terça-feira, 20 de setembro de 2016

POEMA DE AÇO

POEMA DE AÇO
Poema de aço
é aquele que me granjeia a vida
que me perpétua
que me açoita com chicote
e me amarra com correntes
Poema de aço
esse que me viola e alimenta
que me serve de pão
e me transforma em água
é aquele que escancara as portas de mim
prendendo-me com grades
é o que me percorre o corpo
e me arrepia
Poema de aço
faz-me amar a palavra
é ferramenta com que me esculpo
procurando-me debaixo da pele
........e arrebanhando-me num grito......
Margarida Cimbolini.

CAMADAS

Camadas
Camada de sal
sobre a pele madura
crosta real e segura
Camada de beijos
resquícios de ternura
Camada de Verão
esconde a amargura
mistura de peles
de cores de textura
Pele seca e dura
tatuada em borbotos
a mostrar lonjura
Camadas de vida
onde a morte perdura.
Caem as camadas..
..de medo respira a pele...nua

dá-me

dá-me
dá-me a tua coragem
essa a derradeira...
a primeira 
persigo Camões com afã
e nega-se
a mim não me quer como escrava
há outra escreveu endechas
aflora em mim madeixas
E eu só quero ser eu
nada mais
mas ser eu por dentro e por fora
absurda ,,,velha,,,sem um sorriso....
ser eu no meu paraíso..
............assim egoísta e louca
arrogante coisa pouca.................
amiga do meu gato pardo...
...com o cão estou amuada....
e sempre escrevendo e lendo...
e escrevo com erros e tudo...
quando o faço até me roço.....
já esperando um amigo aflito
..a dizer-me do erro ....contrito...
e eu quero lá saber !gozo o gosto das romãs !
e das amoras silvestres....não não lhes chamo pestes !
Anda lá dá-me coragem de sair na hora mais quente !
e de estar a dormir mas presente.....
E este sono malvado traiu-me de novo....
Que poema pardacento!só porque te lembrei...
deixa-me dar outro erro...vêm música ,,,vem...
e terei amigo atento que nunca a mim chega
-Mas lê gosta e manda recado....
.....olha ali está errado ! eu sei.....obrigado...
obrigado leitor do meu pecado............e volta amanhã ..
terei por certo outro erro...
Que fazer ???? este é meu fado...
Deixa-me ser eu....animal velho e danado....que faz das palavras
suas ...por ser assim tonto ...manco e iletrado....mas vem..

sábado, 17 de setembro de 2016

salgueiro

Salgueiro
Longo
No Rio
Doce perfume
Mulher de amor ! 
De sentir criança !
Ave de carne..
Alma verdade.
Voa no Planalto..
....beijando o ar..
Desejo de amar..aprende sozinha !
Nasceu hoje..
Aves rosadas....
...lhe querem bem...
Beijos ou rosas adejam no ar !
A festejar a mulher .menina !

domingo, 11 de setembro de 2016

os olhos


os olhos

da bela e do gavião
comem os olhos
a boca e o pão
os olhos escutam
salientes e papudos
ou mudos
na fumaça tudo passa
nariz adunco disfarça
a boca ávida caça
a caça farsa
na fita degolada
o pescoço traça
as cabeças grandes
roem a traça
o olhos cobiça
na cidade aflita
fita

(leitura de imagem )

Margarida Cimbolini

TENHO PRESSA

Tenho pressa
tenho pressa de viver
quero abraçar todos os meus mares
saltar de estrela em estrela ....
e esperar aí pela lua
romper amarras cá dentro
saltar o muro do luar transparente
e ver-me brilhante linda e quente
na sombra dos meus passos
rasgar os meus olhos prenhes de laços
levantar a âncora destes meus passos
voltar a ser maresia...................
..............................voltar a ser melaço....
voltar a cada lugar onde estive.....
sem eus no encalço....de pés nus....
e voar até onde a águia vive...
até onde crescem as nuvens...e ser uma delas...
e ir mais mais e mais longe......fugir de romarias...
de deuses... de cansaços ....de cantos e homilias...
voltar ás fantasias do desenho dos teus traços...
e em cada sonho poder colar um regaço...
um colo ....um beijo .....um abraço...
viver a felicidade de estar viva ..e de o saber !
e reconhecer cá dentro do meu peito...
..........que vale a pena viver !!!!!!!!...
e que assim é suposto acontecer.......
sem dúvidas.... nem pleitos sentir e ser.....

TORDOS

Voltaram os meus tordos
Desvairados
Traziam paus e espadas
Traziam vento
Traziam um pau ferrado
e argila e gritavam
Traziam o meu pecado
Já vinham de longe
Zangados
Bocejei
Tinha as pálpebras pesadas
e a vagina dorida
Mas a alma estava solta! Não seria essa âncora que a prendia..
Lembrei me da casa. ,,,longe gemia
Céus deixai-me no azul
Tu que és o arco -íris....eu sei que o Sol não me crestou ainda
.......deixa -me branca de espuma..
Breve virá a bruma..ficarei como o meu País..há espera..da raiz.!
Deixa -me na bruma.
Leva os meus tordos.
eles querem tanto de mim...
E se quiser dar -me assim! ??
Paus e espadas!?? sempre??!!
Levai -me o bocejar..
Paus e espadas ! Serei alvo só de mim..
Ser poeta é isso!
Abrirei o poema...dissecado o corpo.
e o esperma..
Hão de ser Rosas.
.
Rosas.de toucar!
e é ao amor que vou amar! 

