quarta-feira, 30 de março de 2016

LAGRIMA

Lágrima
tão quente é esta lágrima que eu deito!
será meu olhar vulcão
ou vive este calor no meu peito..
Frio e longo Inverno.. este
Todos os Invernos são agora longos e frios..
Dias somados a dias..horas e melancolias!
e de vez em quando
tomba esta lágrima quente na almofada onde me deito...

A LUA

a lua
fui há pouco espreitar a lua
estava redonda e brilhante
serena de fases mas radiante
por baixo mais longe
a estrela d,alva riu-se pra,mim
.....fiquei contente..........
ando triste inquieta a alma dormente
.......o..corpo pesado.........
olhar baço sem agrado....
.........a testa quente...
e sinto o bafo gelado...........
de terra prenhe de semente...
sinto-me estranha com a outra gente
encasulo-me na minha torre
raspo com os pés voa-me a mente
e arranjo-me no meu ninho
ouvindo as serenatas do bico de lacre
que mora numa gaiola da vizinha em frente
cada vez é mais difícil viver
mesmo esquecendo o passado
cansa-me este presente
já caminhei tanto e tanto caminho vislumbro
e penso se valerá mesmo a pena
continuar neste mundo....
Margarida Cimbolini

ESPERA

Espera
Esperei -te na enseada dos meus sonhos
O corpo moldado em cantigas
Embalada de sorrisos..
Sonhei -te descalça pelo vento
Eram meus seios espigas
e tu eras o tempo
Esperei -te entre muros altos
numa casa sem janelas
noite ou dia não sabia
Mas no tear eu tecia...
e tecia filhos de ouro tecia brincos de princesa
e berços de tesouros..
adamascados e sedas rios de prata a correr
entre dunas de desertos
e beijos teus a descer
em caminhos muito secretos..
Aleluia do amor que cantavas à capela
.nasciam candeias nos meus cabelos e meus olhos eram velas..
no meio deles havia luz
e música ressoava
cheirava. a jasmim
e na boca tinha mel
Queria dar -te essas estrelas..
mas tu não as recebias
Tinhas fato de burel
e caminhadas curvado
mas ias recto e fiel
...Não quis desviar teu fado..
E fiquei no meu tear a fiar o meu pecado
Perdi -te não sei de ti
mas em estando. no
caminho recebe este meu recado....
Margarida Cimbolini

CERCAS

Cercas
Acerco -me da vida
....e tremo
Tanta gente perdida. !
Tanta arrogância e apego!
Tanto carneiro desgarrado!
Tanto beco estreito!
Tanto homem esfarrapado!
E eu com a pele tão fina
Tão longe ainda.......
E tudo cercado...!
E eu apenas libelinha...volteando na luz !
Encandeada...tonta ..agitada....
Nascida já do,, pecado,,..
Receio e tremo...
Sou como aquela avezinha....mal voa e já quer voo picado..
Então abro asas e voo na escuridão porque conheço a luz..
E tenho um anjo amado
Que quando caio me levanta com amor
com cuidado
Mesmo assim não sei se agradeço .. ou se escarneço
......é muito tudo o que me é dado!
Mas padeço....
Margarida Cimbolini

O SOM

o som
por todo o lado ouço este som surdo
é o ar reunindo-se compacto
é o ar de todo o espaço
que ressoa em mim
como sendo eu também um pedaço
e aligeirando este tom de fracasso
com que me visto e mascaro
para poder andar pela casa assim
sou ás vezes apenas um escarno
outras flor de alecrim
remoo este escarno que há em mim
ando de cama pr,a cama como quem se ama
e durmo até o sono ter fim
e o som está lá surdo e silente
como o som de quem soa eternamente
e se goza de mim
sei que está lá sempre ...mas não o suporto....
não quero ouvi-lo assim
não vale o meu querer...por baixo do som
de qualquer som ...está este som
quer qualquer coisa de mim
amanhã......amanhã sim......
irei ouvir o som do tempo...da rua ,,da bruma...
mas hoje,,,agora.....como calar...
.................este sussurro cada vez mais alto...
mal de mim que me desfalco...
não ..... eu agarro este som e danço ...
com ele ......mordo e arranco -o....de mim
...........................e dançaremos....os dois
.......................num palco....

