quarta-feira, 27 de abril de 2016

OS VELHOS

os velhos
os velhos dormitam
comem um doce
jogam ás cartas no jardim
e dominó no café
deitam-se cedo
comem pouco há noite
falam das dores
todos tem dores
no corpo, nos ossos ,na alma
vêm televisão....muitos remédios.....
mas vêm mal e ouvem mal...
falam dos filhos que não vêem
dos netos que estudam,que nadam
na piscina ,,que falam inglês que jogam ténis...
esquecem-lhes as idades .....as datas....
limpam os olhos a lacrimejar
os netos !!!!! os filhos ,as pessoas....o tempo
vivem no terror de um dia....do dia..
em que irão para um lar......
os velhos vivem.....esperam a sua sorte....
no banco do jardim tolhidos ,sós e aborrecidos....
já foram pessoas agora são tempo e esperam pela morte...

domingo, 24 de abril de 2016

DEVANEIO

devaneio
E em cada borboleta que voa
o meu sonho ruge e ecoa
até que a mão me doa
eu sou poesia e manhã
. manhã da minha vida.
profunda é a dor que em ...
.....mim morre.....
e a vertente que tenho da vida
é esta veia que em mim corre...
dispenso fama e louros e aplausos
aplaudir o quê ,se em cada dia
....morro mais um pouco..
se a vida perdeu já a fantasia
se nenhum objectivo me move ...
se morrer em mim a poesia...
sou eu quem morre....
e de mim já resta pouco....
pois nada de mim me elogia
e quem me era querido
já se foi....
agora escarro nesta vida que me dói
e prossigo de joelhos ajoujada
com o peso de toda da singular magia
com que nasci e que concorre
para ser pouco o apreço que me guia...

quarta-feira, 20 de abril de 2016

QUEM SABE

Quem sabe
Quem sabe dançarei na tua silaba
Quem sabe a Foz do ribeiro virá por mim
... á tardinha......
banhar meus olhos de poesia...
e no rumor da água
.......a nossa alma floresce....
num amor sem presságios
Quem sabe virá a morte anunciada
Num novo renascer
E nas margens de nós talvez
......os salgueiros cantem
..e eu te melodie....
Quem sabe o teu verso me abrace...
..é a tímida flor da amendoeira....
queira ser gueixa
Quem sabe sejas ,mouro e na barbacã do castelo
....
Encontres uma cruz....
Quem sabe..

MULHERES

mulheres
mulheres de cinza
mulheres de mosto
mulheres de rima
mulheres a gosto
mulher fantasia
mulher que mia
mulher que chora
que se arrepia
mulher de palavra
que a terra lavra
que leva e que traz
mulher capaz
mulher bonita
de perna longa
de laço e de fita
mulher redonda
que a lua esconde
mulher de beijos
inspira desejos
mulher que é mãe
filha de alguém
mulher feia
que não namora
mulher que chora
mulher amada,,,fêmea,,,,alada,,,,que num segundo se transmuda
....e mora bem na vertente da alvorada.....

MÃE

Mãe....!
O inferno seria povoado por anjos.
E o céu porta fechada no horizonte
onde havia de passear como se fosse lua.
Se fosse Deus seria mãe de gêmeos
E como morada teria a esfera harmilar..
O céu seria só meu!
queria voar à vontade...
E cair em todos os abismos..
....sem rede e sem farol
Redonda e nua!
Cairia em todos os abismos.!
E o maior dos abismos seria eu...
arte Cesar Santos.

SOU

sou
sou aquilo que fiz
uma partícula do céu
uma metade de lua
sou
aquele dia
em que fui tua
calejo dedos de fadas
procurando minha alma
procuro.................
,,,,,, nas pedras da rua
nas janelas nos jardins
e escrevo na minha pele
os trilhos deste segredo
já vi nos beirais dos telhados
nos montes e nos eirados
e quase fiquei com medo
do ter perdido o cajado....
despi-me de ti
fiquei nua
num altar de lençóis
contigo me vejo sozinha
,,,sozinha me via sem ti...
Sou o sopro do teu luar
vem
assim... desnudo de tudo
corpo e alma em comunhão
o corpo em suaves sedas
a alma esquiva mas quieta
não tragas pedras nas mãos
.........deixa que chegue há meta
na fímbria do poema te espero
me transformei em preguiça
me desdobrei em carícia
...............Fiquei nua e quieta
Escrevendo em mim.
....assim
fica com o que te dei....
..... ...........espero tua visita......
diz sim

