sós
um a um vi-os tombar ...a eles
aos tordos do meu beiral
vinham sempre doentes
resto de poetas
resto de ascetas
vinham de longas barbas
carregados de Pessoa....
emboscados de Natália...
traziam Ary nos bolsos
Florbela em flagelos
Mario Quintana nos sonhos
corria-lhes Bouto nas veias
e Betonvenh nas orelhas
não vinham sós
traziam as noites de Lisboa.
estampadas nas olheiras
e livros montes de livros instalados há cabeceira
morreram todos e todas
deixaram pilhas de escritos... de quadros....
e de guitarras... tenho o prelúdio de tudo
de vidas e cabeçadas
tenho papeis rabiscados.. desenho inacabados
gritos mal desenhados....
muitos iguais aos meus. !. fotos do botequim...
e a solidão moral grita por todo lado
nesta casa que eu herdei com 2 séculos já passados
não a casa onde nasci ...mas esta casa alada
mesmo muito afastada aqui eu sempre vivi
aqui aprendi a amar...um amor sem condições...
e foi aqui que li as primeiras edições..
dos livros que já vendi para pagar aos papões
as pratas também já se foram...o ouro foi o primeiro
ficou a solidão toda pra mim...por inteiro
não quero a aguardente e nem o vinho da terra
quero alguém que me trave nesta louca e grande guerra
deles herdei poesia amor e talento rodos
deles herdei esta agonia de ser mais um dos tordos
e herdei este rio de amor que me trespassa em fogo
e este nojo visceral pela hipocrisia ....
pela mentira..... pelo falso arrojo...
.....pela beleza crispada pelo plágio...e pelo roubo..
noites há como a de hoje em que o peso é muito grande
e caio na melancolia como um destes meus tordos...alado e viajante...
aos tordos do meu beiral
vinham sempre doentes
resto de poetas
resto de ascetas
vinham de longas barbas
carregados de Pessoa....
emboscados de Natália...
traziam Ary nos bolsos
Florbela em flagelos
Mario Quintana nos sonhos
corria-lhes Bouto nas veias
e Betonvenh nas orelhas
não vinham sós
traziam as noites de Lisboa.
estampadas nas olheiras
e livros montes de livros instalados há cabeceira
morreram todos e todas
deixaram pilhas de escritos... de quadros....
e de guitarras... tenho o prelúdio de tudo
de vidas e cabeçadas
tenho papeis rabiscados.. desenho inacabados
gritos mal desenhados....
muitos iguais aos meus. !. fotos do botequim...
e a solidão moral grita por todo lado
nesta casa que eu herdei com 2 séculos já passados
não a casa onde nasci ...mas esta casa alada
mesmo muito afastada aqui eu sempre vivi
aqui aprendi a amar...um amor sem condições...
e foi aqui que li as primeiras edições..
dos livros que já vendi para pagar aos papões
as pratas também já se foram...o ouro foi o primeiro
ficou a solidão toda pra mim...por inteiro
não quero a aguardente e nem o vinho da terra
quero alguém que me trave nesta louca e grande guerra
deles herdei poesia amor e talento rodos
deles herdei esta agonia de ser mais um dos tordos
e herdei este rio de amor que me trespassa em fogo
e este nojo visceral pela hipocrisia ....
pela mentira..... pelo falso arrojo...
.....pela beleza crispada pelo plágio...e pelo roubo..
noites há como a de hoje em que o peso é muito grande
e caio na melancolia como um destes meus tordos...alado e viajante...
