Cinzas e Brasas
As cinzas daquela lareira
ficaram comigo para sempre
Não em cinzas mas em brasas
num turbilhão de fogo mordente
A acender- me em fagulhas
num turbilhão de espumas de brilhos
Em desejo fremente
Em luz devastadora
contente
Em beleza
Em cordas
Em espadas
de abismo em abismo
descendo ladeiras
encendiando matas
num contentamento
descontente
Em ânsias em soluços
voando alto e eternamente
roubei dos céus
a semente
até que nos braços
ganhei asas
e num vôo raso
de serpente
nunca mais em mim
houve pranto ou chagas
apenas a solidão
só uma ave
que não sabe onde pertence
e voa perdida em busca da foz
num rio de gente
onde se afoga
e ressuscita
uma e outra vez
constantemente
ficaram comigo para sempre
Não em cinzas mas em brasas
num turbilhão de fogo mordente
A acender- me em fagulhas
num turbilhão de espumas de brilhos
Em desejo fremente
Em luz devastadora
contente
Em beleza
Em cordas
Em espadas
de abismo em abismo
descendo ladeiras
encendiando matas
num contentamento
descontente
Em ânsias em soluços
voando alto e eternamente
roubei dos céus
a semente
até que nos braços
ganhei asas
e num vôo raso
de serpente
nunca mais em mim
houve pranto ou chagas
apenas a solidão
só uma ave
que não sabe onde pertence
e voa perdida em busca da foz
num rio de gente
onde se afoga
e ressuscita
uma e outra vez
constantemente
Margarida Cimbolini
