
eu teria alguém para tocar as músicas dos Beatles
e não teria vendido a guitarra
a tua barba estaria branca
e talvez tivéssemos netos!
Se...não tivesses morrido..
O meu sorriso
não estaria seco
e cantarias os meus versos !
Escutaria-mos Léo Ferre...e Zeca
e Tom Jobim
e de madrugada..as nossas vozes soariam nas montanhas
e no céu a nossa nuvem seria agora maior...
Se....
estarias ao meu lado apesar de todos os loucos
onde te procurei..
E a tua colecção de LPS estaria cá..
e as minhas bonecas de porcelana viveriam ainda...
...e havia de rir-me das tuas mentiras...
Teria-mos a cabana no meio das laranjeiras..!
e debaixo de agua seríamos um só...
Em tantas chegadas e partidas se não tivesses morrido!
...estaríamos juntos...
e desenhava-mos as rugas
na areia molhada
.. à beira mar...
onde nos estendia-mos a juntar constelações !
Margarida Cimbolini

sábado, 10 de março de 2018

BIOGRAFIA DE CAMOES

Luís de Camões

Poeta português

Biografia de Luís de Camões

Luís de Camões (1524-1580) foi um poeta português. Autor do poema "Os Lusíadas", uma das obras mais importantes da literatura portuguesa, que celebra os feitos marítimos e guerreiros de Portugal. É o maior representante do Classicismo Português.
Luís de Camões (1524-1580) nasceu em Coimbra ou Lisboa, não se sabe o local exato nem o ano de seu nascimento, supõe-se por volta de 1524. Filho de Simão Vaz de Camões e Ana de Sá e Macedo, ingressou no Exército da Coroa de Portugal e em 1547 embarcou como soldado para a África, onde participou da guerra contra os Celtas, no Marrocos. Durante o combate perde o olho direito.
Em 1552, de volta à Lisboa frequentou tanto os serões da nobreza como as noitadas populares. Numa briga, feriu um funcionário real e foi preso. Embarcou para a Índia em 1553, onde participou de várias expedições militares. Em 1556, foi para a China, também em várias expedições. Em 1570, voltou para Lisboa, já com os manuscritos do poema "Os Lusíadas", que foi publicado em 1572, com a ajuda do rei D. Sebastião.
O poema "Os Lusíadas" funde elementos épicos e líricos e sintetiza as principais marcas do Renascimento Português: o humanismo e as expedições ultramarinas. Inspirado em A Eneida de Virgílio, narra fatos heroicos da história de Portugal, em particular a descoberta do caminho marítimo para as Índias por Vasco da Gama. No poema, Camões mescla fatos da História Portuguesa à intrigas dos deuses gregos, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador.
Um aspecto que diferencia Os Lusíadas das antigas epopeias clássicas é a presença de episódios líricos, sem nenhuma relação com o tema central que é a viagem de Vasco da Gama. Entre os episódios, destaca-se o assassinato de Inês de Castro, em 1355, pelos ministros do rei D. Afonso IV de Borgonha, pai de D. Pedro, seu amante.
Luís de Camões é o poeta erudito do Renascimento, se inspira em canções ou trovas populares e escreve poesias que lembram as cantigas medievais. Revela em seus poemas uma sensibilidade para os dramas humanos, amorosos ou existenciais. A maior parte da obra lírica de Camões é composta de sonetos e redondilhas, de uma perfeição geométrica e sem abuso de artifícios, tudo parece estar no lugar correto.
No século XVI, em todos os reinos católicos, os livros deveriam ter a aprovação da Inquisição para serem publicados. Isso ocorreu com "Os Lusíadas", conforme texto de frei Bartolomeu, onde comenta as características da obra e ressalva que a presença de deuses pagãos não devem preocupar porque não passa de recurso poético do autor.
Uma das amadas de Camões foi a jovem chinesa Dinamene, que morreu afogada em um naufrágio. Diz a lenda que Camões conseguiu salvar o manuscrito de Os Lusíadas, segurando com uma das mãos e nadando com a outra. Camões escreve vários sonetos lamentando a morte da amada. O mais famoso é "A Saudade do Ser Amado". Camões deixou além de "Os Lusíadas", um conjunto de poesias líricas, entre elas, "Os Efeitos Contraditórios do Amor" e "O Desconcerto do Mundo", e as comédias "El-Rei Seleuco", "Filodemo" e "Anfitriões