Será febre ou quentura
ou algo a acordar
em mim ou rindo de mim
irei procurar na rua
é noite e grita o luar
e soam ruídos fugazes
como fagulha a saltar
é agora morrer ou amar
está esta noite clara
ou será que já é dia
percorro as linhas de sombra
sombras de mim na estrada
ou estrada das minhas sombras
a agitar -me a fervura
escorre em mim o poema
quente e roto
gasoso de amargura
fundindo em mim em doçura
todo em sombras de prazer
é noite e corro nua
quase mordendo a lua
só para ver o Sol nascer...
talvez na esquina da rua
eu vá amar ou morrer

SEDE

sede
nasce a sede na fogueira
e nasce o nó na madeira
e nasce o trigo na mó
estará a ceara a arder
ou esta sede que eu tenho
está dentro de um poço fundo
e vem do fundo do mundo
apenas prá me secar
não tenho tempo a perder
tudo passa num segundo
e tenho esta sede a matar..

DANÇA

Dança
Dançam os lobos
escolhem os pares....
...... na alcateia...
dançam e cantam
de ventre inchado
em baixo na terra
fossando no chão
espetam alguns.....
..... agulhas na veia
outros esperam gulosos
não querem pão
querem viver de olhos erguidos
ossudos.... descarnados
berram com fome
batem as palmas a quem os come
não sabem quem são....
.nasceram já vencidos.
povo nobre d,alma imortal
roem-vos os pés... os ratos
torpeçam nos canos
.....caem nos buracos
coçam os sovacos
e cheiram mal.....
não é hora de dançar
sigam os ratos saiam do barco
ele vai afundar
e cada um sujo em farrapos é Portugal.
Margarida Cimbolini

CIDADE NUA

 

Cidade nua
ruas da minha cidade
pedras da minha calçada
jardins cheirosos de amor
fontes da minha sede
noites de claridade
sorrisos.... alegres..... saudade...!
crescida e alimentada
nesta vida deslavada
onde este povo vagueia......

.já sem sede.
o sabor fresco da água
pouco a pouco já esqueceu
MAS AINDA NÃO MORREU
o povo já não semeia...
Quanta colheita perdeu....!
Na despovoada aldeia
vivem lobos
Aqui vive uma alcateia
....fica o poeta sem veia
muitos são os vagabundos....
Este povo já esperneia
...nos quatros cantos do mundo
MAS AINDA NÃO MORREU
No fundo de cada um cresce de novo Abril
Este povo esta cidade....
Vai honrar sempre e de novo...
Um grito já sem idade
LIBERDADE
ESTE POVO NÃO MORREU
Margarida CImbolini

CANÇÃO PARA ABRIL

CANÇÃO PARA ABRIL
Gostava de cantar Abril
como o meu Abril primeiro
não o Abril de outrora
mas um Abril de agora
alto ,novo.e sobranceiro
um Abril de espada em riste
de coração na lapela
não um Abril triste
sem liberdade ou na sombra dela !
mesmo assim ergo os meus olhos
e cheiro o vermelho cravo
e na mão as cinco quinas
são hoje os meus aneis
e corro pelas colinas
a cantar esta canção
não brilha o sorriso nas ruas
e muitos não teêm pão
mas tenho Lisboa menina a bailar no coração
tenho aos meus p'es o Tejo
e esta Luz de Lisboa
a convidar o amor
chamo o meu povo sereno
do maior ao mais pequeno
a vir comigo pra rua
a clamar liberdade
e que nesta estrada escura
neste caminho forçado se erga a luz do poeta !
e que nasça em cada uma lucida claridade..

terça-feira, 19 de abril de 2016

NA COROA

na coroa
na coroa e no timbre
te quero
.
a ti meu brasão de antanho
eu me curvo e eu venero
.
nos campos de Alcácer -Quibir
eu vi este povo nascer
faço historia com ABRIL
e das Quinas renascer
.
ver os Castelos abrir
as portas ao meu país
parti-mos então no ir
não vamos retroceder
.
língua,pátria e irmão
palavra séria morrer
vamos tombar de ilusão
no mito que é viver
.
vou dizendo no meu ir
a palavra liberdade
por força que há.de ter
um Abril mas sem saudade
.

navego na barca bela
e comigo todos vós
mas guardai o remo e a vela
espreita a sereia por nós
.
e é bela .....muito bela.....
fugirá o povo dela...?
aqui a ato com nós.....
mando a minha caravela
.....por esses mares navegados
mas de mim vos digo eu
.......não será ainda agora que cantarei liberdades....

