A saudade bateu
veio com pés de veludo
mansa mascarada
com o ar sério e sisudo
de quem não quer nada
Veio num fim de tarde
naquela luz que eternece
aquela luz que embriaga
saudade de tudo
saudade de nada
rejeitei e voltou
veio de madrugada
saudade de um gesto
de um olhar
de uma presença
tão ausente !
tão tênue tão vaga...
e mesmo assim presente
na fábula da minha mágoa !
Vagueio por um segundo
fujo dela e do mundo
não bebo àgua estagnada...
Queria ver-te muito ao longe..
difuso na sombra da noite..
e no teu gesto percorrer o tempo
e na tua voz...voar
acordada..
mais não precisava...
Apenas um vento
enfunando a vela..
apenas a mentira
do teu riso
o sarcasmo dessa solidão...
a estranheza de continuar vivo
sem mim
e sem o meu perdão !
veio com pés de veludo
mansa mascarada
com o ar sério e sisudo
de quem não quer nada
Veio num fim de tarde
naquela luz que eternece
aquela luz que embriaga
saudade de tudo
saudade de nada
rejeitei e voltou
veio de madrugada
saudade de um gesto
de um olhar
de uma presença
tão ausente !
tão tênue tão vaga...
e mesmo assim presente
na fábula da minha mágoa !
Vagueio por um segundo
fujo dela e do mundo
não bebo àgua estagnada...
Queria ver-te muito ao longe..
difuso na sombra da noite..
e no teu gesto percorrer o tempo
e na tua voz...voar
acordada..
mais não precisava...
Apenas um vento
enfunando a vela..
apenas a mentira
do teu riso
o sarcasmo dessa solidão...
a estranheza de continuar vivo
sem mim
e sem o meu perdão !
Arte Almada Negreiros, desenho, Paris, 1920
