Livre
Soltas-te a minha quadriga na cidade !
Galopam...
Que será deles sem rota e sem freio ?
Galopam...
Que será deles sem rota e sem freio ?
Ouves como relincham cansados !?
batem com os cascos no asfalto ......
batem com os cascos no asfalto ......
Segue- os... semeiam nas ruas cerejas e morangos...
Levam o pomar nos alforges !
Correm como os meus pensamentos !
Amam e sofrem...como eu !
como a branca gaivota que matas-te porque não a querias branca !
Levam o pomar nos alforges !
Correm como os meus pensamentos !
Amam e sofrem...como eu !
como a branca gaivota que matas-te porque não a querias branca !
Como eu ela vivia entre Deus e o Diabo..
Ondina mergulhando num lago e sonhando com o mar...
Onde irão parar esses cavalos ateados pelo vento !
Livres ! sem as rédeas dos meus afagos...
que será de mim em soltando assim o pensamento !?
Livres ! sem as rédeas dos meus afagos...
que será de mim em soltando assim o pensamento !?
À deriva sem a alma que os sustinha..
sem o coração de veado que enterras - te no bosque...
sem as marés deste íntimo mar
onde vivo..!?
sem o coração de veado que enterras - te no bosque...
sem as marés deste íntimo mar
onde vivo..!?
Onde irão os meus pensamentos sem as gloriosas manhãs de espinhos com que os arrefeço ?!
Sem as tardes vestidas de azul com que os alimento !?
Sem as minhas loucas noites perfumadas pelo alecrim do meu corpo !?
Largas-te as minhas quadrigas na cidade...
sem lhes dizeres onde as cegonhas fazem os ninhos ?
sem lhes dizeres onde as cegonhas fazem os ninhos ?
Vão perder-se nas ruas....magoar-se nas pedras ...
Soltaste-as sem deixar recado ao vento..
....sem avisar a madrugada...sem a luz da lua...sem o meu carinho !
....sem avisar a madrugada...sem a luz da lua...sem o meu carinho !
Ai de mim.. ! sem toda a minha doce ternura...!
Vão morrer !
Vão morrer !
Então
.... porque chamas a isso liberdade ...! ?
Margarida Cimbolini