NÓS

Nós

Sou um novelo
Amargo
Sou um caroço
Bem mastigado
Amargo
Rolo no alcatrão
Sob o Sol duro
Endureço
Cresço
Enrolo
Metaformose
Como dói
Este nó
Novelo ou terço..
Caroço sem cruz
Sem berço
Perco -me na Luz
Enlouqueço

Margarida Cimbolini

CANTAREI

Cantarei
com esta voz rouca
tão baixo
que serei ao meu canto
mouca
cantarei no cinza do fumo
na garganta da ideia
no cume do Planalto
cantarei sem peia
a canção da morte
no fim do espaço
cantarei cheia de espinhos
minha canção será cacto
cantarei e na minha voz baixa e rouca
há-de ferver -me na boca
das palavras o amor com que sinto
Será meu canto de mudança
sempre entre a morte e a vida..
......nesse hiato cantarei esperança..

quinta-feira, 24 de março de 2016

POESIA

Poesia
Terra serena
Útero de Minha mãe
Sítio onde o odor da açucena
se junta à poeira dalém
Além de mim...Tudo...
Àgua onde mergulho e ouço o meu coração
Terra de milho maduro
de onde sai o meu pão
Poesia
Húmus da minha aurora
Único Sol que conheço
Livro das minhas horas
Semente do meu agora
Rosa negra de paixão
Paixão qUE vivo acordada
Paixão de mim arrancada
Paixão de amor e saudade
Poesia realidade
Coroa de toda a palavra
Azeite Mel e verdade
Vagina não violada
Devassa da castidade
De ti faço minha raça
Minha bandeira e brasão
Lúcida insanidade
Por ti aceito a desgraça
de estar onde me puseram
AltIva sensualidade
de ser a flor que fizeram
Nenufar da sociedade
flor sem raiz na terra
erguida no pavor dos dias
crescida no pavor das noites
Amàvel flor sagrada
Símbolo da eternidade
Poesia por dentro eivada
fizeste de mim vida tua
Cobre -me de sonhos de anjos
de tua lira sagrada
Rouba -me esta pele nua
Leva esta ossada dura
Quero ser nenúfar de arcanjos..!
Margarida Cimbolini,

DA RESSUREIÇÃO

da ressurreição
ai desse que é feliz
que come vive e descansa
numa brandura mais do que mansa
e a alma nada lhe diz
nem o destino o cansa
o passado passou
a memória não o alcança
e eu que perdida me sinto
que parada ,,corro dia e noite,,
quase sem ousar ter esperança
revolvo céu e terra num segredo
e nem consigo ser criança...
ressuscito sim em cada dia
outrossim morta mil vezes estaria
pois que o clarim do tempo
toca em mim na noite
e o silêncio me suplicia de dia

quarta-feira, 16 de março de 2016

VIVO

vivo
vivo da tua pena
do amor que tu me dás
e não sei que nome dar-te
essência que brotas da vida
e que me fazes viver
dizer que te sinto é pouco
que pr,a ti vivo é mentira
não sei o que é pecado
mas vou lambendo esta ferida
e ferindo o corpo em vão
a ti escondo-te o nome
e guardo-te a palavra
mas bem no fundo de mim
só posso pedir-te perdão

IREI

irei
mas irei sozinha
tal como cheguei aqui
comigo vai alma minha
e mais aquelas que eu vi
e faço da noite dia
não tenho medo das trevas
tantos que andam de dia
escondidos debaixo das ervas
vou no caminho na luz
tropeço na nostalgia
.não peço a quem saiba lá ir
se com vela me alumia.
pois a viagem é ida
e o fim é o caminho
é o meu trilho é sagrado
apenas a vela se ardia
e o caminho apagado
irei
pois não vejo escolha
e nascendo eu já escolhi
agora tirai-me a carga
pois qualquer dia morri...
Margarida Cimbolini

MANSAS ÁGUAS

mansas aguas
águas mansas e andorinhas
batem nas minhas janelas
as aguas choram comigo
as aves voo com elas
chamam a Primavera
estas aves de azeviche
gostava de ser uma delas
migrantes de voos leves
são tão simples como belas
o vento enfunila-me a vela
o tempo joga comigo
a vida estou farta dela
mas sonho ainda contigo...
é que amor nunca esquece
a quem se habitua a amar
só tem amor quem merece
segreda o branco luar
mas a lua minha mãe
diz-me que na lua cheia
o amor espera-me além
atrás daquela oliveira
diz-me que venha sozinha
para não o assustar
e se estiver uma moura
por baixo da oliveira
será para me encantar
e terei a vida inteira
.pr,amar........amar ...amar e amar...
até que o amor me doa..
..até que a lua inteira
comece a descer do céu....
....e de manso de mansinho
. acabe por minguar.
tornando este amor tão grande..
num amor mais pequenino
que possa por um instante
ser de andorinha....ninho....

