terça-feira, 26 de setembro de 2017

eELES AQUELES

Eles   aqueles

beberam do meu sangue
comeram do meu corpo

viveram no meu ventre

foram o meu grito

rasgaram os meus seios
tatuaram a minha pele
sem mim seriam cegos surdos e mudos

não teriam corpo

dei tudo o que tinha e perdi
são agora monstros
mastigando o que resta

enquanto me encho de pranto
peço por eles e por mim
perdão ao Universo......
frágil que sou
receio pela sua força..
Margarida Cimbolini

MANHA DE VAGAR

É no vagar
da manhã
que se espraia longa e sinuosa
que procuro a voz da metáfora
Na foz liquida dos limos
No lago cheio de Outono
do pensamento
procuro a mais luminosa das belezas
gosto de vaguear assim no poema
deixando no seu embalo
toda esta fome de ser pássaro
deixando asas de incontidos vôos
Tenho sede de lírios
sede de flores pousadas sobre
nos cabelos...
e das suas raízes
plantadas nas minhas mãos
Tenho sede de lirios...

A POESIA

A poesia quer-se solta
.. incontida
voando
..
vento fora
saltando cercas e muros
rompendo caminhos...
sem rótulos sem rimas
na estrofe do infinito
lapidando palavras
com beijos
rebentando nas bocas..
vindimando sonhos
zunindo na alma
pura e verdade
contendo as raízes da terra
os caprichos do mar
a dimensão infinita do amor
ceara do meu pão
roseira onde me pico e desabrocho
..a ti me curvo cada segundo
cada instante
sou contigo poesia
.....
esta alma..
..
errante
com olhos de maresia..
Mas sem ti....
.....sem ti...
..........morria ..!
Margarida Cimbolini

o ACTO ANÃO



o acto anão
a vida enlatada
a paixão barata 
o beijo no vão 
..da escada...
o amor viralata
....acordo ...
,,mordo um pedaço....
vivo ,,morro e descarto
....o acto.....
mentiroso e vilão
o acto anão
de repelão
puxando que sim
puxando que não
nada mais nada
soma anafada
não
Margarida Cimbolini

AUTO -PLÁGIO

Auto -plágio
Acima de tudo vive a esperança...
...linda e branca...
Feita da espuma das ondas..
...no capricho das marés...assim ela nasce e avança...
Mora no olhar de uma criança..
.Vive na mulher que tu és
Guarda a esperança!
Proteje a fé.!
Acima de Deus nada se levanta...!
Segue sempre limpa e branca.
Crê na vida.!
Crê na esperança..
O mundo está em baixo...
Aos seus pés...
Margarida Cimbolini

SE

Se
se fosse madrugada
morreria
como uma rosa negra
havia de tombar
pétala a pétala
na noite
da cor dela eu seria
negra como o queixume
da negra rosa
cada pétala
sangue do meu sangue
arrancada do meu corpo
e gotas de chuva
viriam afagar-me
os cabelos
negando o dia
a verdade que se esconde do Sol
chama-me
enquanto balanço
da noite pro dia
da morte pra vida
do amor pro vazio
mergulho cada minuto
mais mais e mais...
no fascínio da dor...
caminho a largos passos...
..
no flanco da loucura
Margarida Cimbolini
(in flanco da loucura )

sábado, 23 de setembro de 2017

SINAIS DOS TEMPOS

Sinais dos tempos
Dias inquietos
noites de tempestade.
Por dentro um tremor surdo.
Gestos cortados à nascença .
Valerá a pena ??
A natureza inteira surge tranquila.
Espera...
Aparenta um gigante descansando .
Também ela se revolta calamitosa.....
O mundo ruge e grita sem bonança .......
Os Países degladiam-se... desequilíbrio ...
...maldade........ inveja...miséria ......
.e fortes riquezas...
Há menos crianças...que mal sabem brincar..
Os valores vacilam.
As famílias desfazem -se.
Na sede de poder o amor murcha.
As religiões proliferam....
Choram as almas...confusas se tornam as horas ..
Os dados estão lançados....
O pano verde ha-de desfazer-se...
O céu ficará murcho...
A lua o Sol tudo rodará sem limites...
Humanidade acorda ! e corre ...corre muito....
se olhares pra trás verás o futuro mil vezes pior...
Os dias andam inquietos !
Margarida Cimbolini (no flanco da loucura )