PENSAMENTO

Um pensamento é um momento.
Voa como vento
Veste se de véus
Rebenta no silêncio
Mas só chega ao céu
se vier de muito fundo
de dentro
Não pode ser lamento
Nem apontar réu
Não é, um intento
É apenas um grito que ecoa dentro e sai espavorido até que ele próprio tenha sentido!
Margarida Cimbolini

REDIL

Redil
Às vezes sinto -me a correr pelas ruas
Transparente e nua
Assustada
Conheço aqueles sítios
aquelas esquinas
Já ali passei muitas vezes
mas onde estou não sei
Encontro seres meus conhecidos
mas não lhes sei o nome
Seres lmaterias
que me falam com brandura
outros de tez escura
em estranhos rituais
Sinto-me outras vezes
perdida num labirinto
com medo mas segura
Não sei como sair
Nem como entrei
Mas que dando voltas sem fim
Sairei...
e saio ....
recomeço
recolho a realidade
Mas não sei se acordo
ou se adormeço..apenas muita claridade...

QUERER

Querer
queria ser aquela
que o luar beijasse
antes da lua
queria Rosas brancas nas minhas janelas
e ser irmã delas
queria ser espuma do mar
e dormir branca e nua
dentro da lua
queria amar como amam as gazelas
ser apenas um olhar
e no fundo do tempo
ser um esteio
ou ser uma pedra da rua sendo apenas o passar
queria ver em mim claro
e ser livre e sonhar
é ser menina pequena pra minha mãe me embalar...

calor

Calor
É pesado este calor mais parece trovoada
Vem de baixo vem da terra...
No ar um odor a pó.. 
e o meu corpo padece.l
As aves voam no céu sem saber desajeitadas.
no céu não encontram estradas..
Na terra os animais tossem
E a natureza aqueçe procura frescura nas águas..
Presságios sinto no ar não de chuva mas de pragas.
Universo que de todos sabe rebenta zangado!
O homem olha para si..
No seu caminho centrado..
E roda sobre si próprio num círculo fechado
Tudo nos chama pra fora!
O coração cá dentro chora.
e quando olho pra traz de guerra me vem a memória..
Tudo roda e se repete mas o homem ri e esquece..
Peço à brisa chamo o vento.
Obrigo -me a viver...tento..
Mas vejo e escuto sinto e penso...
É não me sinto em Gloria.
antes no testamento de toda um longa memória!

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

RIMAS

rimas

rimas farei ás mãos cheias
de rimas tenho um cabaz
fossem assim as vindimas
o vinho também me apraz
as rimas são as cerejas
rubras e suculentas
denso que é este olhar
,,que as penetra e profunda,,
pois se tens contigo o mar e
uma alma que sofre e anseia
talvez que teu Deus te chegue o
,, sol por de uma peneira,,
o meu que mareja bem fundo...
,, de vaidades não faz feiras,,
e com ele corri o mundo
O amor meu Deus me diga...
de o encontrar tenho pejo
pois que está o amor nas almas
dos homens e das raparigas
comigo tenho o desejo
e o resto mais são cantigas
das almas eu quero tudo
dos corpos não quero nada
inda hoje vi santo corpo
que minha alma enjoava
não seja eu blasfema
sei lá do que sou capaz
eu quero tudo da vida
não só o que a ti te apraz
Vou zelar um corpo esperto
este que te corteja
mas não me julgues desperta
amanhã te direi mais
e com o avançar da hora
uma rima cá das tais
sem género e sem feitio
eu e algo mais talvez um sole mio....ou
um um solfejo qualquer
dos muito que cantam nos rios!
Eles conhecem e amam,,,,
,,,,,,da cabeças os desvarios,
pois doce é a água que trazem as levadas..
E doces são estas águas
.. que se tornam em geadas

Margarida Cimbolini

MEU AMOR

Meu amor
Uma ave de carne
Um fogo posto
Um sabor a mosto
Um rio de saudade
Uma madrugada
Um silvo de serpente
Gritado em poesia
Fogo no meu corpo
Fogo no teu corpo
Omissa a palavra
Silêncio medieval
O teu ar desajeitado
Sem abrigo
Fechado na forma e no ser
Um coração de poeta
Sem abrigo
No fato
Na alma
Uma ave de carne
A morder
Um grito de ser
Sem saber
O teu abrigo era eu
Asas abertas
Vozes gritando

O cenário tombou
O fogo acendeu
Ribalta a arder
Na margem eu
O pano caiu
Meu amor
Nas pedras da rua
Ficou madrugada sem dia
E aquele momento,,,,,,
Margarida Cimbolini

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

DO TEMPO

do tempo
o Sol já se pôs
raramente o vejo
os dias encurtam agora
como as rendas que lavei
encurtaram
rendas e bordados e brocados
toalhas de linho inacabadas
tão lindas
lavei e guardei
beijaram e as mãos
deram-me recados
moldaram-se como areia
aos meus dedos
traçando nas minhas mãos mapas imaginários
.. a confessar-me lonjuras..
até o mar me trouxeram
Absorvo o pôr do Sol mesmo sem gaivotas
o mar ecoa dentro de mim saudoso suave
como as rendas que beijei
tão lindos esses dedos que as teceram
quantas vezes senti o Sol nesses dedos
tocando a minha pele de criança
Quantas vezes saboreei essa caricia longa...
A caricia do amor...
eram as minhas bordadeiras sem fim...
a tecerem a espuma do mar para mim
era o ponto cruz ..o ponto pé de flor o ájour
todo o serão de pois do pôr do Sol...era assim..
Eu nunca aprendi a bordar.....mas aprendi o amor
e olhando estas toalhas inacabadas encho-me de ternura
E já é noite ...uma noite arrefecida pelo meses a
pouco e pouco virá o Outono.....
E o mar espera por mim que eu sei ....por agora ele dispara brilhos
como a areia na ampulheta e enche-me de Sol...