O JOGO
No canto do bar
as luses de néon
Iluminavam o rosto emanciado e triste
Devia ter sido muito bela aquela mulher
O oval perfeito
as maçãs do rosto salientes
Os lábios ...brancos de susto
evidenciavam o vermelho de outrora
Os olhos fundos inchados de rugas !
brilhavam ainda timidos e quentes ...
Fulvos os esparsos cabelos eram ainda belos..
Sob aquelas luzes brancas e cruas
a face pálida demais
dir -se- ia extinta desmaiada ..
Um todo de desânimo de acabado e sem luz nimbava o vulto ..tão debil !
Tão inevitamente elegante..
A mão segurava o queixo....
as luses de néon
Iluminavam o rosto emanciado e triste
Devia ter sido muito bela aquela mulher
O oval perfeito
as maçãs do rosto salientes
Os lábios ...brancos de susto
evidenciavam o vermelho de outrora
Os olhos fundos inchados de rugas !
brilhavam ainda timidos e quentes ...
Fulvos os esparsos cabelos eram ainda belos..
Sob aquelas luzes brancas e cruas
a face pálida demais
dir -se- ia extinta desmaiada ..
Um todo de desânimo de acabado e sem luz nimbava o vulto ..tão debil !
Tão inevitamente elegante..
A mão segurava o queixo....
Num gesto cansado a mão afastava o cabelo..
Os olhos fugiam das luzes
A boca rejeitava os beijos
O corpo rejeitava o amor....
A boca rejeitava os beijos
O corpo rejeitava o amor....
Mas mesmo assim o fogo saia - lhe dos poros !
A perna emagrecida e fogosa traçava encantadora e nua !
No canto do bar ainda que muito cansada talvez até velha ...! Estava uma linda mulher e tudo se passava ali em torno dela !
Os homens olhavam pelo canto do olho..
uns desencorajados pelo porte altivo...
Outros demasiado jovens temiam a abordagem dificil ...trabalhosa...
Mas ninguém ficava indiferente àquele frêmito..àquela guerra ..àquela angustiante ternura ...
Passaram -se muitas horas o bar ia fechar...
A mulher calada e um pouco tremula tinha de sair..
Os homens olhavam pelo canto do olho..
uns desencorajados pelo porte altivo...
Outros demasiado jovens temiam a abordagem dificil ...trabalhosa...
Mas ninguém ficava indiferente àquele frêmito..àquela guerra ..àquela angustiante ternura ...
Passaram -se muitas horas o bar ia fechar...
A mulher calada e um pouco tremula tinha de sair..
Lá fora era o deserto ..morria uma canção.!
Perdida estaria a alma ¿ bateria o coração ?
Pra onde iria !
Sózinha ali ..noite afora ...
Ninguem sabia..nem ela !
Ambígua ? Sem destino...
Onde a saída.... qual o caminho...
Não havia... não tinha !
Mal saísse..... a gargalhada do mundo a envolvia !
Sózinha ali ..noite afora ...
Ninguem sabia..nem ela !
Ambígua ? Sem destino...
Onde a saída.... qual o caminho...
Não havia... não tinha !
Mal saísse..... a gargalhada do mundo a envolvia !
E seria só mais uma ..na multidão que seguia...
A mulher no bar quase vazio no seu canto encolhia.....
A mulher no bar quase vazio no seu canto encolhia.....
O canto caiu ..o bar desabou... a terra tremia ....
Era só uma mulher
mas na terra que se abria ..essa mulher ficou...
e por um acaso essa mulher....sofria !
mas na terra que se abria ..essa mulher ficou...
e por um acaso essa mulher....sofria !