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

NUNCA

nuncá
ser humano algum homem ou mulher
chegou tão perto de mim
como tu
porquê ?
Ora adeus porque sim.
Eu sou ninho de vespa
Sou coisa do mal
Tremenda tormenta!
Tudo aquilo que te alimenta.
Toda amor e sensual.
Um Sol ardente
que queima entre quimeras ...
Que inventa que urde polos e esferas....
Eu sou o amor coragem !
aqui e sem rede,
amor sem ideias nem filmagems!
A minha louca alma está lá
Também ela me experimenta
Mas menos que ela nunca serei capaz....
Eu sou ela..ela sou eu....
O nojo sim essa parte antiga.....
já fizemos...ela diz que sim eu não sei.....
Nem sei se farei.....
Mas se ela diz ..fiz ou farei....Eu .........
..........não sei muito ! eu não sei !
Eu sinto e sinto muito ....mas é tanto o que sinto
por mim por ti.
..............feridos............na vida .........
.................numa estranheza sem prazo...........................
....Que não sei.....
Fico tão só no ......palco....
e faz frio....no prado........
também pouco importa ....
....o meu.......coração rebenta de cansado...
Tudo o que faço eu sinto....
Mais eu não faço! eu apenas sinto....
Ás vezes é bom ficar magoado......... !

TANTO POR FAZER

E tanto tanto por fazer
para descobrir
EL Rei D. Sebastidão se aí estás
tens de vir
de mui longe sinto o vosso chamado
a vossa espada treme na minha mão
o vosso sangue mancha o meu vestido
quando vos sinto assim ajoujados
..de bagagem e de fardos..
de tantos anos e datas ai quem me dera ajudar-vos
e vir com o povo ...mas pela vossa pão
quebrar estas patas....roer esta comichão !
Vinde ou mandai alguém ...dia a dia Portugal
é mais pequeno ! verdade que no Rossio perdei-vos
é Campo Pequeno...
O iva sob todos os dias e que vos diga DEUS QUE DIAS !
São impostos descarados e outros que os tecem por outros lados.......
,,,Eu de mim não sei nada mas sendo assim penso partir de novo....
Sei lá pra onde.........em demanda de outro povo.....Sei á....
........eu deste mundo também não quero nada.....
E vou querer o quê ...'''''' ATÉ A POBRE POESIA.......
É CONSTANTEMENTE ABALROADA......
E são tornados e furações e vigaristas aos montes e vilões !
O amor tem as horas contadas.....os preços tabelados e as
marcações marcadas......
O amor ai valha-me Deus !
ANTES O TORNADO SEMPRE VEM EM ESPIRAL.....vê-se de todos os lados..........
El rei d.joão // vem ver este mundo !
QUERO ESCREVER PORTUGAL EM PORTUGUÊS !
/até eu filha do mundo...ora dizei lá.....que vos peço eu....
em cada canto da terra Portugal era pra mim grande forte e fecundo.......agora não sei.....
São tantas as más paixões na vida das pessoas ...tudo berra palavrões e tudo sofre que se desunha,,,
A CRUZ NÃO É DA IGREJA NEM DO POBRE DO CRISTO DA CRAQUEJA.......
A CRUZ está aqui nas minhas costas a cada dia cada vez mais pesada !
E EM VERDADE VOS DIGO EU QUE NADA SEI QUE MAL VEJO O MEU UMBIGO:
JÁ NÃO QUERO MAIS...
ESTOU MUITO CANSADA...ide vós que tendes siso ......eu como os malucos já não quero mais nada...estou servida.....se tiver que viver ..que viva !
Margarida Cimbolini
arte Paula Rego

TABUA RAZA

Razas
eram uma vez duas tábuas razas
razas e paralelas
verticais como punhais
nenhuma
aceitava
....
singular...sigularidade
onde punham remo e velas
cada uma tinha veias
e as duas verticais
qual das duas era
ela
singular..sigularidade
as tábuas eram iguais.¿

MACIO

Macio todo esse azul
que brilha nas tuas mãos..
é todo para mim
ilusão
todo e tanto azul..
é algodão !
Não ! disseste numa risada....
Todo este azul é alvorada...
Guarda todo ou só um nada...
..amanhã serás mais que a alvorada...
Pois que hoje já és tudo para mim...
poema 2 mãos

DA VIDA

da vida
receai senhora a crueldade (cito)
e nessa me debruço e medito
ser cruel é covardia ''''''?
é amor ou insanidade
defender na vida a bizarria
inventando assim a crueldade
é cruel a criança que receia
será cruel a ambiguidade '?
cruel aquele que se arreceia
de perder a sua liberdade
cruel aquilo que me inquieta
será cruel a verdade ?
cruel o silêncio.!....mas palavra...
não se nega
àquele que simples tem saudade
simples aquela doce e esquiva
que quer e não quer por tanto ser
cruel negar sabedoria
a todo aquele que quer saber
conhecer é dúvida feroz...
pode até com amor se confundir
crueldade negar a pouco e pouco
picando conforme a fantasia
até que confusa ..noite e dia...
o ser retalhado se desfaz
sendo assim crueldade covardia
pois que matar sonho e amor
de uma vez só
apenas do ego usufruir por fantasia
sentenciando solidão
àquele sempre na vida a conheceu
é cortar rente a alegria
a esse que a custo a suportou
e vinha estando a pensar que a venceu.
Margarida Cimbolini

