terça-feira, 28 de agosto de 2018

FUJO

fujo
fujo da morte
mas não lhe sei o nome
não a conheço
bebo-a todos os dias
logo ao acordar
depois esqueço
pôr o pé no soalho
magoá-lo no espelho
que espalho no chão
estilhaçando-o
é morrer
e morro...horas....e horas
até me apetecer viver
não gosto que me acordem de manhã
mas não quero dormir de dia
tenho medo de morrer
morrerei á noite.
por agora cavo o túmulo no vazio
todos os dias antes de querer viver
morrerei se não puder amar
não sobrevivo a mim
cansada olho a vida de longe
os meus amores magoam muito
são muito cruéis
então morrerei na noite e sózinha
tal como nasci
Margarida Cimbolini