INVERNO

Inverno
sempre frios e longos
estes Invernos de agora
doem-me estas árvores que vislumbro
erectas e distantes na outra margem do rio
lembro os troncos queimados á lareira
ouço o seu crepitar reconfortante
contentes de servir as labaredas quentes
sei que ouviam os afectos
e em harmonia se tornavam carvão
e eram ainda mãos ternas que varriam as cinzas
e despertavam o fogo tornando -o vivo
lá fora as árvores estendiam os ramos abraçando-nos
falavam, ,,,,,riam na Primavera floridas e verdes
acastanhavam o Outono prontas a dormir
e no Inverno viviam de consolo
sofriam duas vezes ......como nós ao vê-las cortar
mas riam na fogueira das mãos entendidas
na mãos que aqueciam.......
sofriam duas vezes as árvores da minha infância
mil vezes sofro eu agora ao olhar as árvores mudas das avenidas
e pergunto ás suas raízes fundas e tristes.......
onde estão essa outras raízes de mim....
pois também os meus braços tombam cansados
e é em vão que estendo as mãos tentando aquecê-las
são frios e longos estes Invernos de agora......

GAIVOTAS

gaivotas
gaivotas voam no meu peito
mas de tal jeito
que as sinto sós
voam em bandos
mas uma a uma ao céu ruma
no abrigo de cada pluma
.dentro de mim há gaivotas.
e cada uma murmura.
quando sai pede há lua
que encha a minh,alma nua
que a encha de sobressaltos
que torne esta sede mais pura
que me banhe no mar alto
que ninguém me chame sua.
que apresse a minha procura
pois que bebo água salgada
e esta sede não mato.

IN CONFORMADA

in conformada
mais um dia
em que
in conformada amanheço
e as horas
o suor do mundo
tudo será igual
in cor-formada permaneço
já a noite nas sombras e nas trevas
quase a esqueço
é a solidão
e o silêncio
dormido no sonho de ser gente
e inevitável amanheço
in conformada

DESEJO

desejo
doce e quente era a melodia
da cascata no seu marulhar
quente estava o dia
e nem uma brisa se ouvia
nem um vento a refrescar
ao som da cascata a paixão subia
nos corpos nus a rolar
mãos corriam ...ternas exigentes
mãos de mulher ....doces
mãos de femêa fermentes
as bocas misturam-se nos sexos
soltam-se beijos no ar
as peles roçam como sedas
e sente-se o roçagar
Eros ergue-se celebrado
nas gotas brilhantes
nas línguas cintilantes
onde pernoita o luar
cem anos de crepúsculos
´sobre o dom humano de amar
sobre o ufano ardor dos sexos
cem vezes penetrados
em folhos ..em fendas ...em lendas
tesos...... ressemeando odor
o odor do amor
em desejos sem fim
em louco e continuado frenesim
nunca o desejo satisfeito
alumiado por chamas tão ardentes
se banhou por fim
na cascata da doce melodia
onde pouco a pouco acabou por nascer o dia..
Margarida Cimbolini
MULHERES NO BANHO, DE TAMARA DE LEMPICKA

NOITE

noite
que seria das estrelas senão houvesse noite '?
onde poisaria a lua ?
qual a cor das lágrimas dos anjos...cristalinas...
secariam sem o brilho da lua !
.e o luar essa luz liquida que ilumina a noite...
...havia de morrer no calor cru do Sol.
onde iam pernoitar os loucos ?
e os sem abrigo que na noite colhem a fantasia ?
onde os beijos dos amantes ?
e que seria dos poetas... donos da madrugada ?
a noite é liberdade....lírica saudade....do dia.
nas prisões não há noite...
a noite nunca chega
a madrugada não existe
assim o dia é triste
eu amo a noite e o cantar da cotovia
o coaxar das rãs
na praia deserta enorme e vazia..
eu amo o mar
coalhado de prata....cheirando a maresia....
noite de mim.....onde eu escrevo e sinto enfim....
esta noite......será dia.....
(morfeu e iris de guérin)

