A estranha
Dentro de mim há uma estranha mulher...
.. coroada de desalentos
tem nos olhos
as marcas do tempo
nas retinas o sal dos Invernos
no corpo o balanço do mar
e no coração o vício de amar
e de o gritar ao vento
Esta estranha que tenho dentro....
vive do meu sangue
retém os meus gestos
fala comigo
mas são meus os seus pensamentos
e dobadas por mim são as linhas que nos cosem
quando olho no espelho esperneiam os meus olhos
de cada uma vejo um lado
imagens sobrepostas e sumarentas como maçãs
flechas disparadas pela vida
que nos unem pelas pontas dos nós
que deixo pender quando teço estas costuras
músicas que ouvi nas viagens das minhas feições
solfejos e rimas de poetas que me sopram silêncios
e que dobo na grande dobadeira
faço grandes novelos de lã macia e quente
Estranha esta estranha mulher que habita em mim
e que pouco a pouco me ensina a tricotar..
.. coroada de desalentos
tem nos olhos
as marcas do tempo
nas retinas o sal dos Invernos
no corpo o balanço do mar
e no coração o vício de amar
e de o gritar ao vento
Esta estranha que tenho dentro....
vive do meu sangue
retém os meus gestos
fala comigo
mas são meus os seus pensamentos
e dobadas por mim são as linhas que nos cosem
quando olho no espelho esperneiam os meus olhos
de cada uma vejo um lado
imagens sobrepostas e sumarentas como maçãs
flechas disparadas pela vida
que nos unem pelas pontas dos nós
que deixo pender quando teço estas costuras
músicas que ouvi nas viagens das minhas feições
solfejos e rimas de poetas que me sopram silêncios
e que dobo na grande dobadeira
faço grandes novelos de lã macia e quente
Estranha esta estranha mulher que habita em mim
e que pouco a pouco me ensina a tricotar..
Margarida Cimbolini
Pintura de Salvador Dali “Sleep” (1937)
Pintura de Salvador Dali “Sleep” (1937)
