quinta-feira, 5 de novembro de 2015

FUGA

fuga
fujo dessa nuvem que troveja sem pingo
desses olhos furibundos
que nem me olham nem me vêem
gritam um grito ignorante e sem tréguas
é como se estivesse sempre
escondida onde o mal não me enxerga
num buraco lindo e fundo onde nada me toca
fujo destes seres que não posso amar
conheço agora pessoas boas e más
mas só para poder auscultar-lhes o coração
e é ao som da flauta que o faço
sem medo dei-me de novo há vida
e os meus olhos me velam
porque olho para dentro
dentro a luz é forte
sou filha da lua,irmã do mar,amante do amor
ás vezes escondo-me de mim,quero ser outra
o tempo impede-me ,,espelha-me a mentira
tira -me da água turva,lava-me lambe a sua cria
a vida frágil da borboleta fascina-me
atrai-me o abismo mas não serei testemunho das trevas
e porque nada é eterno nem absoluto nem hermético
desafio a gravidade zangando-me com este corpo que não me segue
como seria o meu voo se fosse pássaro......