segunda-feira, 29 de maio de 2017

SOMBRAS TERCEIRAS

Sombras terceiras
não esqueço a vida
como não esqueço a morte
porquê separà.las ?!
seguem paralelas em mim
uma constante e dolorosa
a outra dolorosa e constante
Sim..temo as duas....
temo as duas constantemente
Não as reconheço
no mundo em nada..
só no vértice
Ambas me tocam
e fazem sofrer
E só não me mato porque tenho medo de morrer..
E passo .. vivo sempre
como um ser
Escorro amor...
alago.me nele..
afogo' em amor...
todo o medo de viver
e é assim sempre querendo ou sem querer..
Margarida Cimbolini

A MULTIDÃO

a multidão
Não gosto de multidões
a mente assusta-me
nasci e vivi sempre sozinha 
as rochas não teem par
só as fêmeas tem filhos
a multidão é fértil
está prenha...
de sabedoria
ou de ignorância
assusta-me
Pede ou grita ou manda...
Esconde ou cala
num silêncio que fala
A multidão tem poder
mas ignora.o !
Segue sempre o individuo
que se apodera dela..
e que a alimenta
gerando erros
ou gerando glórias!
Não gosto de erros....
......nem de glórias
Prefiro o calor do
sonho
a doce lágrima...
....da loucura
o frenesim da paixão
o encanto imenso das minhas madrugadas..
o tremular das minhas manhãs..
As multidões rutilam debaixo do Sol...
Rugem.....
Subindo as águas claras ao céu..
quando tombam coloridas
animam-se as almas
manchadas pela cor
É o Holy..
a única vez que fui multidão...
a minha alma riu !
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bipolaridade

São
Manhã cedo dormindo é Maria
dia todo passado
na cama
morrendo na vida
é Elvira..
e um sorriso na lua é Maria
vai gemendo uma canção
no uivo do lobo
é Elvira..
com a vida na mão
e passa o tempo e mais tempo
branca de leite Maria.
com filho no papo é Elvira...
e sua ...... transpira de amor
no parto é Maria..dueto de dor
parindo amor é Elvira
só o vento é vento suão !
na rua vai ladrando o cão
é Maria a comer o seu pão
a côdea da vida é
Elvira.
beirando a maré está Maria..
cai cacimba do céu é Elvira.
a maresia subindo é Maria.
já vai noite grande no tempo
e vão Maria e Elvira ceifar o trigo no mar
são água...... são lume são lar
mas Maria e Elvira já não são ..
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E É

E
e é um dizer ...não dizendo
um querer que não está querendo
é um saber que não sabe
saudade que toca e foje
um dia que não vem
e se vier ....
não irei...
e no ar um beijo..
um sorriso
um querer que não acaba....
mas que deseja e dúvida...
um amor de Primavera..
que seria ou não era..
vidas sem dimensão....
paralelas desiguais
vertice no Sol que se põe..
no horizonte aflorado
carícias de lume brando
almas de aço temperado;
;um coração de palavras
que falando está calado...
e é assim o Outono quando está enamorado

DEVASSO



Devasso
risada devassa
arrancada do peito
peito de rola
alvorada de anjos
suculento sexo
orgasmos de peixes
cheirando a mar
Oh flor do sal !
mascaras vaginas!
raças de olhos claros
queimadas pelo vento norte..
gritam por ti !!!
Flor do sal..
cheio de lágrimas tens o peito..
peito de rola...
Menina da sanzala
quantos anos tens ?
Tens sangue no sexo...
e vazias as mãos
Pões o filho ao peito..
peito de rola..
e dás- lhe de mamar..
floriu na selva
a flor do sal..

CHOVE

chove
chuvas de Maio.
silêncios sonantes
escuridão de que provenho
sentidos despertos
singular proveta invisível
de alquímicos sons
os sons de nós
os nossos laços ...agora nós
agora amarras cordas de sangue
algas que enrredam em nostalgia
enrredam os ossos enrredam as vidas
são agora plurais ambíguos
mãos calosas e duras
sequelas de outras mãos
e o corpo a palpitar..gritando desejo
apenas recorda frágeis memórias
acreditando na noite...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

AS NÃO PALAVRAS

As não palavras
Surgem incompletas
Há pudor em as
dizer
Fogem da boca
Enrrolam-se na língua
São poucas as palavras
quando se tem a alma pra dizer
Há espaços...criam'
se hiatos
A alma soluça e não fala
Perdem-se as palavras
"ficam os sons em
monossílabos
quase mudos
nada se diz....
não chegam as palavras..
......quando se ama.

chove

chove
chuvas de Maio.
silêncios sonantes
escuridão de que provenho
sentidos despertos
singular proveta invisível
de alquímicos sons
os sons de nós
os nossos laços ...agora nós
agora amarras cordas de sangue
algas que enrredam em nostalgia
enrredam os ossos enrredam as vidas
são agora plurais ambíguos
mãos calosas e duras
sequelas de outras mãos
e o corpo a palpitar..gritando desejo
apenas recorda frágeis memórias
acreditando na noite...

