sábado, 5 de março de 2016

Objector ao conforto

Objector ao conforto
casa grande...branco sujo...
movem-se pés de chumbo
cabeças de água
grandes rodas movidas por mãos rotas
por pés tortos
as veias salientes...os olhos fundos
batem corações rápido
tudo lateja constantemente
os sons agudos ou guturais são aflitivos
sinto-me confusa e disforme
como todos os outros
faço parte da insaciável engrenagem
dói-me o mundo dos humanos
por segundos sinto a dor Universal e cega
choro por dentro incapaz de tudo
vítima de mim nem a alma vislumbro
não a sinto no meio dos escombros
da massa intolerável......
...de tantos corpos suados terríveis
da dor, da raiva,da conformada espera..
quero fugir mas é tarde ......entrei..
por uns segundos entrei na roda dentada..
tenho de a deixar rolar..ou perderei o pé
chamo o Oceano...mas o mar atrasa-se...
Vê....olha....sente e sinto ..obrigo-me a sentir
...sinto o pior dos caminhos....o mais duro..
na ponta de uma unha o sinto.....agora sinto.
A dor impossível de inventar ......de baralhar...
de fingir ......não sei se agradeço...nem finjo
.mas mesmo assim inconformada......sou...!
Margarida Cimbolini-4-3-2016
Escultura de Eric Michael Wilson