DESPOJOS

despojos
colherei para mim rosas no asfalto
vou apanhar todo o seu perfume
e vou guardá-lo no peito
hei-de correr á chuva
e amar redonda e nua
num charco de luar
hei-de subir cada vez mais alto
e dentro ressoar
ressoar nos tambores da minha loucura
pois é a terra a minha altura
e do ar não se cai
trarei a urze da montanha
e anèmonas do mar
e a bagagem serei eu
nesta viagem singular
serei eu o lastro
o resto inútil de que me hei-de despojar
o eu que amo é este que escreve
é o não ser
é o amar e rir e sonhar é o que invento
são as minhas lonjuras
o olhar que nada vê permeável retina do tempo
que ergue montanhas em alvoroço
que espreme a vida até ao caroço
o resto é o lixo de ser humana e de ter voz
é o grito ..é este orgulho a arrogância da alvorada....
o clarim de uma solidão exagerada
é a doce condescendência com que me contemplo
hoje acordei já era noite e cada vez me ri mais do tempo....

TERRA INSULTADA

sentia-se a terra insultada
inundada
com tuas marés de encantamento
onde estás tu meu amor
minha boca sabendo a maçã
guardou de ti fresco gosto
tantas uvas tu me davas
tantas transformei em mosto
brincava-mos de segredos
Baco brincava connosco
sinto teu pé moreno
ainda a roçar minha púbis
e as mãos tão preguiçosas
a agarrarem os meus beijos
a escondê-los em desvelos
afastando os meus joelhos
e os beijos......os beijos.....
de olhos negros
de bocas sempre coladas
nadava-mos nos beijos
beijos longos saborosos
,,,,,,como favos de mel
ou ternos sequiosos
...............roçando apenas
e voltando num lamento...
bocas de tormento
..... de constantes procuras
de saudades imensas
bocas coladas ou sedentas
onde estarás tu meu amor.....
pergunto há terra zangada
ao chão de pinheiros altos
ás suas copas fechadas
onde chorava-mos ambos
maravilhados....
.
cheios daquele amor tão pungente
ardendo ...rasgando.. sempre em orgasmo..
rasgando os risos alacres onde
..................... o pudor era amor......
.......real tão fervente
..................que se tornava em dor
se por segundos ausente.........
quando acordava e te olhava
era sempre com surpresa
e na tua pele escura
resvalava a água pura do meu olhar deliciado
pois eras ..estavas ali e não não tinha sonhado....
e sinto a terra zangada por não teres ainda voltado...

ADVERBIOS

advérbios
sendo várias
não sei onde começar
uma me diz que não
a outra me diz que sim
e vejo uma ,,promoção,,
de margaridas e jasmim
não sou flor de cheiro
mas comestível sim
uma tem pomba
outra tem corvo
será que nasci d,um ovo ?
(extracto para um poema )

TRAZ

traz
traz-me o tempo
todo o tempo que guardas
na algibeira
o tempo que metes
nesse teu bolso fundo
enquanto eu varro o mundo
e só apanho poeira
dá-me o tempo
a mim cão vagabundo
que não tem eira nem beira
e traz-me um pau de alcaçuz
e um mocho e alecrim
e rosas bravas.....carmim
....rompe o tempo .......
rompe esse tempo por mim...
e traz-me mirra ,incenso, oiro
e outro corpo .......mas de coiro
que este já me não serve
está gasto de ir fundo e fundo
.......e vir coberto de neve
gastou-o o pó do mundo...
e mais que um almocreve
traz-me tempo ...uma mão cheia
e uma cabra que berre
e traz-me um chafariz ...um coreto
.....uma perdiz traz -me.........
,,,,,,,,,,,,,,, também uma lebre
traz-me mais tempo e alento
...e um coração a bater lento
e uma cabeça mais leve.........
mas se estás sentado há espera
nesse teu monte de estrume
........há espera de me queimar
...................e de me rogar queixume
e de me dar aos lacraus.....
....então arreda daqui que tenho a vida pesada
e uma vassoira grande que também varre a queimada
e no céu tenho um arcanjo e na mão tenho uma espada..

