Na altura em que Camões terá privado mais de perto com D. António, teria este 14 ou 15 anos e o poeta uns 26 ou 27. É inquestionável que os ligava uma forte amizade.
O soneto seguinte, dedicado a D. António, após ter conhecimento da sua morte em Ceuta (29 de Abril de 1553), é um exemplo de uma eventual paixão pelo jovem, numa altura em que as letras não permitiam aos poetas que fossem mais explícitos:
Em flor vos arrancou, de então crescida
(Ah! senhor dom António!), a dura sorte,
Donde fazendo andava o braço forte
A fama dos Antigos esquecida.
Uma só razão tenho conhecida,
Com que tamanha mágoa se conforte:
Que, pois no mundo havia honrada morte,
Que não podíeis ter mais larga a vida.
Se meus humildes versos podem tanto
Que co desejo meu se iguale a arte,
Especial matéria me sereis.
E, celebrado em triste e longo canto,
Se morrestes nas mãos do fero Marte,
Na memória das gentes vivereis