DIA CLARO

Dia claro
.
no meu país
.
no meio das cearas douradas
no meio dos verdes campos
e das alvissaras dadas
em turbilhões de mar salgado
.
dia claro onde eu nasci
.
Bandeira se hasteou ao vento
............e gemi...
.
poetas cantaram Teu nome
vidas ceifadas em ti
.
..... mares nunca dantes navegados
...........por mim.....
.
eu te amei quando te aprendi.
Conheci-te tão longe de ti
dia a dia cada vez mais longe
na busca de um dia claro
.........fugi....
.
Tantos mares e marés e campos verdes
eu vi,,,,,
longe mais longe.............
.
Quatro vezes caminhei.....
e quanto vinho bebi ..e quantos homens amei...
cinco quinas me trouxeram
e voltei para ti.....
.
O meu país ,onde eu nasci.....
Preso ,retalhado turvado te encontrei
Mirando uma morte anunciada
,
vi uma nação ajoelhada
.............um povo injuriado
........um ....fado da cor da vida
......a tua carne era pão
. e o teu sangue era bebida..
.
Esperei.. vivi ...suei .....morri......
.
Despertou um povo...mas não um país novo
.......esse eu nunca o vi..........
.
Assírios,Persas ,Gregos .Romanos
Escalabitanos um cravo vermelho.....
uma trombeta ....um alvoroço....
.
...
E eis um Portugal tão antigo ......
.........que de repente se faz moço....
.
e na mocidade se atraiçoa..........
E de novo cai e se abalrroa
.
.....mas canta ......
.....cada ABRIL até que a voz lhe doa..
.
Olhai os li-rios.. dos campos...........
.
e os campos por lavrar......
.
Hei-de voltar cinco vezes.........
.
.....cinco vezes vou voltar.......
.
e um Império antigo e um País novo vou cantar...

sábado, 16 de abril de 2016

OS LOUCOS

os loucos
esses que vão e que vêem
o sumo que corre da videira
sangue ou seiva
os loucos
castelo que se perde na ameia
os loucos geram d. Quixotes
sem esperança
os loucos também amam
e loucamente chamam
prenuncio de morte
fazem e desfazem suas tranças
suas intrigas sonhos e brigas
mescladas na sorte
os loucos
no cérebro desordenado
tocam musicas de contralto
raramente falso
Dulcineia sonha no olhar do seu amado
e segue passo a passo
só ela sabe o compasso..
os loucos falam ,comem ,bebem
ocupam espaço
na casa grande de grades loucas
nas camas nas mesas moucas
seguem o tracejado
os loucos não tem Sol nem breu
os loucos......louca sou eu !
arte Iris Satijn, The Netherlands

DENTRO DE MIM

dentro de mim

dentro de mim moram flamingos
bicos de lacre e andorinhas
dentro de mim moram aves
com penas de todas as cores
dentro de mim moram lavas
de vulcões de todo o mundo
e moram flores cheirosas
margaridas ,,malmequeres ,gardénias
mais do mil odores profundos
quantas velas e candeias brilhos vindos do mar
............brincam dentro de mim..
e todos querem amar.........
...um amor louco e sem fim....
e guitarras e oboés que gemem notas ...
....assim... pena que não olhe sempre...
.....bem para o fundo de mim...

