quarta-feira, 17 de maio de 2017

ESCUTOS

Escutos
Ás vezes é no fim da noite..
quase ao amanhecer
que o escuto
é no silencio
que o surdo som da terra
se ouve melhor
Sai dela um grito infinito
manso e omnisciente
que me prende ....sem pensamento
que me recua e eleva
que me aquieta alma e sentidos
e me funde neste abraço onde sosségo
Sinto ainda a epiderme das estrelas
lançando esse orvalho húmido
que começa a evaporar-se
deixando lágrimas nos canaviais
Lágrimas das estrelas são nuvens
ligeiras nuvens repassadas de amor
e amo
Amo entre nesgas de saudade...
Salto os grilhões dos anéis do tempo
que fervilham de sangue e de batalhas....
Escuto esse som de orvalho velho
que se multiplica em melodias de liberdade
e alimenta a vida......
e amo
Que mais poderei amar
se amanhecem despidos beijos
a matar-me a sede
Que mais poderei amar se a noite
me entrega já o dia.......
e me retém no seu abraço
como flor da sua natureza......
Que mais poderei amar..além desse som
que me ecoa dentro...
Dimensão que não ouso desvendar mas que me alimenta !