quarta-feira, 16 de março de 2016

INVERNO

Inverno
sempre frios e longos
estes Invernos de agora
doem-me estas árvores que vislumbro
erectas e distantes na outra margem do rio
lembro os troncos queimados á lareira
ouço o seu crepitar reconfortante
contentes de servir as labaredas quentes
sei que ouviam os afectos
e em harmonia se tornavam carvão
e eram ainda mãos ternas que varriam as cinzas
e despertavam o fogo tornando -o vivo
lá fora as árvores estendiam os ramos abraçando-nos
falavam, ,,,,,riam na Primavera floridas e verdes
acastanhavam o Outono prontas a dormir
e no Inverno viviam de consolo
sofriam duas vezes ......como nós ao vê-las cortar
mas riam na fogueira das mãos entendidas
na mãos que aqueciam.......
sofriam duas vezes as árvores da minha infância
mil vezes sofro eu agora ao olhar as árvores mudas das avenidas
e pergunto ás suas raízes fundas e tristes.......
onde estão essa outras raízes de mim....
pois também os meus braços tombam cansados
e é em vão que estendo as mãos tentando aquecê-las
são frios e longos estes Invernos de agora......