sexta-feira, 8 de junho de 2018

AS MÃOS

As mãos
seguem desventuradas
agudas esventradas
segundos minutos horas anos
seguem
seguram a última memória
agarram
sugam arranham
finas rugosas
rígidas ou móveis
seguram o lodo
no cais
perseguidos pelas veias azuis
cruzadas de Sóis
alinhavam ainda as linhas
do manto de névoa com que se escondem
as mãos morrem sempre
primeiro...
Margarida Cimbolini