quinta-feira, 1 de setembro de 2016

DO TEMPO

do tempo
o Sol já se pôs
raramente o vejo
os dias encurtam agora
como as rendas que lavei
encurtaram
rendas e bordados e brocados
toalhas de linho inacabadas
tão lindas
lavei e guardei
beijaram e as mãos
deram-me recados
moldaram-se como areia
aos meus dedos
traçando nas minhas mãos mapas imaginários
.. a confessar-me lonjuras..
até o mar me trouxeram
Absorvo o pôr do Sol mesmo sem gaivotas
o mar ecoa dentro de mim saudoso suave
como as rendas que beijei
tão lindos esses dedos que as teceram
quantas vezes senti o Sol nesses dedos
tocando a minha pele de criança
Quantas vezes saboreei essa caricia longa...
A caricia do amor...
eram as minhas bordadeiras sem fim...
a tecerem a espuma do mar para mim
era o ponto cruz ..o ponto pé de flor o ájour
todo o serão de pois do pôr do Sol...era assim..
Eu nunca aprendi a bordar.....mas aprendi o amor
e olhando estas toalhas inacabadas encho-me de ternura
E já é noite ...uma noite arrefecida pelo meses a
pouco e pouco virá o Outono.....
E o mar espera por mim que eu sei ....por agora ele dispara brilhos
como a areia na ampulheta e enche-me de Sol...