Margarida Cimbolinir

OS TEUS OLHOS FALAM dedicado a Manuela Clérigo

os teus olhos falam
ouço o que os teus olhos dizem
quando respondem ao meus
dizem calor e malícia
dizem das gentes e das cidades
dizem com febre e calor
do tempo que faz as idades
São olhos de terra e carinho
olhos cor de avelã
fiam pedaços de linho
fiam a minha lã
Ouço amiga os teus olhos
que falam destinos teus
pirilampos pequeninos
brilhando na orla das ideias
nas dobras do tempo ameias
lá vão respondendo aos meus..
Cumplices candeias ,,olhos risonhos sem breu
Falam comigo esses olhos
como a noite e o luar
mas são por vezes teimosos
agarrados ao tear
larga esses olhos ao vento
deixa-os crescer e voar
assim vai dar-me o tempo
.............noticias do teu olhar..
Margarida Cimbolini
(dedicado a uma amiga com muito carinho ) )

OS TEUS OLHOS FALAM

s teus olhos falam
..............esta é a minha versão livre do mesmo tema )
ouço o que os teus olhos dizem
e ouço palavras de amor
ouço canções de Lisboa.
que correm a Mouraria
são olhos negros de mel
mansos de nostalgia
vejo a bailar nos teus olhos
mil amores e fantasia
.............vejo noites e noites sem fim
e o luar ensolarado.......... do dia que nasce por fim
olhos de sonho a brilhar
............no teu corpo já cansado...
São olhos de feitiço... uivados de mistério
gritos de dor....tempestades...
.....e são estes olhos que fito....
..........tão humildes sem maldade....
Olhos cegos de paixão.........
....dessas paixões tão cansadas...
que deixam no coração raízes mal saradas....
feridas de dor e de sonho.....
..................portas há muito cerradas..
são teus olhos de luar
.....esses rios de serenatas ....
.......baixa esses teus olhos loucos...
que tornam os meus regatas....

PLENITUDE

PLENITUDE
e quando sentires uma enorme vontade de dançar
sem saber porquê....são os tambores da vida..
a vida adora viver....a vida quer acordar e rir
e se não os ouvires eles tocam,,,,, eles estão lá
É esse o desafio deixar a janela abrir-se
a esse preenchimento .....há musica desses tambores invisíveis
em vão procurá-los nos bancos dos jardins
nos oásis mais amorosos,,,,, nos oceanos,,,
nas férteis terras das planícies
eles estão com o vento
é o vento que os faz soar,,,,,que num redemoinho os leva
inútil procurá-los nos fermentos das ideias
nos cosmos,,,,,inúteis as odisseias
não podem ser encontrados,,,,,é esse o desafio....
abrir as janelas ,,, escancarar a alma,,,,,, e senti-los.....
Margarida Cimbolini.

DESENCANTO

Desencanto
Passei hoje no nosso sonho
Passei como quem voa
Como quem não quer. 
Ouvi os cucos muito longe
Havia vento estava frio
Sabes já é Primavera!
Senti desencanto..
Um terno desencanto!
No mar não havia estrelas..
E nas minhas mãos abertas faltavam as tuas
Desertas estavam as ruas
E as amendoeiras brancas mas nuas
Pediram Sol....
As minhas historias morriam com falta de beijos
Acariciei algumas! e calçei o sapatinho de cristal..
Voei um pouco na nossa nuvem.... carregava lágrimas de chuva!
Adensei -me na terra..solta e leve.... gemia por semente..
Desencanto meu amor.!
Trouxe desencanto e deixei Amor!
Espero -te florida..
No flanco do sonho...na espuma da tarde..na aresta da noite vou florir....
só para ti

CANDELABRO

candelabro
atràs desse candelabro
estou eu
mulher rumo de nehuma sorte
mulher ou morte
mulher ou vida
ou coração que sofre
ou vislumbre da terra prometida
da terra de leite e mel
onde o amor não é procria
mulher descontente
Viver não é viver
vivendo de sonhos e magia
viver não é viver
onde o pensamento não cria
viver não é comer e beber
sem alvoroço sem alegria
Quero pra lá do horizonte
mais que o mar e que a maresia
Quero o que é eterno e se esconde
..........aquilo que me alumia
......atrás do candelabro
atrás das velas a Maria...
por trás dos pendores
Quero mais que as águas da fontes
mais que o lume da heresia
mais que a urze dos montes
mais que o Sol que nasce cada dia
......ainda maior que a poesia....
Por detrás do candelabro
..eu mulher que busca a saída
cheia de mágoas e de amor
..........quero a luz que é fogo
.................................e que ao candelabro alumia.

