quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

MOENDINHA

Moendinha
mansos os olhos da poesia
onde eu ia
quando menina
bem pequenina
falava uma toada cantada
inventava
fadas gnomos e anões
e punha nomes ás bonecas
naquele banco encostado á piscina
subia á árvore e trazia bolotas
e cozia em lume brando toda a minha fantasia
ou no outro banco encostado á capela
construia castelos de cascalhas e punha água na pia
onde vinham os pombos beber
e comer as migalhas do meu lanche
as belas gemadas....quando a avó chamava eu ia
a avó Luisa aqueles longos olhos de terra onde me perdia
uma vida a correr nos pinhais,bebendo dos rios comendo das arvores
essa era a minha Pátria o meu país
Um País que me traiu donde fugi
Como aquela grande mesa da cozinha me pareceu depois pequena
Mesa de cheiros a filhoses no Natal ,cheia de sonhos ,dos meus sonhos
Tantos os sonhos que trouxe daquela casa feita de algodão
Onde todas as nuvens tinham perdão
Os tios... os primos.... os pais... as tias..as avós tanta gente....
Onde era só eu que importava de braços em braços escorregava
Casa feita de amor onde cada dia o amor se via
Se palpava se comia se sentia
Passou o tempo..... muito tempo andei.......fazendo tudo o que ali sonhei
E voltei ...a casa ainda la estava branca e linda
e na cave as cascas de árvore que pintava o que escrevia e lia e vivia
tudo como eu deixara permanecia
Mas estava quase vazia.....ficara uma tia .....a minha tia..
Curvada de cabelos brancos tantos encantos ela tecia
Da lareira saia o cheiro do amor e a alma ria....ria,,,
Morreu também a tia.....a casa ficou triste chorava e chovia
Fiquei eu e uma enorme casa vazia...sonhei ainda ama-la honra-la restaura.-la........amava-a mas era só eu........
Como se vende uma vida.....como se sara uma ferida,,,laços de fita não atam
Vender as raízes...esconder as cicatrizes...
não pensar,,,,,,,,,,,,,antes morrer........e o luto continua.....
há tanto tempo que o luto se esgueira por um segundo entra de novo....
cada vez mais profundo.......
Olho ás vezes e penso que já nada mais me falta ver nas voltas do mundo...
Margarida Cimbolini