No verde
Entro no verde com força
apalpo-o...sinto-o ouço o seu eco
quente...
... com odor a terra
As copas tocam-se por vezes
já as raízes não....
vigorosas ou débeis ..afundam-se
procuram o húmus
expandem se paralelas
Entumecidas como sexos
salientes ...grossas....belíssimas...
algumas de enormes árvores centenárias
A seiva corre coleante ,viva......engrossa...
torna-se resina...cola-se ao tronco....
São terrível e assustadoramente vida....
Quase espero que se movam...
Quase espero que me falem........
eu falo com elas....ouço o rumorejar das folhas....
Os meus tordos são pesados e muitos....
Alma no meio das almas ...vida no meio de vidas..
solitária como todas as almas......solitária como todas as vidas
...soçobro...choro...as lágrimas tombam em cascata..
soluço ...urro...tudo em mim grita........
São pesados os meus tordos........mas há o amor...
não se vê...não se mexe...é silêncio .........
..exige atenção....é ele que nos une é a resina que nos cola
.....e no amor cabem as almas ....a vida e a morte.......
e mais uma vez faço o meu luto ,,só,......
,,,,,,ausências .........
presenças que carrego....... que amo..............
Também as árvores se vestem de luto.....
