sábado, 9 de junho de 2018

FUNDO

Fundo
Dentro de mim batem asas todas as borboletas do infinito....
e as palavras brotam...surgem luminosas..humildes ..gentis..
Pedem que as escreva querem vida e calor...
Porque lhes resisto ?
Porque se negam os meus dedos a escrevê-las...
e os sentidos a senti~las ?
Porque não as abraça a alma e não as torna suas ?
Ver a dor das gentes tornou-as mentirosas !
Ver a fome que grassa entre elas e que a dor o sofrimento
e a agonia fazem entre elas o seu ninho gritam que as não creia.
A alma intacta gesticula e geme !
Mas as palavras não sabem defini-la.....
Então para que as quero ? para que me servem ?
Prestam pouco !
enganam os poetas e enchem as virgens de estranhas vergonhas....
Rasgo as de mim .....ouço os olhos das crianças que nunca brincaram...
e a angústia dos que não ouvem alma e tremo !
para quê escrevê-las se dizem mentiras ....
Rogo a mim própria com estas palavras que me atraiçoam o dom da escrita !
As palavras sufocam e não cabem em mim...