ACÁCIAS

Acácias
Apetece-me o silencio das acácias
sinto a brisa leve a afagar-me os cabelos
e no ar o odor doce das magnólias
A longa alameda rumoreja verdes e pardais
num rumor silencioso que vem de dentro e nos invade
Caminho devagar ,baixo-me para apanhar um seixo
que levo na mão por instantes e que amacio
entre os meus dedos........
...a pequena pedra ganha contornos ,alisa-se e lateja...
..largo-a e corro os olhos no voo de uma borboleta
e mais além na cauda de um lagarto que se esconde
ou no carreiro de formigas que invade o meu braço...
ou na bolota que tomba sobre os meus cabelos
..........tudo se mexe há minha passagem...........
A vida por todo o lado se levanta ,cresce, e procria livremente
e mil creaturas nascem ,morrem e se transmudam......
...não solicitam a minha atenção,nem dependem de mim....
..........mas sinto-as .....
Enamorada e langorosa sem querer misturo-me nas suas vidas....
..
as barreiras desaparecem e também eu creatura da natureza
palpito naquela criação de amor e sou apenas isso...
A tarde cai devagar na alameda das acácias.....
Margarida Cimbolini

MUROS

Muros
Tão altos estes muros onde me vejo
que nem o Sol nem a Lua nem as sombras
mostram por trás deles estrada caminho ou rua
sítio onde me possa perder
Sem portas e sem janelas e lá fora tanto que fazer......
E fui eu quem os teceu..........
Cavalgando no acaso a carne solta por aí
Ali acordei .....além adormeci...
Espessos muros de pedra e cal e fui eu que os teci
Dia a dia ,,,meses ,,e já lá vão anos.......
Eis-me agora bem emparedada..mas não escolhi
Corro á boca do poema...corre sempre esta pena....
.......mas cresci.....
E hei-de voar tão alto em alma.. em corpo... em açucena..
que saltarei estes muros que não ouvi......
assim seja comigo a força plena..........
que me fez coco e me deu água e casca e tema
..... e a este deserto sobrevivi.......
Margarida Cimbolini

FADO-----OS TEUS OLHOS FALAM

os teus olhos falam
ouço o que os teus olhos dizem
e ouço palavras de amor
ouço canções de Lisboa.
que correm a Mouraria
.......
são olhos negros de mel
mansos de nostalgia
vejo a bailar nos teus olhos
mil amores e fantasia
.....................
.............vejo noites e noites sem fim
e o luar ensolarado.......... do dia que nasce por fim
olhos de sonho a brilhar
............no teu corpo já cansado...
..................
São olhos de feitiço... uivados de mistério
gritos de dor....tempestades...
.....e são estes olhos que fito....
..........tão humildes sem maldade....
...................
Olhos cegos de paixão.........
....dessas paixões tão cansadas...
que deixam no coração raízes mal saradas....
feridas de dor e de sonho.....
...............
..................Portas há muito cerradas..
são teus olhos de luar
.....esses rios de serenatas ....
que me poêm a sonhar
.................
.......baixa esses teus olhos loucos...
que tornam os meus regatas
pois que nesse teu olhar...........................refrão
......navego eu em fragatas

QUEM SABE

Quem sabe
Quem sabe dançarei na tua silaba
Quem sabe a Foz do ribeiro virá por mim
... á tardinha......
banhar meus olhos de poesia...
e no rumor da água
.......a nossa alma floresce....
num amor sem presságios
Quem sabe virá a morte anunciada
Num novo renascer
E nas margens de nós talvez
......os salgueiros cantem
..e eu te melodie....
Quem sabe o teu verso me abrace...
..é a tímida flor da amendoeira....
queira ser gueixa
Quem sabe sejas ,mouro e na barbacã do castelo
....
Encontres uma cruz....
Quem sabe..

