terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

VENS

vens
vens no calor incendiado das marés lunares
no paralelo das emoções
vens num dia de frio
a bruma parda
encobre a manhã
sinto a tua sombra
muito antes do aparecer
ou terá ela criado raízes tão fundas
na memória
que tu e a tua sombra se confundem
e em mim se instalaram para sempre
trazes resteas de amor nos olhos
e desânimo nos braços caídos
como os ramos que cansados pendem das árvores
esperam e chamam a chuva
tal como tu me chamas
mesmo sem saber...
bem ouço a tua angústia por essas noites
onde insone te passeias
e me invades os sonhos
e me inquietas o corpo
em desejos de fogo e de mar
vens e tardas
guarda o tempo
já a vida ...essa corre
não a podemos reter
vens..
Margarida Cimbolini