ONDE COMEÇO

E onde me começo  ?
onde me acabo

onde cabem estas linhas
ou cordas
ou correntes
com que me alinhavo

nesta estranha língua
de lava
sendo vulcão
de raiva
quando me rasgo
de mel
quando colmeia
de flor
quando te espero
de louca
quando me esgoto
onde a língua do mar
onde a língua do fogo
onde começa esta
loucura
este flanco
hoje
de aço..de agua
porque te não vejo
amanhã de luz
no som da tua voz
cada dia de silvas
se não te sinto
onde acabo
talvez na fímbria
do dia
em que formos
nós

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

SILÊNCIO

silencio
este que me dói
não é verdade
vive comigo...dorme comigo
sonha comigo
grita comigo,,,,espera-me
....ao lado da cama....
para não me perder ao acordar
e reclama
tornando-me tão pequena
que me escondo
esvoaço de pena em pena
num baile de tudo o que voa
onde tudo me magoa.
em cada gesto que faço
ou se me sento quieta
este silencio zumbe
como uma seta ; no alvo
de me espetar....
não sei de minha senhora
não sou senhora de mim
fosse o caminho que fora
pr,a lhe fugir....ia sim
mas não sendo ele verdade
e sendo de vez em vez ......
menos eu....
eu já peço á eternidade
que me torne mais pequena
que me anule
que me torne nulidade
sem bater do coração
.
para que seja o silencio
......para mim e enfim verdade....

CERTEZAS

Tenho a avareza de te inventar
quando vens
descobres as palavras que silencias
reinvento-te
e estremeço..
Margarida Cimbolini

SENTI



Senti tuas mãos 
serás outro anjo
anjo rendilhado na espuma 
do teu mar íntimo 
onde mergulho
sei que estás aqui
e aí 
e por toda a parte
não te peço nada
as tuas mãos 
estão escritas na minha pele
o meu sangue recebeu as tuas veias
diz o meu nome
devagar

HÁBITOS

Habita ainda em mim o mosto do vinho que tu foste
mas desisti esta noite
da tua vinha
as cepas entrelaçavam nos meus dedos nodozos galhos
vivia presa ao alecrim do teu olhar
chorava pelos teus olhos
já que me não permitia lágrimas
cortei rentes as cordilheiras
raízes fundas
me fizeram questionar o tempo
não tinham tempo
estiveram sempre lá
arranqueias..
Margarida Cimbolini

ELA



ELA
Aquela casta
que estava á janela
bem se punha nela
tinha olhos negros
e tinha pele bela
Era casta mas tão casta
que tudo era casto nela
Casta de pensamento
Casta nos sonhos
Casta de intento
Mais casta que a lua
fugia dela..
Era casta branca e pura
e só com Sol estava há janela
Na noite ..na noite escura....
rezava no seu altar de lençóis
ainda não revoltos....
E nem ela sabia bem a quem rezava nem porquê! 
Na manhã levantava! 
Há noite deitava.....
e o lençol na cama suava! Aquela casta já da castidade caçoava! 
Um dia abriu mais janela,
abriu mais o corpete.
Abriu seus olhos, pestanejou...
Já se amava e por isso nunca amou
Mas aquela janela,, janela da casta,,já tudo entrava por ela
E hoje nas madrugadas
A janela dela da que era casta e bela
É janela de todos! 
Mas a casta nunca amou!
Margarida Cimbolini

NO FLANCO DA LOUCURA 1

É já um pássaro louco
este que me reacende
todos os dias
eu reacendo e apago constantemente
só um pássara louco viria
este vem.
Vem quando acordo ! ....a qualquer hora.....
eu nunca sei a que horas acordo
. deitada estou muitas vezes.
mas só ás vezes adormeço.....
Em geral acordo magoada e fujo do Sol..
Mas gosto do Sol...se ele não me fustigar..
a manhã fere-me...entontece-me e escondo-me
Amo este meu pássaro louco...
...que sempre me diz ,,um dia acordas louca como eu,,
Já tive mais medo dele...agora não lhe ligo nenhuma...!
....Mas preciso dele...onde ele está eu também estou....
Em breve virá a chuva...e acordarei menos magoada...
O mar sim.....este Verão não o vi.........mas pensei tanto..
....pensei-o tanto que acho que o tenho dentro...
inunda-me todos os dias....................
.........................................acho que nunca tive tanto mar
e que nunca acordei tão magoada...
Qualquer dia acordo ...........................................................
..e não largo mais o meu pássaro louco.......................
peço-lhe que me leve no flanco da loucura.........................
(no flanco da loucura / )