quarta-feira, 6 de abril de 2016

POESIA MENTIROSA

poesia
a verdade urge!
............a ternura grita!
o amor esconde a vergonha
e a vergonha incomoda!
e o amor chora...
poesia intrujada.............
................e tratada a ponta pé.....
por uns esquartejada em reles pedaços de rimas
que nem plágios são....
....Candeias de escuridão
........roubando da bandeira as quinas
.sem alma nem coração......
........poesia de ruínas.....
E amam a poesia.....e fazem dela bastão !
Roubam até a agonia....
.............do poeta em solidão......
Dia da poesia?
ensandeço sem razão?
Não.. é a vaidade que dança..
é o ego.. é a mentira!
aí não há fantasia
e nem tão pouco ilusão!
È lucidez pura e fria,,
.....que rói as paredes, a casa.. o tecto
E me rouba a alegria
e rouba ao poeta o verso!
Poesia.. que corre linda.
.........sem alarde nem fanfarra!
Doce cruz que ama e amarra a alma a esse caminho..
...............a ferro e fogo talhado!
mas vai vestida de linho!
....................E leva o mar cantando ao lado!
....Sangra a veia rija do poeta extenuado
que mesmo assim a bendiga...
..................pois é ela ainda o afago
...................de quem a abraçou na vida!
Nunca o seu nome estafado..nunca fechada
....................................a guarida......
Pois viva a poesia!
..... .... mas sã e vivida....
Contada por quem a cria..
...........sem hora,,,sem tempo,,nem dia..

terça-feira, 5 de abril de 2016

A LUA QUER PRIMAVERAS

a lua quer Primavera
há quanto tempo não é manhã
e na manhã não corre o sorriso
há quanto tempo persigo sonhos
na beira deste postigo
e bailam pombas comigo
são pombas da madrugada
aventam assim o tempo
para me terem guardada
coso ilhozes nos meus dedos
agulhas de porcelana
dedais de prata a cinzel
esculpidos
escorre-me a prata dos dedos
e os dedos fazem sentido
.as vezes falo dormindo.
.faço dos sonhos teatro
e vou esquecendo o que digo......
caminha comigo a lua.......
mas fala da Primavera.....
Quem ma dera ....quem me dera....
guardar a minha mão na tua......e partir nas asas dela....
Margarida Cimbolini.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

MANDA EMBORA AS ROSAS

manda embora as rosas
manda embora as rosas
elas roubam o teu cheiro
quem quer o cheiro das rosas
quando tem o amor inteiro
abraçado .....assim florido
tatuado, amado e cerzido
no meu corpo bailam beijos
rosas são os meus poros
mais rosas não fazem sentido
mandas embora as rosas
fica só comigo

SE

SE
se não há morte.. porquê
de tanto jejum.. tanta dor
não havendo morte assim
havia de reinar o amor.
Margarida Cimbolini

quando esse arrepio persegue
esse pânico sobe
no corpo passa a corrente da vida
dizendo do abismo
e da paz
há que desprezar essa angústia
procurando distância
ela não existe
dentro a água fresca apazigua
e cessa o medo
e foge a ignota ilha do silêncio
não há resposta
dentro a pergunta cessa
basta permanecer aí

DENTRO DE MIM

dentro de mim
dentro de mim moram flamingos
bicos de lacre e anjinhos
dentro de mim moram aves
com penas de todas as cores
dentro de mim moram lavas
de vulcões de todo o mundo
e moram flores cheirosas
margaridas ,,malmequeres ,gadénias
mais do quer odores profundos
quantas velas e candeias brilhos vindos do mar
............brincam dentro de mim..
e todos querem amar.........
...um amor louco e sem fim....
e guitarras e oboés que gemem notas ...
....assim... pena que não olhe sempre...
.....bem para o fundo de mim...

OS LOUCOS

os loucos
esses que vão e que vêem
o sumo que corre da videira
sangue ou seiva
os loucos
castelo que se perde na ameia
os loucos geram d. Quixotes
sem esperança
os loucos também amam
e loucamente chamam
prenuncio de morte
fazem e desfazem suas tranças
suas intrigas sonhos e brigas
mescladas na sorte
os loucos
no cérebro desordenado
tocam musicas de contralto
raramente falso
Dulcineia sonha no olhar do seu amado
e segue passo a passo
só ela sabe o compasso..
os loucos falam ,comem ,bebem
ocupam espaço
na casa grande de grades loucas
nas camas nas mesas moucas
seguem o tracejado
os loucos não tem Sol nem breu
os loucos......louca sou eu !
arte Iris Satijn, The Netherlands