quarta-feira, 8 de junho de 2016

horas

horas
entre mim e as horas apenas o ruído
o tic-tac do silencio a passar nas bocas da colmeia
entre nós e as horas apenas o tempo
o tempo inexorável da vida a passar
as abelhas procurando a colmeia
o mel escorrendo nas bocas de sangue dos homens
a carne terrível e perecível
sempre a mudar de nome de idade de sexo
a carne sombra de beleza que nos cobre
sombra do destino de dor a que nos condena
entre o singular e o plural sempre o tempo
a dor dos ossos que gemem das articulações presas
entre mim e as horas o corpo..templo infectado ,abcesso a rebentar
a inocência...a mocidade..a velhice senil ..grito dado ao nascer
entre a vida e a morte sempre as horas irredutíveis que passam
entre mim e as horas a poesia....o verso ..a metáfora ..as palavras
entre mim e as horas a vida polvilhada de brilhos
os dedos polvilhados de uma luz emprestada...entre mim e
as horas o tempo as palavras a construção de cada frase
entre o poeta e as horas tudo....quando as horas pararem....
quando as horas pararem o poeta morrerá