quarta-feira, 7 de março de 2018

O AMOR

O amor
Oh mas eu amo !
eu amo tanto !
Tanto que eu amo esta alma encastoada em prata
onde correm rios e mares
vindos não se sabe de onde
e sem destino...talvez eterno..
E como eu amo a beleza ..e as cores !
como eu amo a doce singeleza dos pequenos amores..
Como eu amo o mar sem fim..
e a terra e a lua
e as flores ..
E os caminhos que correm dentro de mim..
e a luz e a música!
e o cheiro e os sabores que sendo do mundo são só meus !
Que estão abertos em mim !
Amo ! como eu amo a vida que anima os seres ! e a voz das aves!
E das fontes como amo a àgua pura...
e nas manhãs como amo o Sol
e amo a bruma !
e amo aquela leve pluma....
que o meu sopro faz adejar assim !
Como me embriago de infinito....
na brisa e ao sabor do vento !
consiga o meu amor afastar o precipício !
Consiga erguer em mim o louvor do meu grito !
E amando consiga eu dizer a cada dia ...sim !
Margarida Cimbolini

SE TUDO IMPORTA

Se tudo importa
Abre a porta da fragilidade
e espreita..
Se tudo importa guarda-me em ti
rasga o meu sorriso....
Não julges nada
coisa alguma será julgada.
A noite senhora de mim
enche a estrada de pirilampos.
e a lua brilha
também na Síria
também na Somália.....
Na noite onde as orações se erguem
as folhas mortas juncam o chão ...
mas o dia nasce sempre !
Se tudo importa !
porque te importas só contigo?
Escrevo tanto para mim quando me interrogo !
Porquê?
se tudo importa...
Margarida Cimbolini

IR

IR
ir
ir onde não haja ninguém
onde nunca uma janela tenha sido aberta
nem um único animal tenha uivado
onde sem jaula voguem universos
e cometas joguem uns nos outros bolas de fogo
ir
no caudal das correntes
no dorso do vento suão
no voo que nenhum pássaro
tenha voado
ir
ao cemitério de todos os mistérios
submergir no hálito dos dragões
roçar escamas de peixes
e caminhar no Olimpo
feita deusa de bronze

o xaile

O XAILE
De seda é o xaile que cobre os teus ombros
menina bonita olhos de cetim
menina suave de gráceis maneios
guarda o teu xaile nos ombros desnudos
séria e formosa olhas a flor
mais bela que ela és tu meu amor
menina bonita de pele branca e nua
és tu aquela em que me revejo
lembro-te ainda e em sonho te beijo

SOU

SOU
sou deste Inverno o mais velho dos galhos!!
dos dias curtos soberana
pois na noite me consagro
senhora dos negros profundos
mundana nas trevas dos mundos
amante da lua cheia
Serei mulher por acaso
desde que penso e sinto
sempre pensei e senti
e tudo aquilo que sei
pergunto-me o que .... aprendi
não... eu apenas nasci....
Margarida Cimbolini.

NO VALE DO AMANHECER

No vale do amanhecer
conhece os meus olhos nus
Tacteia com teus dedos breves
os poros.....
.......esses que abris-te
no sonho
................mesmo à beira da lua....
À sombra de uma cruz
está o meu corpo de serpente
esse de mulher antes de ser gente
Trago escamas no regaço...
aqui tens uma mão cheia de pirilampos
acharão vaga de lumes em ti...
Procura' no vale do amanhecer
forma difusa de mim
sou essa que hei-de ser
sou pecado
Maçã e serpente..
..o agora de ontem de hoje e da manhã
onde nasci
Mulher de ti
Eras tu favo de mel
irmão de Caim..
Oh !
como te amei !
ainda lá estou..
nas iluminuras antigas
Procura.me no vale do amanhecer
saberás quem eu sou...mulher serpente
Criatura criada e nunca nascida
Espero.te