FASCÍNIOS

fascínios
são penhascos que se erguem
e tropeço
são veias de sangue
são brilhos de lua
são longos sonos que me fazem sua
espinhos de sons agudos
onde ergo os meus olhos mudos
pois que a voz me escasseia
passos onde caio e demoro
onde me debruço e me encanto
e por fim cansada me levanto
e não estou nunca em casa nunca lá moro
passo.....estou de passagem
mas porquê o abrir desta vagem
se torna assim duro?
conheço eu mal as trevas ?
como se mesmo assim perduro...
são os abismos sempre a minha escolha
serão escolha ou caminho..
pois se só abismados encontro rindo !
é.......é então destino..........não.....
são as suas beiras arenosas agrestes
que casa dia transformo em rosas
e que me servem de cordas
ou são as bordas onde me agarro
................que se fazem rosas...

PANICO

Pânico
galguei o tempo
aturdida e assustada
medo e inquietação
nunca o medo tão real
nada obedecia
corri os quartos
as camas vazias
os olhos cerrados
desejei o corpo
o meu invólucro de carne
o palpitar do coração
o sangue a correr
nada estava lá
o presente o passado o futuro
palavras ocas
não descia
estavam todos
na ausência de. mim
não descia
pânico e uma força titânica
já correrá tudo
a grande casa estava cheia
e estava vazia

AMOR COM AMOR SE PAGA

amor com amor se paga
amor com amor se paga
ai de vós oh indiferentes
batráquios inteligentes
que tiram o nome as rãs
manhosos irmãos dos dias
nas noites fica tão escuro
pois buscais uma lanterna
podeis trombar nálgum muro
ai que doçura me invade
ai que tão bem me sinto
escrevendo quase em arcaico
Que diga alguém se eu minto....
sossegada aparição
virgem de nome Maria.
foi desta contemplação.... que nasceu a poesia !
sombra alta de imbondeiro
costas largas tem o Mar.
os areais as marés
e saiam fotografias,,,,,gargalhadas,chimbaléus...
até o abade arrota com os lanches e piteus
e tudo há sombra da árvore
coitada tem tantos anos que nem lhe lembra idade
e fica bem o cinismo coroado de eternidade
Ai de vós oh indiferentes !
Deixai tranquilo o Mar......ponham verde e encarnado
e amarelo no meio e um escudo e umas armas
Gritai.....o que quiserem !
Gritem VIVA A POESIA,,,,assim com assim
nem a vida aquece e nem a garganta esfria !
e vá de comê-la á dentada.....de a mastigar destilada !
de a beijar......de a lamber e fazei amor com ela.......
e tornai-a desgraçada.....mas lembrai vos meus irmãos
,,,amor com amor se paga...................
Margarida Cimbolini

sábado, 5 de março de 2016

Objector ao conforto

Objector ao conforto
casa grande...branco sujo...
movem-se pés de chumbo
cabeças de água
grandes rodas movidas por mãos rotas
por pés tortos
as veias salientes...os olhos fundos
batem corações rápido
tudo lateja constantemente
os sons agudos ou guturais são aflitivos
sinto-me confusa e disforme
como todos os outros
faço parte da insaciável engrenagem
dói-me o mundo dos humanos
por segundos sinto a dor Universal e cega
choro por dentro incapaz de tudo
vítima de mim nem a alma vislumbro
não a sinto no meio dos escombros
da massa intolerável......
...de tantos corpos suados terríveis
da dor, da raiva,da conformada espera..
quero fugir mas é tarde ......entrei..
por uns segundos entrei na roda dentada..
tenho de a deixar rolar..ou perderei o pé
chamo o Oceano...mas o mar atrasa-se...
Vê....olha....sente e sinto ..obrigo-me a sentir
...sinto o pior dos caminhos....o mais duro..
na ponta de uma unha o sinto.....agora sinto.
A dor impossível de inventar ......de baralhar...
de fingir ......não sei se agradeço...nem finjo
.mas mesmo assim inconformada......sou...!
Margarida Cimbolini-4-3-2016
Escultura de Eric Michael Wilson