quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

NA CIDADE

Na cidade

Nas retinas enevoadas pelas luzes
o verde permanece,
mas sempre orvalhado !
Ah memórias invasoras
porque faiscam ?
E gesticulam e duram sobrepondo-se ao tempo..
Restos de outras luzes e de outras cidades gritam !
As melodias distantes
batem como sinos
no vazio de um presente surdo...
Nos regatos a solidão agudiza-se..em gelo..!
Silêncios povoados de giestas , gotejam..
Perfumes de roxas violetas
brilham loucas e dançam e caem !
Tombam como folhas murchas engelhadas pela sede...
fumegam como estrume..
Está hoje o céu tão alto !
e as palavras tão duras!
Está hoje tão longe o quente..
E tanto vento disfarçado de brisa...vagueia no asfalto..
A cidade queima incandescente de brilhos de sons e de luzes !
Que estranha me sinto minha cidade !
Estranheza e solidão no meio dos ócios destas ruas..onde os lagares sangram...
Venho de manso e largo as minhas cinzas !
Aflita olho como elas voam !
Afinal as cinzas ainda podem ter asas...
Margarida Cimbolini