quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

LEMBRO

Lembro
Recordo - te
Talvez a ti ...talvez ao amor !
Já não sei quem eras...
Alguém que ficou na minha pele...
Nesta pele que me veste de gente..
Nesta pele que transpira ..que guarda e que sente !
Indelével a mancha do amor !
Mais forte que a dor..
Tudo passa mas o amor fica...
É passado futuro e presente..
....subsiste e grita..
na pele ...nos poros na alma !
A verdade marca .
...recordo !
Já esqueci o nome .. mas tenho em mim o carinho....
De tudo o que em mim fez ninho...
das asas ...do infinito onde voei !
Vôo agora meu amor..
Se foi vôo..meu amor de algum dia..
Foi porque amei !
Margarida Cimbolini

O VIDRO NU

Vidro
O vidro nu
embacia com o hálito da respiração ofegante...
Pranha de prazer !
Pranha de desejo !
Paira o cheiro ..doce do amor...
O cheiro acre do sexo...
As palavras rolam como seixos húmidas de beijos ,,,húmidas de dor...
Gritam de sufocadas! de contidas..
Misturam-se na boca rolam nas línguas...
Enredam-se nas pernas trocadas !
Sobem nos corpos enlaçados !
Mudas as palavras ferem e derramam sêmen
no orgasmo da carne...
Híbridas e transparentes..
As palavras unem -se fazem amor !
Erguem - se muros...
Tombam castelos ! rompem - se cadeias....
O mundo estremece sem rima ! É frágil como vidro...
É pobre e pequeno o verso !
É curto o tempo e o espaço...
A paixão transborda doida e furiosa violenta e cruel...
sabe a vinho e a mel !
Exije e logo esquece..quer tudo..
e não sabe o que mais quer !
É fertil..lirica febril !
A paixão é femea é mulher...
A paixão queima de dor !
São mais do que dois amantes ...
São dois poetas a fazer amor !
Margarida Cimbolini

POESIA

poesia
A poesia não é luto
é vida
não te vistas de preto
não me leias só
como quem lê
não me cheires
aspira-me
não me afagues em festas de rir
toma-me
suspira-me
faz de mim ar
planta velha simbiose volátil
semente de alecrim
queima-me
e terás as cinzas quentes do verso
na veia do poeta injecta-me
mistura-me no vinho
no vinho cor de violeta
onde navegas sozinho
esta é a poesia de quem
escuta as estrelas
barco de eternidade esburacado
teclas de piano em desordem
ossos de anjo,asas de rola
olhos de águia cega
esta é a poesia de quem espera
alquimia de seiva e de sangue
esta é a poesia que não se extingue
e nunca será morte

INTENTO

intento
louco intento o meu
baldada razão fugida
que me trouxe assim à vida
tão cheia de pensamento
neste mundo multiforme
rodeada de muros de névoa
nunca em mim o tempo dorme
sempre perscrutando o infinito
querendo saber da alma humana
num constante e fundo grito
loucura sem par ...baldado intento
quem poderá saber
se o Sol persiste
em luz de amor....em claridade
ou se só a treva existe
nestes abismos de maldade
em cada ser em cada alma vive
um mundo de mistério
....fundo e vasto como o mar
como hei-de eu onde tudo o que é mortal subsiste
decifrar tal mistério..
..... e viver assim inquieta
sempre sem ramo onde poisar..
absorta e triste..
caminhando sem achar p,ra mim lugar !
sendo que tal lugar não existe !

MERENDA

Merenda
Na merenda da
memória ficou a palavra..
Fruto maduro e cheio...
...Ameixa cor de musica
A palavra eivada de seiva
escorrendo desse castelo sem ameia
Dessa tua luz sem candeia !
As palavras da tua boca ecoam
ainda que breves
na minha história !
Neste cantar escondido...
que eu canto !
Ecoa o teu encanto !
Esse encanto velho e ansioso de um mundo só teu...eterno amoroso...
De fantasia ! de solidão ! de mentira !???
Foi breve o encontro de beijo fogoso .... beijo de ar..de água..de vidro...
Apenas um beijo com sabor a figo..
Ficou a palavra na merenda da memória....
Tu és palavra que por segundos entrou na minha enorme e antiga historia...
Margarida Cimbolini

O VENTO

O vento
O vento queima nestas montanhas onde me abriguei...
.Sinais antigos me queriam reter...
Rocha me pensei.
O vento queima ...
............................amanhã tratarei da cicatriz...
Peço mais tempo e reflectirei ainda mais.
Não tenho o direito de me expor assim à dúvida ignorando os sinais
Não posso esquecer a alma
se o carácter é caro..
A alma não tem preço...
Margarida Cimbolini.