DEVASSO



Devasso
risada devassa
arrancada do peito
peito de rola
alvorada de anjos
suculento sexo
orgasmos de peixes
cheirando a mar
Oh flor do sal !
mascaras vaginas!
raças de olhos claros
queimadas pelo vento norte..
gritam por ti !!!
Flor do sal..
cheio de lágrimas tens o peito..
peito de rola...
Menina da sanzala
quantos anos tens ?
Tens sangue no sexo...
e vazias as mãos
Pões o filho ao peito..
peito de rola..
e dás- lhe de mamar..
floriu na selva
a flor do sal..

quarta-feira, 17 de maio de 2017

SEDE

sede
nasce a sede na fogueira
e nasce o nó na madeira
e nasce o trigo na mó
estará a ceara a arder
ou esta sede que eu tenho
está dentro de um poço fundo
e vem do fundo do mundo
apenas pra me secar
não tenho tempo a perder
tudo passa num segundo
e tenho esta sede a matar..

PEDRAS DA RUA



nas pedras da minha rua
ressoam as tuas ausências
e os meus passos não passam
nessas pedras de ti nuas
embrulho- me na saudade
no eco da tua voz
no teu beijo amanhecer
cerzida por tua mão
temo por não te ver
tenho-te no coração
morro por te perder
nas pedras da minha rua
espalho nelas o meu ser
perco por ti a razão
rasgo por ti o meu ver
será grande esta ilusao
de te ter e não te ter
e te querendo dizer não!
Margarida Cimbolini

MORDER A VIDA

morder a vida
Viver á dentada
vestir a doçura de sal
viver amando
amar esta vida dada
ganha descalça e calada
vida forte viva cantada
Trincar vida e poesia
beber o sumo do verso
Mastigar cada palavra
Erguer todo o Universo
numa enorme revoada
Suar como pêra madura
como abelha na colmeia
Ser da colmeia rainha
tomar sua dimensão
No mundo ser gavião
bico louco e comprido
Bicar a vida ,,exaustão,,
morder fruto proibido....
margarida cimbolini
(ode á vida )
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AMANHÃ

amanhã
o amanhã vem sozinho !
é livre..
um dia..tanto..!.....de dimensão tão curta..
tão insana ...inevitável e triste !
Um milagre cheio de reversos...
Dormem os pelejadores.....
Mas a Liberdade não..!
Senta.se a Liberdade e descansa..
Porque a Liberdade é livre !
senta-se por aí no Universo..
Está cansada..
vai vestir-se de manhã clara..
vai vestir-de verde e de vermelho..
e brilhar nos olhos das crianças..
Vem visitar- me esta noite..
vem dizer-me..já é amanhã...
mas a lua cresce...
Vem deitar-te no luar...!
A Liberdade é tão livre...
que me embriaga e assusta..
Serei Liberdade.......
Quem me prende ?
Quem algum dia me prendeu...?
Eu...............
Quando a alma gesticula
quando o sangue corre nas veias...
e me deixam criar as minhas crias
.....a noite cai......
crescem beijos no horizonte...
e asas nas plantas....
e asas nos meus pés...
Liberdade de ontem hoje e sempre..
Amanhã é mais um dia..?..
E se o poeta mente ?
E o poeta mentiu...
Aguilhoado.
Com fome e com frio..

pillip

Philippe
ainda o teu riso
a tua gargalhada
que chegava louca
e inesperada
na gruta por entre as algas
onde nadava-mos nus
onde nossas bocas
respiravam o mesmo ar
no fundo
do nosso mar
escorregadias serpentes
está ainda o teu riso
ouço nos búzios
o som e o cheiro
dos teus orgasmos
e sinto-me molhada
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OS VELHOS

os velhos
os velhos dormitam
comem um doce
jogam ás cartas no jardim
e dominó no café
deitam-se cedo
comem pouco há noite
os velhos
os velhos dormitam
comem um doce
jogam ás cartas no jardim
e dominó no café
deitam-se cedo
comem pouco há noite
falam das dores
todos tem dores
no corpo, nos ossos ,na alma
vêm televisão....muitos remédios.....
mas vêm mal e ouvem mal...
falam dos filhos que não vêem
dos netos que estudam,que nadam
na piscina ,,que falam inglês que jogam ténis...
esquecem-lhes as idades .....as datas....
limpam os olhos a lacrimejar
os netos !!!!! os filhos ,as pessoas....o tempo
vivem no terror de um dia....do dia..
em que irão para um lar......
os velhos vivem.....esperam a sua sorte....
no banco do jardim tolhidos ,sós e aborrecidos....
já foram pessoas agora são tempo e esperam pela morte...

