quinta-feira, 20 de junho de 2019

O RIO

O rio
o rio escoa- se por entre os meus dedos devagar
cauteloso modera as correntes..
adentra -se em tudo o que no meu corpo é àgua !
transpira sede aos meus poros..
grita-me nos lábios..
Sugere sombras onde me aninho !
Verdes quero as suas margens..
as margens que me dão o seu castigo..
Das margens surge um ciúme erógeno e antigo !
É entre elas que ele corre..
...eu apenas sou um seu postigo !
Sou sua amante e ele é meu amigo !
Dispo a pele o sangue os nervos !
Esvaio-me de carne de ossos de umbigo ...
Quero ser a sua foz...
quero ser àgua..a àgua..
a água deste deserto que me suja e que eu persigo...
...a chuva lava o pó da minha ainda pegada ..do que me resta de siso !
Margarida Cimbolini