TU

Tu
tu meu amor
minha aragem madura
meu espaço vazio de dor
minha respiração
minha lonjura
minha pele tão morena
na minha brancura !
Carícia molhada de amor
é esse teu beijo
que me beija e perdura
No teu peito sinto o vento...
e chamas- me madressilva
eu olho para os teus olhos
e vejo toda uma vida
São teus lábios
os caminhos
onde me quero perder
e queres saber se sou tua...
de quem poderia ser !!!?
se cada hora me jura
mais uma hora viver..!
Despojos dos dias
Despojos do dia e pombas brancas
...veem por vezes visitar - me
Veem de manhã ou à noite
...quando já não espero..
....quando deixo a melancolia ...
na melancolia de qualquer lenda
....e entro nos meus pensamentos !
São pedaços ternos e lentos...
....despojos...
...dos dias ..das noites ..da vida...!
Da que vivi e da que não foi vivida...
..... mas que é tão importante como outra coisa qualquer...
...pedaços que me enchem e preenchem..
....como um filme antigo que já se viu muitas vezes e que ganha novas formas....
Como um livro que já se leu e do qual nem uma palavra se esqueceu....
Mas ...difícil de contar vem e vai....
Umas vezes homem outras mulher....
...ou musa ou malmequer....
Despojos de Sol pedaços de lua e pombas brancas vindas do mar....
Despojo os dias todos os dias... um por um como um desfolhar ...
...bem me quer !... malmequer ..! muito pouco ou nada..
....dou comigo a perguntar...
Ninguém me responde e fico despojada e a sonhar...
Margarida Cimbolini

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

lLUA CANDEIA

Lua Candeia !
Que a lua me traga o desejo de amar perdidamente
e esse amor se agigante
e cresça ...e de abundante chegue pra toda a gente !
Lua cheia..
... lua de prata !
Brancura de neve !
Brancura de nata !
Peço à lua asas maiores !
E um voar alto..mas sem ruído..
Um voar por dentro onde não há perigo...
Uma brisa doce..
Um vento quente..
velado sorriso...
E sonho verdade !
Sonho perdão !
Caminho aberto no coração..
Claridade neste minúsculo postigo ...
À minha lua da noite..à minha lua do dia..
eu peço Paz e Alegria.
Margarida Cimbolini

NARCISO

Narciso.
corro na alameda dos meus ciprestes
salto cercas e barreiras
planto na minha boca as aguas dos rios
no meu corpo o cheiro a sal
encho os olhos de mar
e com beijos nas mãos cheias
permito-me ser ave
são plumas estas minhas asas
as penas largo ao sabor do vento
e rio de mim...porque me quero
e sonho comigo porque me amo
esqueci os sonhos dos outros
e roço minha pele nos meus doces delírios
será que Narciso me persegue....
ou quando miro a minha imagem no lago
enxergo um ser habilmente solitário...
Margarida Cimbolini.

ANTES DO INVERNO

Antes do Inverno
Antes do Inverno estava muito Sol e aproveitava as sombras.
Era aí que sonhava !
Agora tudo continua ...estou mais frágil..
Procuro - me em tudo..
Estou nos quadros de que gosto como se morasse lá dentro !
Ouço a musica que amo como se fosse eu a toca - la..
Sinto tudo demais !
e sonho atrás das sombras como um cipreste nascido à beira de
um lago ...
Ouço ao longe os meus canaviais apesar de não os ver ! ..e apanho violetas roxas que ainda não desabrocharam..
Vivo num mundo em que nada é real e mesmo assim tudo continua...
A fronteira é muito tênue...cada vez mais pequena !
Tudo é importante e nada carece de mim para o ser ou para o não ser..
Esqueço isso constantemente e sou assim o centro do Universo que crio a partir do nada ..
Antes do Inverno sentia - me gaivota...
Agora o frio deixa - me morna lânguida como uma gata !
Esqueço- me de mim.. rejeito o género o tempo e o modo...
Deixo - me levar pelo frio e tombo como neve nos brancos caminhos muito leves que traço no meio das serras e onde me afundo na neve !
Antes do Inverno era gaivota agora pairo nas nuvens azuis e cinzentas e sou uma delas !
Antes do Inverno serei de novo flor serei uma outra Margarida..
Margarida Cimbolin

ViIDRO

Vidro
O vidro nu
embacia com o hálito da respiração ofegante...
Prenhe de prazer !
Prenhe de desejo !
Paira o cheiro ..doce do amor...
O cheiro acre do sexo...
As palavras rolam como seixos húmidas de beijos ,,,húmidas de dor...
Gritam de sufocadas! de contidas..
Misturam-se na boca rolam nas línguas...
Enredam-se nas pernas trocadas !
Sobem nos corpos enlaçados !
Mudas as palavras ferem e derramam sêmen
no orgasmo da carne...
Híbridas e transparentes..
As palavras unem -se fazem amor !
Erguem - se muros...
Tombam castelos ! rompem - se cadeias....
O mundo estremece sem rima ! É frágil como vidro...
É pobre e pequeno o verso !
É curto o tempo e o espaço...
A paixão transborda doida e furiosa violenta e cruel...
sabe a vinho e a mel !
Exije e logo esquece..quer tudo..
e não sabe o que mais quer !
É fertil..lirica febril !
A paixão é femea é mulher...
A paixão queima de dor !
São mais do que dois amantes ...
São dois poetas a fazer amor !
Margarida Cimbolini