sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

PÃO

Pão
a poesia sinto-a em sépia
separo com cuidado a sua cor
lavo -a na boca
lambendo -a como
cadela que lambe a sua cria
quisera guarda -la no útero
arrepia -me sentir -me
frágil demais
e mesmo assim exagerada
pastoreio cada palavra
invento sinónimos
rasgo as fábulas
calco as serpentes
sibilinas e pérfidas
que me roubam o som
...que amo
ninguém nem a mentira
pode chamá.lá verdade
sem a ter trincado
e trincar este trinco
sem chave
tarefa de titãs
não se aprende
e nunca se sabé...