NO FLANCO DA LOUCURA 4

Eram 15h sim
quando a loucura me saltou de novo ao caminho
Era pr'acordar
Deixa- me gritei-lhe eu...ainda é cedo..
Vai vasculhando o tempo
Eu tenho o dia todo para enlouquecer...
Talvez ainda encontre alguma poesia...
Deixa- me
Margarida Cimbolini
( flanco da loucura ) ////

NO FLANCO DA LOUCURA TOMO 2

Se te criei eu não sei
talvez só em mim existas
e assim me confundes sendo eu
não é a ti que quero
nem procuro
talvez apenas sejas o.....meu reflexo
e grites o meu grito
na terra ardida do meu poema
talvez miragem
oásis que inventei
Refém de ti eu sou
pois que existes
nos meus pensamentos
não te quero
vai-te
és criação minha
solidão a que dei vida
sou eu na planície deserta
morrendo de sede
que te tornei àgua
e na crueza do Sol
tornei- te sombra
e no vazio te tornei rosto
e assim bebi o teu mosto
a ti que não ..és ...te condeno
.........a nada
(no flanco da loucura // )

NO FLANCO DA LOUCURA TOMO 3

Não é a Deus que procuro
é a ti
a ele nunca o procurei
era uma ausência
uma muito forte ausência
ainda é
é a consequência inevitável de estar viva
encontrei-o um dia dentro de mim
e perdi-o e encontrei-o e voltei a perde-lo....
vezes sem conta.....experimentei e senti
... e nunca chamei fé a uma ausência.....
senti-a forte e dolorosa rasgada em rios de veias entrecruzadas
em sangues em raças em historias sagradas....
Em mil vidas e outras mais de mil... sim é com a energia
que alinhavo o tempo de cada uma ou de todas...
E aqui permaneço....aqui estou .............................
....de novo sofrendo e vivendo!
Sentei-me e ia escrever da tua ausência do soçobrar continuo
deste soluço desta angústia de ser mulher..............
..... e profundamente amante....
na gentileza de um ser apaixonado e sensível.....
.......cujo corpo e alma estão juntos......................
.. e querem estar satisfeitos...............
Um ser cujo único propósito é o amor.........pois é o amor
que tudo origina ...que tudo sustenta e de onde tudo provém....
Sentei-me e ia escrever da tua ausência....tropecei em Deus
......presença sobretudo da dúvida ...da ignorância....
dessa bem fadada ignorância de que toda a gente se esquece !
Talvez o maior fenómeno do mundo...essa pequena e simples condição que muda tudo,,a falta de conhecimento,,
Essa a verdadeira e real ausência,,,,passei agora por ela ,,é omnipresente,omnisciente,ubiqua....................
...profunda.......arrasadora..........................e depois de ter passado agora mesmo por ela.....reverenciando-a ...
por fim tombo no amor.................................................
e cavalgando no flanco deste minha loucura.....grito......
.......................................não me matem o amor !
Margarida Cimbolini
(no flanco da loucura /// )

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

carmen silvia presoto

VIDA
Descruzo os dedos,
os versos, o olhar
invento um acorde
percorro caminhos
linhas, rugas, vincos
toco os poros
mais expostos
colho os sonhos
mais ativos
acordo o vento
destampo o tempo
circulo o infinito
foram-se os muros
tiro a máscara
cá estamos, livres
... e menos sozinhos
saudade...
Eros és minha verdade!
Carmen Silvia Presotto !

NO MEIO DOS IMPOSSIVEIS

No meio dos impossíveis
é o lugar que escolhi
branca será a morte
mas não sinto tal alvura
Sinto o negro da noite
sempre na sombra tua
mas cai neve muito leve
e em mim o seu perfume
A morte branca ..tão branca !
que seja ressureição...
Hoje morreu um poeta..
e corre uma oração
passagem breve e secreta
seria talvez sua meta
Pois que não se chore em vão...
......a sua alma tão leve........
já partiu... e caminha ...
irá encontrar por certo a sua constelação....
.............ela sabe donde vinha......

CONSTELAÇÕES

constelações
no caminho da utopia
onde o principio e o fim??
A caminho da utópica constelação
foi aquele homem cego
que no caminho se fez mudo
e a pouco e pouco surdo e mouco
via porém as constelações
em onírico sonho de eternidade
perdido na falta de sentidos
solto na falta de mente
ser nascido no pensamento
aquele que origina outros homens
chamou na sua cegueira
irmão
aos outros homens
que no silencio a que se votara
pressentia no caminho
então se tornou irmandade
utópica irmandade sem principio e sem fim
em direcção não se sabe onde
experimentando apenas uma regra
ser uma constelação