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falam das dores
todos tem dores
no corpo, nos ossos ,na alma
vêm televisão....muitos remédios.....
mas vêm mal e ouvem mal...
falam dos filhos que não vêem
dos netos que estudam,que nadam
na piscina ,,que falam inglês que jogam ténis...
esquecem-lhes as idades .....as datas....
limpam os olhos a lacrimejar
os netos !!!!! os filhos ,as pessoas....o tempo
vivem no terror de um dia....do dia..
em que irão para um lar......
os velhos vivem.....esperam a sua sorte....
no banco do jardim tolhidos ,sós e aborrecidos....
já foram pessoas agora são tempo e esperam pela morte...

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ESCUTOS

Escutos
Ás vezes é no fim da noite..
quase ao amanhecer
que o escuto
é no silencio
que o surdo som da terra
se ouve melhor
Sai dela um grito infinito
manso e omnisciente
que me prende ....sem pensamento
que me recua e eleva
que me aquieta alma e sentidos
e me funde neste abraço onde sosségo
Sinto ainda a epiderme das estrelas
lançando esse orvalho húmido
que começa a evaporar-se
deixando lágrimas nos canaviais
Lágrimas das estrelas são nuvens
ligeiras nuvens repassadas de amor
e amo
Amo entre nesgas de saudade...
Salto os grilhões dos anéis do tempo
que fervilham de sangue e de batalhas....
Escuto esse som de orvalho velho
que se multiplica em melodias de liberdade
e alimenta a vida......
e amo
Que mais poderei amar
se amanhecem despidos beijos
a matar-me a sede
Que mais poderei amar se a noite
me entrega já o dia.......
e me retém no seu abraço
como flor da sua natureza......
Que mais poderei amar..além desse som
que me ecoa dentro...
Dimensão que não ouso desvendar mas que me alimenta !

CENTELHAS

Centelhas
Labaredas de gelo
as que nos percorrem
quando mansamente
. nos pergunta-mos .
... quem somos....
margens paralelas...
losangos agudos
....que percorre-mos
...sem achar o vértice ...
Arrepios de ansiedade
.....no caminho da vida......
.....no caminho da morte....
Dentro paira uma luz centrada
um foco uma musica de mil águas
crescendo no mar intimo.......
e transbordando nesse amor
Gosto de estar lá......
Margarida Cimbolini

TROVA DAS HORAS ESQUECIDAS

Trova de horas esquecidas
bela hora aquela hora
em que joguei borda fora
esta âncora onde me agarro
sou madruga madrugueira
e uso o negro da noite
não fora eu feiticeira
pouco falta não demora
mais um canto.... um som bizarro
um copo e um cigarro
uma gargalhada franca
no ar um passo de dança
uma alquimia na voz
e oiro meu amor .....e oiro !!
o oiro de uma alma branca
o ouro da minha luz
aquele oiro que na testa
tornou o homem Jesus..
e na mão espada afiada
uma outra vida tormento
.....braços abertos no tempo....
.......e deixarei toda a mágoa
aquela que eu inventei
e a que me trouxe o vento
arremesso as palavras
quem as fez... que as pastorei
tenho labareda acesa
de uma palavra só
...aquela que eu guardei !
,,,,,,,,,
.....e desse amor
...........não sei nada
,,,,desse amor
... que eu inventei
,,,,,,,,
foi ironia.... foi grito
um acaso uma quimera
foi um cravo e uma rosa
coisa perene e sedosa
que me tocou e parei.......
falta pouco poucochinho
a tua voz foi embora
e numa rima num verso
eu t,esconjuro ....desconheço !
quanto menos ..menos esqueço
e amanhã se calhar virá outro amor cantar
..........uma canção que eu sei........
.....adeus meu amor doirado............
recebe este recado ..feito de simples rimas
.......se tens coração guardado.....
não guardes que é pecado...
......roubar aos castelos as quinas...
bela hora aquela hora
em que deitei borda fora
esta âncora a que me agarro
toma tento e sem demora
....recebe este meu recado...

A CARTA DE AMOR

A Carta de amor
Deixa-ser ridícula
será a última vez
Tenho tantas saudades tuas
meu amor !
E são tantos os amores
tantos de quem
eu tenho saudades
De ti meu amor
tenho as ultimas
saudades
as mais frescas as mais ardentes
de ti meu amor
aquele amor de quem eu tenho saudades....
quero a tua voz
os teus beijos
os teus olhos
esses olhares sedosos
tenho saudades
e queria gritar bem alto
não grito eu sei !
eu não grito
mas tenho tantas saudades tuas
meu amor
o céu está negro de tempestade
mas eu nado em claridade
tenho todo o azul do mundo
Tenho vontade de te ver
quero- te apenas um segundo..
assino ..
....mulher...
mulher desarmada
Margarida Cimbolini