domingo, 26 de agosto de 2018

cAL

cAL

de cal pedra e sangue
é o poema
as suas arestas ferem
os seus rugosos bordos
magoam os lábios
entumecem a língua
Como pénis em púbere vagina
penetra a minha rima !
Quero espada de poesia
no útero imberbe e virgem
me retiro da mente..
Escondo o poema latente...
aquele que lateja e arde
que fura a terra como semente...
Que fala de ser.. da alma.....
aquele que geme e sente.....
De cal pedra sangue é o poema....
é ele o húmus da gente.....
Aquele que cala e consente a mentira
cujo suor me tomba aos pés
Que finge ser dor e é alegria....
Quero esta fina dor....quero ser poesia !

Margarida Cimbolini